sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Engraçado

Não deixo de achar engraçado o que algumas pessoas acham engraçado. Eu gosto de escutar música no carro, mas o rádio do meu carro é somente rádio, tem um toca-fitas também, veja você, mas eu acho que não existem mais fitas para tocar, é uma contradição, mas não é disso que vou falar hoje. Quero falar do que as pessoas acham engraçado e o fato de escutar rádio no carro (já que não posso escutar fitas cassetes) tem a ver com isso, pronto. Então tá, entrei no carro e liguei o rádio, era um intervalo/quadro cômico que estava passando, ou ao menos tinha essa intenção. Um sujeito ligava para alguém para passar uma espécie de trote. Esse sujeito que ligava havia recebido informações por parte de um amigo e/ou parente da pobre vítima. As informações eram acerca de um apelido indesejado. E então o sujeito engraçadíssimo fica ligando para o pobre coitado e repetindo o apelido sem parar, até enlouquecer o infeliz. Engraçadíssimo! Não, não acho muito.

Eu não gostaria de receber um trote, eu não passo trote então. Parece um raciocínio lógico, acontece que não é. Não é a tal ponto de supostos amigos ou parentes fornecerem o telefone e o apelido humilhante ou desagradável de uma pessoa para outra que irá humilhá-la ou denegri-la em público e para (dependendo da audiência) todo o país ouvir e, claro, rir muito. Todo mundo menos eu que vou trocar de estação. Eu não faria isso com meus amigos, entendo que muitos mais também não.

Mas isso tudo me preocupa e muito, o que as pessoas acham engraçado. O falecido Éneas Carneiro deve ter tido muitos votos porque as pessoas gostavam de suas idéias, mas eu não tenho nenhuma dúvida que recebeu inúmeros mais porque as pessoas o achavam engraçado, o jeito de falar (sempre irado e ou apaixonado), a rapidez que os poucos segundos exigiam, a barba comprida, a careca, os óculos, a imagem caricata. As pessoas achavam engraçado, seria divertido chegar no bar no outro dia, ou no emprego e dizer: _ Eu votei no Éneas! Os colegas então sacudiriam a cabeça e diriam: _ Esse Fulano é mesmo uma figura, muito engraçado! E contariam para as suas esposas, mais tarde. Engraçado.

É por isso que tenho muito medo do senso de humor, vai que vire uma coisa engraçada, sei lá, dirigir na contramão e de olhos fechados, ou subir na calçada e atropelar pedestres. Isso é um pequeno passo, de irritar, importunar e humilhar até espancar, mutilar e matar. Bom, talvez não seja um passo tão pequeno, mas pode ser apenas questão de tempo. Parece que já é engraçado ligar para a Polícia ou Bombeiros e mentir a respeito de tragédias e emergências. Se pensarmos que os órgão de defesa civil podem se dirigir a falsos locais de tragédia ao invés de atender a verdadeiras chamadas, o raciocínio ali de cima não parece ser tão absurdo ou exagerado. Esses dias eu soube que agora há uma lei para punir as pessoas que fazem esse tipo de coisa aqui no país. Quer dizer, foi preciso alguém ameaçar punir o "engraçadinho" para que, talvez, ele vá procurar risadas em outro lugar. Tudo muito engraçado.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Vitórias e Rojões

Sou fan de futebol e acompanho as notícias relacionadas a ele. Não posso deixar de notar e também apoiar o repúdio da imprensa a fatos como invasão de campo e arremessos de objetos em direção ao gramado por parte de "torcedores" (aqui entre aspas porque há gente que entende que não são torcedores, mas marginais, bandidos ou assemelhados infiltrados e encobertos pela multidão, concordo com isso, porém em parte (mais tarde ficará mais claro)). Não consigo, entretanto, deixar de relacionar esse tipo de atitude com outros fatos que vêm de dentro da casamata (ou até do escritório do Presidente (do clube, por favor)) para fora, em direção à arquibancada.

