quinta-feira, 26 de março de 2009

Cordel dos excomungados

Momento histórico do blog, um texto de outrem. Se a fonte estiver correta o nome do autor é o lá de baixo. Aproveitem.

I

Peço à musa do improviso

Que me dê inspiração,

Ciência e sabedoria,

Inteligência e razão,

Peço que Deus que me proteja

Para falar de uma igreja

Que comete aberração.

II

Pelas fogueiras que arderam

No tempo da Inquisição,

Pelas mulheres queimadas

Sem apelo ou compaixão,

Pensava que o Vaticano

Tinha mudado de plano,

Abolido a excomunhão.

III

Mas o bispo Dom José,

Um homem conservador,

Tratou com impiedade

A vítima de um estuprador,

Massacrada e abusada,

Sofrida e violentada,

Sem futuro e sem amor.

IV

Depois que houve o estupro,

A menina engravidou.

Ela só tem nove anos,

A Justiça autorizou

Que a criança abortasse

Antes que a vida brotasse

Um fruto do desamor.

V

O aborto, já previsto

Na nossa legislação,

Teve o apoio declarado

Do ministro Temporão,

Que é médico bom e zeloso,

E mostrou ser corajoso

Ao enfrentar a questão.

VI

Além de excomungar

O ministro Temporão,

Dom José excomungou

Da menina, sem razão,

A mãe, a vó e a tia

E se brincar puniria

Até a quarta geração.

VII

É esquisito que a igreja,

Que tanto prega o perdão,

Resolva excomungar médicos

Que cumpriram sua missão

E num beco sem saída

Livraram uma pobre vida

Do fel da desilusão.

VIII

Mas o mundo está virado

E cheio de desatinos:

Missa virou presepada,

Tem dança até do pepino,

Padre que usa bermuda,

Deixando mulher buchuda

E bolindo com os meninos.

IX

Milhões morrendo de Aids:

É grande a devastação,

Mas a igreja acha bom

Furunfar sem proteção

E o padre prega na missa

Que camisinha na linguiça

É uma coisa do Cão.

X

E esta quem me contou

Foi Lima do Camarão:

Dom José excomungou

A equipe de plantão,

A família da menina

E o ministro Temporão,

Mas para o estuprador,

Que por certo perdoou,

O arcebispo reservou

A vaga de sacristão.

Autor: Miguezim de Princesa - Poeta popular,

paraibano radicado em Brasília.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sem telefone

Não tenho telefone fixo. Como mudei há pouco mais de um ano, de cidade e de região, aconteceu que minha operadora de telefonia fixa não atuava aqui e não pude transferir meu número. Decidimos que não fazia sentido ter celulares e fixo, estaríamos pagando duas vezes pelo mesmo serviço, já que não somos do tipo de gente comunicativa que liga sem parar, para todo mundo, para avisar que a unha encravou e logo depois para dizer que nasceu uma espinha ou então para comentar sobre o quanto a grama cresceu. Não gosto de pessoas assim, não gosto de pessoas que vivem penduradas no celular, não acredito que ninguém tenha essa necessidade toda, talvez algumas centenas de pessoas no mundo todo, mas cada um é livre para fazer o que quiser menos no trânsito. Abomino pessoas que sobem no carro e já pegam o celular. Eu conheço bem esse tipo de gente. Está ali um carro, na sua frente, se arrastando, no meio da rua, você não consegue passar. Pode apostar que o (a) infeliz está no celular, falando merda, pode saber. Mas eu não queria falar sobre isso, inclusive eu acho que já falei. Eu quero falar é dos 0800.

Eu assino algumas coisas, como TV fechada, por exemplo. E pago uma quantia por mês que não é tão pouca. Raramente eu preciso ligar para eles, raramente mesmo, não sou do tipo de ficar ligando, tu leste ali em cima. Mas eu não posso. Eu não posso por que alguém decidiu que todo mundo é obrigado a ter telefone fixo! Em pleno século XXI! Talvez por causa dos malditos ali de cima, talvez as pessoas ficassem ligando, de seus celulares, para falar do tempo com o pessoal do 0800, talvez por isso tenham cortado esse serviço, como as mães e os pais fazem nas suas casas (já que ninguém mais manda nos filhos, então o costume é cortar as ligações para celulares, punindo todos da casa ao invés do (da) culpada). Ou talvez seja a falta de respeito padrão com o consumidor. Mas é fato que alguém quer me obrigar a ter telefone fixo.

