Ontem me aconteceu uma coisa engraçada. Havia saído para comer no shopping, à noite, tinha que ir ao supermercado, essas coisas. Eu geralmente pago as minhas coisas com o débito no cartão do banco, mas ontem eu estava com dinheiro na carteira e resolvi pagar assim. Então eu entreguei ali a nota para a moça, vinte reais. A moça começou a examinar a nota, atentamente, na minha frente, naquela tentativa de saber se a nota era falsa ou verdadeira.
Eu fiquei envergonhado. Para ela foi uma coisa muito normal. Eu fiquei envergonhado porque, bom, eu não sou um falsificador, nem faço parte de uma quadrilha, nem tou tentando "lavar dinheiro" por aí. Se eu trabalhasse no comércio eu nunca iria conseguir fazer isso na frente de um cliente, e se fizesse eu iria morrer pedindo desculpas depois, ia dizer: _ Nada pessoal senhor ou senhora, é o Brasil né? E então dar um sorriso amarelo.
Eu podia ter feito o mesmo com o troco que ela me deu, isso me ocorre agora, e isso seria também normal para ela, acho. Eu fiquei envergonhado por ela pensar que eu poderia estar dando (voluntária ou involuntariamente) um golpe, mas fiquei mais envergonhado ainda quando percebi que isso é uma coisa necessária em nosso país: não baixar a guarda nunca, ficar sempre prestando atenção, pois a qualquer hora, a qualquer momento, alguém vai tentar te roubar, extorquir, enganar, te passar para trás.
Eu me lembro imediatamente daqueles programas do Discovery Channel, na savana africana, os gnus e outras presas sempre naquela tensão, sempre naquela apreensão. É claro que dá para relaxar no Brasil e na selva, até dá, mas daí meu irmão, as chances de tu ser comido aumentam muito, tu podes até escapar e vai, eventualmente, mas daqui a pouco tu já era. O que a moça do caixa fez, ela fez sem pensar, foi um ato reflexo. Aquela ali aprendeu que na selva não se relaxa, nunca. E tu aí? Está relaxado agora?
Eu fiquei envergonhado. Para ela foi uma coisa muito normal. Eu fiquei envergonhado porque, bom, eu não sou um falsificador, nem faço parte de uma quadrilha, nem tou tentando "lavar dinheiro" por aí. Se eu trabalhasse no comércio eu nunca iria conseguir fazer isso na frente de um cliente, e se fizesse eu iria morrer pedindo desculpas depois, ia dizer: _ Nada pessoal senhor ou senhora, é o Brasil né? E então dar um sorriso amarelo.
Eu podia ter feito o mesmo com o troco que ela me deu, isso me ocorre agora, e isso seria também normal para ela, acho. Eu fiquei envergonhado por ela pensar que eu poderia estar dando (voluntária ou involuntariamente) um golpe, mas fiquei mais envergonhado ainda quando percebi que isso é uma coisa necessária em nosso país: não baixar a guarda nunca, ficar sempre prestando atenção, pois a qualquer hora, a qualquer momento, alguém vai tentar te roubar, extorquir, enganar, te passar para trás.
Eu me lembro imediatamente daqueles programas do Discovery Channel, na savana africana, os gnus e outras presas sempre naquela tensão, sempre naquela apreensão. É claro que dá para relaxar no Brasil e na selva, até dá, mas daí meu irmão, as chances de tu ser comido aumentam muito, tu podes até escapar e vai, eventualmente, mas daqui a pouco tu já era. O que a moça do caixa fez, ela fez sem pensar, foi um ato reflexo. Aquela ali aprendeu que na selva não se relaxa, nunca. E tu aí? Está relaxado agora?