O que estou querendo comentar aqui, a relação que desejo fazer, é essa mania nacional (talvez continental) da vitória à qualquer custo e, pior ainda, de qualquer maneira com os atos de disparo dos famigerados rojões, bombas e foguetes. Com à exceção de pouquíssimos esportes, a tônica geral é da trapaça e da anti-desportividade. Não é raro vermos dirigentes sabotando vestiários de equipes adversárias ou apoiando (senão patrocinando) eventos como estouro de foguetes sobre concentrações "inimigas", bem como jogadores tentando enganar o juiz (o eterno culpado). Há pouco tempo atrás vimos um técnico de futebol usar de artimanhas nada admiráveis, avisando aos jogadores de um time que este não tinha mais chance de classificação para tal competição, numa tentativa de desmotivar essa equipe (ao invés de tentar motivar a sua). Cito esses fatos, mas tenho certeza de que mais do que isso acontece, o que importa mais é a vitória, o que importa menos é como ela aconteceu.

Eu mesmo adoro quando meu time ganha um campeonato ou um jogo. Ficaria mais feliz, entretanto, se no dia após a decisão eu pudesse dizer: "Meu time foi campeão e o time adversário pôde dormir tranquilo na véspera, pôde treinar sossegado antes da partida e teve toda a assistência necessária como time visitante". Isso iria me deixar mais orgulhoso da vitória do meu time. Fazer o contrário seria admitir que minha equipe é inferior e que, apenas através de trapaça eu pude igualar uma situação desigual. Eu não posso pôr tanta culpa no torcedor que joga a pilha ou o rádio em direção ao adversário se o dirigente ou o técnico (ou ambos) são coniventes com o jogador trapaceiro que é "malandro" quando joga no seu time, mas condenável quando está no adversário.

Não sei, talvez a busca da vitória à qualquer custo seja uma forma extrema de competitividade, canalizada de forma errônea (existe gente que não admite perder). Há quem vá dizer que isso faz parte do "folclore do futebol" ou coisa que o valha quando for ele o favorecido, mas irá reclamar quando for o contrário. O torcedor, mesmo o não marginal, deve ser observado dentro de um contexto, se a moral vigente o ensina que a vitória desleal ou ilegal ainda é uma vitória não se pode esperar que o mesmo entenda o contrário, a moral vigente é que deve ser mudada. Não se pode bater palmas para o desonesto para, a seguir, exigir honestidade, no futebol e na vida.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Auto Ajuda

Passei esses dias na frente de um livraria. Na vitrina vários livros. A maioria tratava do mesmo assunto: como vencer, ganhar uma grana e ser feliz. Os populares livros de auto-ajuda. O primeiro pensamento que tive foi: a livraria expõe os livros que são mais procurados ou fazem mais sucesso, de forma que o leitor/consumidor que passa em frente à loja já sabe de antemão que o comércio em questão tem o produto que ele procura. Esse pensamento, admito, foi perturbador: os livros que mais vendem no Brasil são os livros esses. O segundo pensamento que tive, esse mais tardio, foi que o título (auto ajuda) é perfeito, o autor está lá, na pior, sem muito dinheiro, as contas se acumulam, sua esposa não o respeita mais, então o autor decide: vou me ajudar, vou me auto ajudar, vou escrever aí um livro e ganhar um dinheirinho bom e assim voltarei a ser feliz. Totalmente auto ajuda! Perfeito!

Há alguns meses atrás houve uma feira do livro por aqui, é uma coisa comum em várias cidades do país e é claro que existem sempre títulos interessantes à mostra e, os meus preferidos, os sebos todos reunidos. Passeando por lá eu tive o privilégio de dar uma olhada no livro "O Segredo", que é ou foi um grande sucesso no gênero. Eu então abri em uma página aleatória e havia o depoimento de uma pessoa lá, era mais ou menos assim: "Depois que descobri o segredo eu nunca mais tive problema para achar estacionamento. Bastava eu me concentrar e imaginar uma vaga no lugar que eu queria e, invariavelmente, ela estaria lá."

Veja bem a abrangência da coisa, uma coisa poderosa como o segredo usada para coisas simples, mas que fazem diferença no seu dia-a-dia comum, uma vaga em estacionamento. Quem mora em Brasília (ou qualquer outra grande cidade) sabe que isso sim significa felicidade. Isso sim é um golpe de gênio! É claro que não li todo o livro, não sei se "o segredo" promete também riqueza e poder, mas é fato que ele promete uma coisa que as pessoas desejam muito: uma vida mais fácil e menos estressante. Além do mais eu imagino que o tamanho da coisa desejada deva ser proporcional à concentração e à mentalização. De repente "o segredo" até pode te ajudar a ganhar na Megasena, mas imaginar os seis números vencedores (no meio de sessenta, acho) deve ser um feito para um antigo conhecedor do "segredo" e deve exigir um nível de concentração e mentalização muito grande. Mais uma vez, não li o livro, isso é um exercício de raciocínio, mas conseguir uma boa vaga deve ser o nível iniciante para conhecedores do segredo, a megasena deve ser o avançado. Da mesma maneira, estatisticamente é mais fácil achar uma vaga em um estacionamento do que ganhar na loteria. Temos então outro golpe de gênio, se tu conseguiu uma boa vaga após mentalizar o mérito é do "segredo", se não ganhares na loteria a culpa será tua que não te concentrou o bastante, ou seja, estamos falando da velha e boa fé, agora com uma nova roupinha da estação. Sublime!