Isso acontece também naqueles formulários eletrônicos. Tu estás lá, preenchendo, e aparecem aqueles campos obrigatórios. O telefone fixo, às vezes, é um deles. Mas eu não tenho telefone fixo! Sou obrigado? Eu posso informar o meu celular, caso seja muito importante para vocês! Então eu tenho que (a) colocar 0000-0000 ou (b) inventar um número. É isso que vocês querem? Que eu minta? Eu simplesmente não tenho telefone fixo, não preciso. Já existem os celulares e a internet! Estamos em 2009! Daqui a pouco vão querer saber de que marca é meu toca-discos, quantas cabeças tem o meu videocassete, quanto eu gasto de lenha no meu fogão...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Na veia!

Há tempos atrás eu descobri outra coisa entre as boas coisas da vida: a injeção na veia. Ontem tive a minha segunda crise de passagem de cálculo e pude mais uma vez confirmar, bom mesmo é injeção na veia! Drugs! Drugs mesmo! Buscopan, morfina, tilatil e o escambau. A dor era lancinante, pior que a primeira vez, ânsias de vômito, invocação do Victor (Hugo) e eu só queria saber de uma coisa, já havia descoberto que era bom: uma injeção na veia! Até deu para entender porque a heroína era popular (pelo menos acho que era, no sentido de não ser mais). Se eu fosse viciado em drogas eu só iria querer na veia, é rápido, quase que instantâneo, para que esperar?

Eu cheguei a uma idade em que eu não quero me incomodar. Eu pago para não me incomodar. Eu quero conforto. Se viajo para um lugar eu quero ficar num hotel, banho com água quente, cama macia, fronhas e lençóis limpos. Eu não quero acampar, ficar no mato, usar o mato como banheiro. Tem gente que gosta e eu não entendo, apesar de respeitá-los eu não os entendo. Quando se é adolescente tudo bem, você não tem nada, não sabe de nada, "não tem ruim" como se costumava dizer. Você dorme no chão, lembro que uma vez eu dormi em cima de um monte de pedra britada. Estava ótimo! Agora não, para mim é escada rolante e injeção na veia!

Nunca me convide para acampar! Nunca me convide para escalar uma montanha! Eu tenho certeza que nunca serei resgatado após me perder numa floresta, fazendo uma trilha. Eu nunca farei trilha! Nunca passarei frio ou calor por livre e expontânea vontade. E nunca sentirei dor por não querer ficar tomando remédio. Me dê aí todos os remédios que você tem, e rápido! De preferência na veia.

sexta-feira, 13 de março de 2009

O ônibus e o Coelhinho da Páscoa

Polêmica na Espanha, católicos enfurecidos, evangélicos idem! Ônibus andam circulando dizendo que o deus deles não existe. Eu me reservo o direito de comentar algumas partes que achei muito interessantes:

"Eu não vou subir nesse ônibus de jeito nenhum. Fico aqui o tempo que for preciso para que vejam que nós cristãos estamos indignados. O que estão fazendo é uma imoralidade, uma blasfêmia. Tenho vergonha de ser espanhola, disse Dolores à BBC Brasil."

As pessoas querendo opinar e decidir por si só ou baseadas em fatos realmente é uma blasfêmia! Sempre foi na opinião de muitas (para não dizer todas) religiões. Eu acho que teria mais vergonha de ser espanhol pelas touradas, por exemplo.

"Isso é só publicidade, é uma polêmica estúpida, cada um diz o que quer, é um país livre. A senhora não fala de Deus aqui sem problema? Então por que outros não podem?, rebateu a estudante Rosario Flores, 23 anos, que se define como católica não praticante".

Esta parte é ótima e revela uma característica importante sobre católicos (e outros religiosos): existem pessoas sensatas entre eles. Da mesma forma que, tenho certeza, existem pessoas intolerantes entre ateus, agnósticos e livres pensadores. Ou seja, existem pessoas de todos os caráteres em diferentes lugares e organizações. E não acreditar em um Tupã (ou o deus dos cristãos) não significa ser satanista, pelo contrário, significa também não acreditar num deus do mal. Isso, entretanto, não é verdade para as religiões, como instituições. Ou se acredita, e ama, e teme a Zeus (ou o deus vigente) ou se está condenado, e para sempre!

