sexta-feira, 18 de maio de 2007

Releituras II

Numa tentativa desesperada de incentivar a leitura entre as crianças e jovens, e após alguma negociação com os portadores dos direitos autorais, o governo brasileiro está relançando alguns clássicos da literatura infanto-juvenil com novas versões, carregadas de aventura, emoção e alguma violência e sexo, por que não? Vamos a elas:

Bonezinho vermelho

Bonezinho vermelho era uma menina muito descolada que adorava vestir roupinhas da hora e andava sempre com um boné vermelho (lógico) da Pychulin (é assim que se escreve?). Bonezinho morava na periferia e, uma vez por semana ela ia visitar sua vovozinha, Tita Mee, que era uma rockeira aposentada e morava no centro da cidade.

Como boa menina que era, Bonezinho sempre levava, como presente, um tijolo de maconha que sua vozinha usava para fins medicinais (ela tinha glaucoma, a coitada). A mãe de Bonezinho sempre dizia para a menina pegar o metrô, que era mais seguro, Bonezinho, porém, muito sapeca, preferia pegar o buzão, pois achava muito mais emocionante.

Certo Dia, nossa pequena heroína (feminino de herói, por favor, ela não lidava com tóxicos (lê-se tóchicos) tão pesados) conseguiu, miraculosamente, um lugar no ônibus e lá ia ela, toda pimpona, observando os passantes pela janelinha. Nisso senta-se ao lado dela um famoso músico nacional, conhecido como Hienão, que também era chegado na ervinha do capeta.

Os dois começam um chat (palavra portuguesa para bate-papo) e o tal do Hienão começa a indagar a menina como se chama, qual o signo, aonde vai e etc, tudo como quem não quer nada. Nossa vivaz, mas inocente, Bonezinho acaba dando com a língua nos dentes e confessa que tem, em sua posse, um belo tijolão de maria-joana, presente para sua adorada vovó, ex-roqueira. Os olhos de Hienão brilham muito, mas ele decide não fazer nada naquele ônibus lotado. Decide perguntar o endereço da vovó, dando a desculpa que gostaria de tirar um som com dona Mee. Bonezinho cai como um patinho bombado (não percam nossa próxima história) e dá o serviço.

Após três horas de viagem, Bonezinho chega ao seu destino, pula do ônibus e dirije-se, a pé, até o edifício de sua chapada vó. Ela cumprimenta o porteiro e vai direto ao elevador, sobe até o décimo sexto andar (dona Mee não tem jeito mesmo, ficar alta é com ela mesmo) e toca a campainha. De dentro do apê uma voz um tanto quanto esquisita canta:

_ Vida! Vida, vida, vida, vida bandida.

A música pára e logo depois, num tom mais baixo ela ouve:

_ Pode entrar minha netinha.

Chapeuzinho, opa, Bonezinho entra e dá de cara com uma cena insólita: Hienão, disfarçado de Tita Mee, com uns óculos redondinhos estilo bicho grilo e um kimono com detalhes e desenhos orientais (é claro né autor, já viu komono ocidental?). Bonezinho se aproxima e não comenta nada a respeito dos olhos, ouvidos ou da boca, mas não pode deixar de notar um cachimbo que jaz (jaz é ótimo né?) na mesinha de centro da vovó, ao lado de um porta incenso já armado. Muito perspicaz, Bonezinho pergunta:

_ Vovó? Por que esse cachimbo diferente hoje, maior? Por que esse incenso de outro aroma, mais forte?

Nisso o Hienão, não conseguindo segurar uma gargalhada comenta:

_ É para queimar melhor, minha netinha.

A vovó, que estava escondida atrás da cortina, sai rindo também, todos se abraçam, colocam um Pink Floyd para tocar e a festa está armada. Nisso chega não um caçador, mas o peeme Matias que dá uma olhada séria em direção aos maconheiros. Bonezinho treme, mas fica aliviada quando a dona Mee fala:

_ Chegou bem na hora "Mata"!

E eles viveram felizes para sempre, até acabar com toda a erva.

FIM

3 comentários:

Anônimo disse...

Heheh! Bem legal a Bonezinho. Mas a minha duvida é se Pychulyn ainda existe, e, caso afirmativo, se ainda é descolado um bonezinho da Pychulyn.

E não é que o Hienão se rendeu ao jabaculelê e gravou um Acústico MTV?

Marcelo Machado disse...

Pois é, eu acho que não existe mais, mas o que posso fazer? Sou um dinossauro...

Quanto ao Hienão, bom, de trouxa ele não tem nada...

abraços

julio lima disse...

ola marcelo, pychulyn fechou em 1998 e vai voltar em 2008. fui representante 10 anos da marca. abraço. julio lima - são sepé-rs