Agora, existem algumas coisas que eu gostaria de ver. Eu gostaria de ver uma nova tendência mundial e nacional, eu gostaria de ver os livros de "eu te ajudo". Alguma coisa do tipo: "Não depende de ti, magrão, mas de mim. Eu te garanto a felicidade suprema e a riqueza máxima ou então te devolverei todo o dinheiro e tempo gastos. Vou te dar aí uma receitinha e tu só tem que prometer (e depois comprovar) que seguiu à risca e serás rico ou feliz ou ambos dentro de X dias". Isso sim seria algo mágico e inovador, um livro que me diz que eu dependo apenas de mim para ser rico e feliz não me traz nenhuma novidade. Eu quero é depender dos outros, não fazer nada e mesmo assim ser bem sucedido. Auto ajuda? Essa deixa comigo, meu primeiro passo é gastar essa grana do livro em cerveja, pelo menos para mim é mais fácil ter um momento de iluminação graças ao álcool...

Para finalizar lanço aqui o manual "Faça você mesmo sua ajuda escrevendo um livro de auto ajuda":

1 - Invista muito no visual do livro, é o mais importante. Assim como as pessoas, o que mais importa é o que está pelo lado de fora, a capa e a apresentação. Consiga aí um título de Doutor e coloque o PhD antes do seu nome, vai vender como água.

2 - Conte uma história antiga, mas não esqueça de colocar uma nova roupagem e mudar nomes. Fale coisas óbvias, mas faça parecer que isso é uma grande sacada.

3 - Bote toda a responsabilidade do sucesso na sua idéia, mas coloque toda a responsabilidade do fracasso no idio... digo, leitor. Deixe claro que coisas grandiosas levam tempo para acontecer, mas que pequenas coisas podem ser feitas no dia-a-dia para melhorá-lo (use a dica número dois para apresentar essa idéia).


sábado, 8 de dezembro de 2007

Papai Noel

Nessa época do ano eles aparecem, os Papais Noel (estava em dúvida se deveria conjugar o Noel também, transformando em Noéis, mas achei melhor não, o nome continua sendo individual e Noel, mas é mais de um papai, bom, corrijam-me se estiver errado)! Alguns são bastante falsos (considerando-se o estereótipo),barbas postiças ou até mesmo máscaras de plástico, outros são mais parecidos, cabelo de verdade, barba de verdade, uns mais gordos, outros mais magros etc, mas estão eles ali, nos "shoppings", nas lojas, em vários lugares.

Tenho ido ao um shopping por esses dias, vou lá à noite, bem na hora que está fechando e sempre vejo o Papai Noel do local saindo, bermudinhas, camisetinha, uma sacola na mão, mais um funcionário indo embora para casa após um dia duro. Eu ainda não sabia que ele era o Papai Noel, mas no momento em que o vi eu desconfiei, foi engraçado. Outro dia o vi de novo, agora durante a tarde, com seu uniforme de Papai Noel, um garotinho no colo, os dois conversando. Aposto que era a conversa padrão, perguntando se ele foi um bom menino e coisa e tal, interessante. Isso me fez imaginar algumas situações:
1 - Mesmo menino encontra Papai Noel, agora à paisana, na saída do shopping. Ele sabe que reconhece aquele cara de algum lugar, mas não sabe bem de onde. Papai Noel percebe a situação, começa a suar frio, sua identidade secreta está prestes a ser descoberta. Sem pensar muito ele aciona o alarme de incêndio, causa um tumulto no shopping, salva sua identidade, mas é pego pelas camêras de segurança e despedido no dia seguinte. Ele era o Papai Noel de verdade, no final das contas, preso ao sistema ele teve que trabalhar num shopping para sustentar a Mamãe Noel e todos os duendes ou gnomos ajudantes. Quando foi necessário, porém, ele escolheu perder o seu emprego ao invés de acabar com as ilusões e sonhos de um pobre menininho.