"Já a Conferência Episcopal Espanhola, que não participa da campanha nos ônibus, acha que há blasfêmia e que o governo deveria intervir."

É o que está dito ali em cima, um órgão oficial da igreja não pode nunca dar o braço a torcer. Nosso deus existe nem que tu tenhas que morrer! Eu consigo imaginar alguém dizendo que "bom era antigamente, fazia-se uma fogueira e tudo estava resolvido. Além disso ainda podia sobrar alguma terra e algum ouro, estamos mesmo precisando."

"Segundo o comunicado oficial emitido no dia 24 de janeiro, insinuar que Deus é uma invenção e que não deixa as pessoas desfrutarem da vida é uma blasfêmia e uma ofensa aos que acreditam".

A pergunta aqui é: Dizer que o deus deles existe não é uma ofensa a quem não acredita? Eu sempre penso na maioria dos teístas como àquelas crianças que passam boa parte da infância acreditando no Coelhinho da Páscoa, ou Papai Noel (outros dois seres mitológicos) até que vem o irmão mais velho e fala que isso é tudo invenção. A diferença básica é que, geralmente, não existe um irmão mais velho para dizer que Tupã não existe e então as pessoas acreditam porque sempre foi assim, é uma tradição e não vamos questionar. É um fato que o Natal perde um pouco da graça quando se descobre que não existe mágica alguma por trás dos presentes embaixo da árvore, mas aposto que boa parte das crianças deve ficar contente (e aliviada) com algo bem mais lógico e fazendo muito mais sentido do que um velhinho que mora lá longe entregando presentes na mesma noite para uma infinidade de crianças, entrando por chaminés que ninguém cabe ou até por fechaduras de portas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Culpa do Need for Speed

Eu joguei "Need for Speed". Era divertido. Tu comprava uns carros, podia comprar peças, dar a "tunada" que é a versão portuguesa (brasileira) do tuning. E podia correr e realizar provas com um carro que provavelmente nunca irei dirigir, quem sabe? Entretanto, algo me faz gostar menos do jogo agora, pois as pessoas resolveram "tunar" os seus carros na vida real, virou moda e até aí tudo bem, cada um com seu hobby (como a Carla Perez), cada um faz o que quer com o seu dinheiro.

O problema são os faróis, os malditos faróis azuis. Estou procurando aqui e achei uns tais de faróis diamond que, segundo o fabricante "são a opção perfeita para quem quer um visual diferenciado em seus faróis, oferecendo uma luz com tonalidade azulada e ótima performance na emissão e foco". O fabricante esqueceu de dizer, entretanto, que eles também são a opção perfeita para cegar o motorista que dirige à sua frente ou em sentido contrário.

Eu imagino que o primeiro comprador dos tais faróis azulados não sabia que os mesmos cegavam os outros motoristas. Eu não entendo, entretanto, como o segundo, o terceiro e os próximos continuaram comprando. Eles devem ter comprado quando viram em outro carro, eles devem ter sido atrapalhados e incomodados enquanto dirigiam, mas eles não se importaram, aparentemente. Nada contra o visual, ele é mesmo bonito, até certo ponto, mas estou falando de segurança e de, no mínimo, respeito aos outros. Respeito aos outros... Às vezes até eu me divirto com minha própria ingenuidade, mas isso é assunto para o próximo post.

quinta-feira, 5 de março de 2009

A vergonha alheia

É um sentimento normal, pelo menos para mim. Estou ali sentado, vendo televisão, e então aparece uma pessoa que vai se colocar numa situação ridícula qualquer, ela não liga e eu vou ficando nervoso, mudo de canal, saio da sala, vou ao banheiro, fujo dali. As vezes eu acho que sou o Cristo da Vergonha, alguns teístas acreditam que Jesus veio para nos livrar dos pecados, eu acredito que vim para livras as pessoas da vergonha, um mártir que absorverá e sentirá toda a vergonha do mundo e não morrerá, mas ficará vermelho e nunca mais sairá de casa, obrigado a assistir a programas de calouros e de auditório indefinidamente, já que o senso de ridículo está em falta.

