Não deixo de achar engraçado o que algumas pessoas acham engraçado. Eu gosto de escutar música no carro, mas o rádio do meu carro é somente rádio, tem um toca-fitas também, veja você, mas eu acho que não existem mais fitas para tocar, é uma contradição, mas não é disso que vou falar hoje. Quero falar do que as pessoas acham engraçado e o fato de escutar rádio no carro (já que não posso escutar fitas cassetes) tem a ver com isso, pronto. Então tá, entrei no carro e liguei o rádio, era um intervalo/quadro cômico que estava passando, ou ao menos tinha essa intenção. Um sujeito ligava para alguém para passar uma espécie de trote. Esse sujeito que ligava havia recebido informações por parte de um amigo e/ou parente da pobre vítima. As informações eram acerca de um apelido indesejado. E então o sujeito engraçadíssimo fica ligando para o pobre coitado e repetindo o apelido sem parar, até enlouquecer o infeliz. Engraçadíssimo! Não, não acho muito.
Eu não gostaria de receber um trote, eu não passo trote então. Parece um raciocínio lógico, acontece que não é. Não é a tal ponto de supostos amigos ou parentes fornecerem o telefone e o apelido humilhante ou desagradável de uma pessoa para outra que irá humilhá-la ou denegri-la em público e para (dependendo da audiência) todo o país ouvir e, claro, rir muito. Todo mundo menos eu que vou trocar de estação. Eu não faria isso com meus amigos, entendo que muitos mais também não.
Mas isso tudo me preocupa e muito, o que as pessoas acham engraçado. O falecido Éneas Carneiro deve ter tido muitos votos porque as pessoas gostavam de suas idéias, mas eu não tenho nenhuma dúvida que recebeu inúmeros mais porque as pessoas o achavam engraçado, o jeito de falar (sempre irado e ou apaixonado), a rapidez que os poucos segundos exigiam, a barba comprida, a careca, os óculos, a imagem caricata. As pessoas achavam engraçado, seria divertido chegar no bar no outro dia, ou no emprego e dizer: _ Eu votei no Éneas! Os colegas então sacudiriam a cabeça e diriam: _ Esse Fulano é mesmo uma figura, muito engraçado! E contariam para as suas esposas, mais tarde. Engraçado.
É por isso que tenho muito medo do senso de humor, vai que vire uma coisa engraçada, sei lá, dirigir na contramão e de olhos fechados, ou subir na calçada e atropelar pedestres. Isso é um pequeno passo, de irritar, importunar e humilhar até espancar, mutilar e matar. Bom, talvez não seja um passo tão pequeno, mas pode ser apenas questão de tempo. Parece que já é engraçado ligar para a Polícia ou Bombeiros e mentir a respeito de tragédias e emergências. Se pensarmos que os órgão de defesa civil podem se dirigir a falsos locais de tragédia ao invés de atender a verdadeiras chamadas, o raciocínio ali de cima não parece ser tão absurdo ou exagerado. Esses dias eu soube que agora há uma lei para punir as pessoas que fazem esse tipo de coisa aqui no país. Quer dizer, foi preciso alguém ameaçar punir o "engraçadinho" para que, talvez, ele vá procurar risadas em outro lugar. Tudo muito engraçado.
Eu não gostaria de receber um trote, eu não passo trote então. Parece um raciocínio lógico, acontece que não é. Não é a tal ponto de supostos amigos ou parentes fornecerem o telefone e o apelido humilhante ou desagradável de uma pessoa para outra que irá humilhá-la ou denegri-la em público e para (dependendo da audiência) todo o país ouvir e, claro, rir muito. Todo mundo menos eu que vou trocar de estação. Eu não faria isso com meus amigos, entendo que muitos mais também não.
Mas isso tudo me preocupa e muito, o que as pessoas acham engraçado. O falecido Éneas Carneiro deve ter tido muitos votos porque as pessoas gostavam de suas idéias, mas eu não tenho nenhuma dúvida que recebeu inúmeros mais porque as pessoas o achavam engraçado, o jeito de falar (sempre irado e ou apaixonado), a rapidez que os poucos segundos exigiam, a barba comprida, a careca, os óculos, a imagem caricata. As pessoas achavam engraçado, seria divertido chegar no bar no outro dia, ou no emprego e dizer: _ Eu votei no Éneas! Os colegas então sacudiriam a cabeça e diriam: _ Esse Fulano é mesmo uma figura, muito engraçado! E contariam para as suas esposas, mais tarde. Engraçado.
É por isso que tenho muito medo do senso de humor, vai que vire uma coisa engraçada, sei lá, dirigir na contramão e de olhos fechados, ou subir na calçada e atropelar pedestres. Isso é um pequeno passo, de irritar, importunar e humilhar até espancar, mutilar e matar. Bom, talvez não seja um passo tão pequeno, mas pode ser apenas questão de tempo. Parece que já é engraçado ligar para a Polícia ou Bombeiros e mentir a respeito de tragédias e emergências. Se pensarmos que os órgão de defesa civil podem se dirigir a falsos locais de tragédia ao invés de atender a verdadeiras chamadas, o raciocínio ali de cima não parece ser tão absurdo ou exagerado. Esses dias eu soube que agora há uma lei para punir as pessoas que fazem esse tipo de coisa aqui no país. Quer dizer, foi preciso alguém ameaçar punir o "engraçadinho" para que, talvez, ele vá procurar risadas em outro lugar. Tudo muito engraçado.