2 - Papai Noel sai normalmente do shopping, dirige-se ao ponto de ônibus (uma vez que animais estão proibidos no perímetro urbano) e lá encontra um Papai Noel rival, também sem uniforme. Ambos medem-se com o olhar, mas não se cumprimentam. Um deles começa a conversar com uma outra funcionária do shopping e deixa escapar um "ho-ho-ho", o outro não consegue mais se segurar e ataca, uma briga começa, são separados por uma turma de gnomos ou duendes que estava passando no local. Um deles ainda consegue gritar, ao ser arrastado: _ Impostor!

Duas histórias comoventes. Duas provas de profissionalismo até o fim e amor à camiseta, mesmo sentindo um calor danado, esse é o espírito natalino.


terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Tradução Livre

Posso estar ficando caduco, não tenho certeza se já falei sobre isso, dei uma olhadas nos títulos das outras postagens e como não achei nada lá vou eu falar das traduções que nos acompanham desde criancinha, tão desde criancinha que muita gente vive e morre e talvez não saiba que elas existam. Tem gente que nasce e morre vendo filme dublado na TV (e agora no DVD), que não vai ao cinema e que prefere assim, que já chegam as "leituras" que tinha de fazer no colégio etc.

Vinha eu para o serviço e, por alguma dessas razões malucas da vida, meu pensamento começou a vagar e me lembrei da "Patranha" (que era o Jornal do Patacôncio (que era o rival do Tio Patinhas (que era por sua vez o dono da "Patada"))). Depois de pensar na Patranha e em todo o resto eu acabei me perguntando como seria o nome real disso tudo e acabei chegando a mais ou menos o que está ali, no primeiro parágrafo: o poder de quem julga e decide se vamos saber ou não como se chamam realmente filmes e personagens e todas as coisas ondem a dublagem ou legendas são necessárias. Até vou usar um novo parágrafo.

Veja bem, essas pessoas têm muito poder, essas pessoas nomeiam! Quem nomeia tem um grande poder. Por que você acha que um pai ou mãe tem total poder sobre seu filho? De onde você acha que vem esse poder? Vem do nome! Podes pensar ao contrário também, podes pensar que tamanho é o poder que os pais têm sobre os filhos, tão imenso poder, que eles podem nomeá-los. Quem nomeia uma coisa é quase o dono dessa coisa. Pense nisso, concorde, discorde, mas é fato, quem nomeia controla. Os dubladores, pessoas que colocam legendas, pessoas que escolhem nomes já que não se pode traduzi-los sempre (no caso de filmes) e quase nunca (no caso de personagens), ou seus chefes, quem quer que seja que faça isso, essas pessoas têm poder!

É fato que acho que essas pessoas estavam indo bem até certo tempo. Descobri aqui que o nome original do Tio Patinhas "Scrooge McDuck, se baseia no avarento Ebenezer Scrooge, personagem principal do Conto de Natal de Charles Dickens" (acabei de copiar e colar da Wikipédia). Sei lá, até algum tempo atrás o Ebenezer não era conhecido aí pelos brasileiros. Então alguém fez a pergunta: Que raio de nome daremos a esse pato? Alguém então sugeriu: Que tal Tio Patinhas? E lá ele foi criado. Tio Patinhas é bom (como nome)? Tio Patinhas é ruim? Não sei, mas ele virou Tio Patinhas e pronto e então nos acostumamos a chamá-lo assim. Aqui eu escolhi o Tio Patinhas (para comentar) quase do mesmo jeito que devem ter escolhido seu nome: por acaso.

Mas se você é perspicaz, como imagino que os leitores devem ser, deve ter notado que falei no parágrafo anterior que achava que eles "estavam indo bem". Estavam do verbo "não estão mais". Por que eu digo isso? Porque tenho notado que nossas pessoas, nossos responsáveis por títulos em português andam perdendo uma qualidade fundamental, a imaginação. Se não isso, imagino que as pessoas responsáveis devem ter concluído que o público nacional é muito burro e não vai entender do que se trata o filme apenas com o título, não se interessará e, por consequência, não vai assistir. Ou então eles se aproveitam de um título que fez sucesso e que tinha as infelizes expressões repetidas (ver abaixo) e eles simplesmente as usam de novo e de novo e novamente (para não falar de novo novamente). Observe:

1 - Temos um filme, uma comédia, o protagonista é um guarda, ou cachorro, ou motorista, ou mensageiro ou barbeiro, o nome do filme será: (a) Um (protagonista) muito louco; (b) Um (protagonista) quase perfeito; (c) (Protagonista) por acaso (ou por acidente).