O homem é o único ser que sente vergonha, pelo menos que eu saiba. Algumas pessoas, horrorizadas, afirmam que já se perdeu totalmente a vergonha quando vêem mulheres com pouca roupa ou certas coisas assim, desavergonhadas, que os outros fazem. Aliás, aqui o correto seria dizer que as pessoas estão perdendo a vergonha novamente visto que o homem original e a mulher original, segundo a Bíblia e alguns teístas, foram feitos sem vergonha. Está ali, no Gênesis: "E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam." Ou seja, deus fez dois grandessíssimos sem vergonhas e depois não gostou que o troço degringolou. Pior ainda, deus deve ter feito a serpente quando fez os répteis ali no quinto dia, ou seja, devia ter desconfiado que ia haver confusão.

Eu, se fosse uma dessas pessoas desavergonhadas, quando pego fazendo alguma sem-vergonhice, quando criticado ou ameaçado pelas pessoas vigilantes da moral e dos bons costumes, eu iria dizer: "Foi Tupã (o primeiro deus nacional) quem me fez assim, um grande sem vergonha, a culpa não é minha!" Admito, eu até posso ser pego numa dessas. Prometo entretanto que nunca me verás na TV, cantando desafinado, contando piadas ou tentando ser um participante do big-brother. Prometo que nunca te farei sentir vergonha por mim ou morrerei tentando.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Como fazer amigos

Depois de algum tempo longe eis que volto à ativa. Andei um pouco ocupado, talvez com preguiça, nunca sem idéias (que agora nem levam mais acento, vejam só), é claro, porque elas estão sempre ali. Esses dias me ocorreu que estou no ramo errado, eu devia estar escrevendo livros com aquelas coisas óbvias ou impraticáveis dos livros de auto-ajuda. Então vamos lá, seguindo nessa linha começarei com algo importantíssimo hoje e sempre: como fazer e ter amigos, muitos amigos. Quem quiser me pagar, favor enviar o dinheiro, não precisa nem se preocupar com despesas, basta pedir um real a cada um de seus novos amigos, se bem que pedir dinheiro é uma forma de espantá-los, sei lá, dê um jeito ou espere meu novo post: como ficar milionário (ou Zé Rico). Vamos nessa então:

É sabido daquela genial frase, queria que fosse minha, que "Zeus (ou Tupã, escolha seu deus) deve amar os idiotas, pois os fez aos milhares". Muito bem, aceitando essa verdade você só precisa agir como completo idiota para agradar à grande maioria da população, o que abrirá as portas para novas amizades. Você, neste momento, deve estar me achando um charlatão do tipo que apenas fala o que fazer, mas não como fazer. Muito bem, aqui vai uma dica:

Som no carro. A idéia aqui é: quanto maior o volume melhor. Instale aqueles altofalantes no seu carro e obrigue todas as pessoas a ouvir o que "todo" mundo gosta. Não seja tímido, não tenha medo de ficar surdo, o volume tem que ser máximo. É claro que alguns não vão gostar, mas estamos falando de quantidade aqui, não de qualidade. Calypso, Psirico, Aviões do Forró e coisas do tipo. Muito na moda qualquer versão forró (em português, brasileiro para os íntimos) de alguma música de sucesso (da novela das oito). Não, nem pense em Chico Buarque, Cazuza ou Beethoven, você quer amigos, lembre-se disso, nada de compositores/artistas menores, que ninguém conhece. Não esqueça de manter todos os vidros abertos e passear por lugares com bastante quantidade de semáforos, você vai começar a ser visto e admirado pelo seu bom gosto e generosidade com os mais infelizes que não tem dinheiro para ter carro ou som no carro. Se quiser ser visto como especial mesmo dê algumas voltas em torno do hospital de sua cidade, é uma ótima idéia para animar os pobres pacientes que estão em recuperação.

E então, uma dica está dada, quer mais? Envie um cheque e seu e-mail e lhe brindarei com mais pérolas de sabedoria. Quer compartilhar suas próprias idéias? Comente, talvez escrevamos "o livro definitivo" juntos.