2 - Temos um filme que, na sua língua original chama-se "Testa" e apenas "Testa", uma única palavra. Sei lá, alguém lá deve pensar que sendo composto apenas por uma palavra o título vai mexer com a curiosidade do público (ou simplesmente que a publicidade vai se encarregar disso), mas, mas aqui no Brasil alguém vai achar que ninguém vai se interessar por um filme que tenha apenas uma palavra no título e que, portanto, não seja auto-explicativo, então esse filme vai passar a se chamar "Testa: O espaço entre a franja (de alguns) e os olhos". Ah, agora sim temos um título decente.

Não sei, não quero cair aqui no chavão e nem na hipocrisia, mas eu fico com as pessoas que escolhem nomes para desenhos infantis. Pode ser que as crianças tenham a mente mais aberta ou simplesmente pode ser que elas tenham mais paciência para assistir a algo que elas não sabem muito a respeito e, só então, decidir se gostam ou desgostam. Mas eu prefiro muito mais as traduções feitas para esse público, onde o Scrooge McDuck se chama Tio Patinhas e o Montana Max se chama,vejam só, Valentino Troca-Tapa.


segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Faroeste

Estou aí com uma idéia nova: a volta do faroeste! Minha idéia, porém, tem uma inovação em relação aos faroestes que vocês, pessoas de mais idade, conheceram. Ele se passará no Brasil, no norte do Brasil, pode ser mesmo no Pará, pode ser em outro lugar, mas tem que ser num lugar assim, sem lei. No faroeste, meus amigos, a lei era uma coisa um tanto quanto nebulosa (pelo menos nos filmes, que é onde me interessa). Os lugares até tinham lá os xerifes e tudo o mais, mas a justiça com as próprias mãos era bem aceita, até incentivada. Nesse contexto a lei estava sempre do lado do mais forte e era comum vermos xerifes desonestos e poderosos Senhores de terras e coisa e tal. Esse era o terreno perfeito para o surgimento dos justiceiros, heróis e assemelhados.

Vou dar uma ajuda aos mais novos, uma vez que não existem mais filmes de faroeste, quer dizer, novos filmes de faroeste. Esses filmes foram substituídos por aqueles típicos dos anos setenta e oitenta onde os policiais cometiam tantos crimes e irregularidades quanto os bandidos, iam entrando nos lugares, atirando em todo o mundo, julgando e condenando na hora e todo esse escambau (ver Dirty Harry). Quem viu Cobra também pode ter uma idéia desse tipo de justiceiro com distintivo. Esse tipo de filme (e existiram muitos deles) não passava de um faroeste passado nos tempos modernos, algo que queria dizer: temos que fazer o mesmo jogo sujo dos bandidos se quisermos vencer, a lei e a ordem são coisas relativas. Esse modelo até serve para o Brasil*, mas eu acho que o faroeste descreve melhor a situação, vejam bem:

Geralmente o que acontece nesses lugares remotos, onde o século XX ainda não chegou (quem dirá o XXI) é algo muito parecido com o que acontecia lá nos idos do guaraná com rolha no Texas ou qualquer lugar que o valha. Observe: 1 - Apesar das cidades terem Prefeitos, Polícia e tudo o mais, todo mundo sabe quem é que manda de verdade. Essa pessoa é temida e respeitada, possuindo os capangas ou jagunços, assim como acontecia lá no "far west"; 2 - Como tem uma pessoa que manda (um grupo, que seja), a Legislação Federal não tem muito valor (à exceção quando serve aos interesses dos manda-chuvas), assim como o Texas lá tinha sua própria lei e era autônomo em relação ao resto do país. Se isso tudo é verdade, também é verdade que existem alguma coisa de "Dirty Harry" no Estado do Pará onde cada pessoa parece seguir seu próprio código moral e o certo e o errado fica por conta de cada um (exemplo: uma adolescente presa por um mês com vinte homens por suspeita de furto e por não possuir carteira de identidade).

Daí então essa minha idéia: Um faroeste moderno, passado no Estado do Pará, com um nome forte como "O Bom senso morre ao por-do-sol" ou "Vinte homens e uma ninfeta" ou "Justiça, teu nome é desconhecido". É claro que nessa história o mocinho vai morrer logo no começo, para aprender a ficar quietinho ou vai trocar de lado que ele não é bobo nem nada. Ah, e no final alguém ia sugerir uma CPI por que é impossível ver assim, a olho nu, que alguma irregularidade foi cometida. Acho que ia fazer sucesso.

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* Brasil é um nome muito pequeno e portanto não bom o suficiente para descrever esse lugar onde vivemos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Pode, não pode

Você com certeza já viu essa, a cena é a seguinte: qualquer jornal de qualquer horário em qualquer canal mostra um bando de camelôs correndo, outros enfrentando os fiscais e a polícia, algumas pessoas dando entrevistas a favor de A, outros a favor de B, aquela confusão, o chefe ou responsável pela fiscalização avisando que essa será a rotina nos próximos dias, os ambulantes somem por uns tempos, mas eventualmente acabarão voltando, quando as coisas se acalmarem. Citei o exemplo dos camelôs, mas poderia trocar por qualquer outro exemplo em que houvesse a palavra fiscalização ou então a expressão cumprimento da lei e é disso que quero falar: a tônica nacional do não pode, pode, não pode.

Somos um país com leis, a maioria das pessoas sabem o que é proibido fazer, mas existem várias, pelo menos algumas coisas que as pessoas fazem mesmo assim, diante dos olhos de todos, autoridades inclusive, há a conivência de todos... Até tal dia. Tal dia, sem mais nem menos alguém lembra: "vem cá, não é proibido vender mercadoria sem pagar ICMS ou todas as outras taxas e tudo o mais?" Nisso alguém imediatamente concorda e então uma operação é iniciada e os infratores são caçados, presos e (ou) punidos de várias formas e a ordem é estabelecida... Até tal dia. Tal dia todo mundo se esquece que isso ou aquilo é proibido e tudo volta "ao normal".

Sempre que uma pessoa é pega fazendo algo ilegal, mas que todos fazem, ela fica indignada. Eu não deixo de dar razão para essa pessoa, admito. Pior do que um lugar sem lei é um lugar onde a lei só funciona de vez em quando, ou pior, quando a lei funciona apenas para um e não para os outros. Fica essa balbúrdia, essa confusão, as pessoas não sabem mais o que é proibido, as pessoas ficam furiosas quando a lei é cumprida. A Receita Federal diz que não pode, mas a Prefeitura vai lá e constrói um "Camelódromo" pois os lojistas estavam pressionando, os camelôs estavam atravancando as calçadas, não dá para mandar prender todas essa gente que só está buscando o sustento e também são eleitores, pelo amor de Deus!

Então é isso, dá-se o jeitinho. Vai se dando o jeitinho até uma tal hora. Nessa tal hora o que não podia, mas estava podendo, deixa de poder de novo, arrisca-se enquanto isso...

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

De cuecas

As pessoas não deixam de me surpreender com seus sistemas de valores. Um exemplo disso é a forma como se vestem ou deixam de vestir em diferentes situações como em casa ou na praia. Eu tenho tentado entender, mas não tive muito sucesso até agora. Eu moro em um apartamento, em um prédio que é vizinho de um prédio, minha janela fica de frente para outras janelas, minha sacada fica de frente para outras janelas, minha sacada é aberta e tem uma grande porta de vidro. E eu tenho um modus operandi: gosto de andar de bermudas fora de casa e gosto de andar de cuecas dentro de casa. Minha mulher e eu ficamos muito preocupados de ficar circulando pela casa usando roupas de baixo e eu não sei porquê.

Veja bem, essa minha preocupação, essa preocupação da minha mulher, são normais entre as pessoas: não queremos que outras pessoas aí fiquem nos vendo em trajes sumários a não ser.... A não ser que estejamos na praia, aí tudo bem... Eu não uso sunga, eu sou do tempo do calção de banho e como isso não existe mais eu acabei passando a usar bermudas também na praia e em piscinas, mas sei que uma sunga, por mais que mostre é socialmente aceita em uma praia (ou piscina). Minha mulher usa biquini. Um biquini nada mais é do que uma calcinha acompanhada de um soutien não transparente. Então minha pergunta é: Qual o problema? Porque não temos problemas em ficarmos meio pelados na frente de muitas pessoas estranhas e temos esse grande problema de ficarmos meio pelados na frente de nossos vizinhos?

Possíveis respostas:

1 - Na verdade uma boa parte de nós tem vergonha de ficar com pouca roupa sempre, mas como no sexo acabamos topando ficar parcialmente ou completamente pelados desde que o outro também entre nessa (o tradicional mostre o seu/sua que mostro o meu/minha). Ou seja, ficamos meio pelados na praia porque os outros também estão. Dessa forma, para nos sentirmos mais confortáveis para andar de cuecas em casa basta que os nosso vizinhos comecem a andar semi-nus também. Então é isso vizinho (ou vizinha), se me vires para cima e para baixo de cuecas, fique à vontade e parta para o "peladismo" também, nada de voyerismo aqui, nem sacanagem, por favor, faça de conta que estamos na praia.

2 - Na verdade está subentendido que biquinis e calções de banho (ou sungas) são coisas para se mostrar mesmo, mesmo que muitos dos biquinis mostrem muito mais a bunda que o biquini em si. Da mesma forma está subentendido que calcinhas e cuecas não são coisas para se ficar mostrando por aí, pelo menos para mim e minha turma, mesmo que esses últimos acabem mostrando muito menos de nós mesmos do que as roupas de banho. Sempre fica aquela história de voyerismo e coisa e tal e sempre fica aquele pensamento de querer ver o que não querem nos mostrar. Eu ando de cuecas pela casa porque acho confortável e porque sinto calor, não é para mostrar nada mesmo, então, como não quero mostrar, fico com aquela sensação de estar revelando demais de mim, mesmo que não esteja revelando muito... Sei lá... O ser humano é mesmo um bicho estranho...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A Copa do Mundo é nossa...

... com brasileiro, não há quem possa... É isso aí amigo leitor, a famosa FIFA acaba de escolher o nosso amado país para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014, iurru! Como arrependimento não mata, a primeira coisa que a Dona Fifa fez foi acabar com esse negócio de rodízio de continentes como sede. O Brasil, não se engane rapaz que pula e canta nesse momento, só foi "escolhido" por obrigação e porque também mais nenhum outro país da América do Sul havia se candidatado.

Não vou dizer que não quero ser o desmancha prazeres porque eu quero mesmo, a imprensa ainda não comentou nada disso que está no primeiro parágrafo, todo mundo só quer saber de comemorar, sorrir e se abraçar, nas horas de festa não é muito "patriota" ficar por aí dizendo a verdade, sei lá, não pega bem tentar acabar com a felicidade desse povo tão sofrido e blá blá blá (entenda-se por blá blá blá todos os chavões e hipocrisias de praxe).

Houve de tudo na cerimônia de apresentação do Brasil, teve gente dizendo que o país ficará mais seguro durante e depois da Copa, é claro, a polícia será melhor equipada e esse equipamento vai permanecer aqui, depois do evento, mas isso é o máximo que vai acontecer. A legislação não mudará, os salários dos policiais não mudarão e o tratamento dado a educação também não mudará, assim como todo o resto. Todo mundo sempre repete que a violência é um problema social, todo mundo esquece disso quando convém. Sendo sincero, a Copa do Mundo não resolverá os problemas de segurança do país. Essa previsão é fácil de acertar, aposto que muitos "videntes" a farão no final do ano...

Ainda sobre a cerimônia houve discurso do mais famoso brasileiro no exterior, depois da Gisele Bundchen, o "Mago e Imortal" Paulo Coelho. Esse eu confesso que não entendi... Sei lá, o cara vende muitos livros, mesmo assim eu achei meio sei lá... De repente ele foi escalado porque a Gisele ia apenas ficar fazendo o sinal de paz e amor durante os vinte minutos do tempo disponível para falar e o pessoal podia ficar aborrecido. Não sei, não sei... O Pelé também não foi convidado, também acho que o discurso não ia ser grande coisa, mas foi menos por isso e mais por brigas de vaidades e essas coisas que tornam o nosso futebol profissional tão amador.

Até a Amazônia será melhor preservada depois que a Copa acontecer. Os lenhadores que não têm mais onde trabalhar vão desistir desse negócio e começar a passar fome em prol da humanidade, os empreenteiros inescrupulosos vão decidir que não querem mais lucrar tanto em detrimento da "saúde" do planeta e abrirão um botequim que lhes garantirá o mínimo necessário para a subsistência, os europeus que compram a madeira derrubada e os animais em extinção para deixar os amigos com inveja pararão com isso e todos os homens serão irmãos e cantarão hinos de louvor à vida, se abraçarão e lindos gatinhos fofos ronronarão e todos serão muito felizes.

Sinto muito, nada disso vai acontecer, o que vai acontecer é o seguinte: muita gente vai enriquecer (exagerei, pouca gente vai enriquecer muito); o Brasil vai ganhar vários estádios moderníssimos à custa do quádruplo do valor; o foco dos verdadeiros problemas nacionais vai ser desviado para o que realmente importa (a Copa); os Estados vão começar a brigar pelo direito de sediar os jogos e com isso mais alguém (ou os mesmos vão enriquecer mais um pouco); a Copa vai passar e uma CPI vai ser instalada para averiguar porque se gastou tanto, uma pessoa ou um grupo de cinco serão acusados mesmo que muitos mais estarão envolvidos, mas nada de muito grave vai acontecer com eles; a Copa será um sucesso, alguém vai elogiar o povo brasileiro por ter dado algum exemplo qualquer; vão querer trazer a Olímpiada para cá, tudo começará de novo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Melhores, piores...

Elas volta e meia aparecem, tu estás ali, fazendo nada, abres o Internet Explorer ou o Mozilla Firefox ou qualquer que seja o teu navegador (nunca vou deixar de achar esse nome engraçado, nesse caso, claro, navegador) e topas com uma delas: uma lista dos tantos melhores ou piores coisas de todos os tempos! As piores músicas, as melhores músicas, os piores filmes, os melhores filmes etc. Estou convencido de que muitas das coisas que estão ou estarão ou estiveram ali até são ruins mesmo, ou boas, se for o caso, mas eu sempre fico com a pulga atrás da orelha a respeito. Vejamos:

Em primeiro lugar eu nunca sei quem é que está votando nessas coisas, nunca fica muito claro, vai que quem está votando tem um gosto, por assim dizer, muito particular, vai que essa pessoa acha muito bons todos os filmes do Rambo, não sei... Em segundo lugar eu nunca deixo de notar que entre as piores algumas coisas estão várias coisas que foram sucesso por algum tempo, eu posso estar errado, mas se algo fez sucesso alguém deve ter gostado, mesmo que o troço seja uma droga mesmo, o que não duvido que seja, falar depois que algo já se foi é fácil. Não sei se estão me entendendo, mas hoje dever ser fácil falar que "Festa no Apê" é muito ruim, mas não vi ninguém opinando na época do sucesso da música e várias pessoas tiveram a chance, vários, como se diz atualmente, "formadores de opinião". Em terceiro lugar, eu imagino que a falta de contexto atrapalha muito na hora de votarmos em algo como "legal" e "não legal", veja bem, cabelo, alguns cabelos foram muito legais nos anos sessenta, outros no setenta, e assim por diante, analisá-los agora não é muito justo. Então listas a respeito de todos os tempos são coisas para não se levar muito a sério, mas tem gente que leva...

Outras listas que não podem ser levadas a sério são as "mundiais". Estou lendo aqui que a Juliana Paes foi eleita a mulher mais sexy do mundo por uma revista nacional, seguida por Camila Pitanga, a cantora Sandy, Ivete Sangalo, Gisele Bundchen, Cláudia Leitte, Íris Stefanelli, Grazi Massafera, Alinne Moraes e Natália Guimarães (fonte). Quer dizer, alguma coisa se perdeu aí em algum lugar, ouvi falar que existem aí, mulheres, em outras partes do mundo, dez brasileiras entre as "top ten" dá a essa lista alguma coisa de "não oficial". Algo aí me lembra dos americanos, só eles jogam o Futebol Americano e eles realizam o Campeonanto Mundial! Não é nem Nacional, é Mundial mesmo, sei lá, eu acho que eles podiam tentar o Universal de uma vez, se o pessoal do espaço não aparece por aqui mesmo, pelo menos não como um time , o Campeão Nacional seria o Campeão Universal por W.O. (do inglês walkover).

É verdade, essas listas são feitas, na maioria, apenas como fonte de diversão, o resultado não importa muito, desde que não seja levado a sério, o problema é que geralmente elas são levadas a sério. Cuidado então, isso acontece bastante, com a intenção de divertir, muitas vezes, com a intenção de opinar por ti, não apenas em relações a músicas, filmes ou coisas do tipo, mas idéias, propostas e valores, preste atenção .

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

As bactérias vêm aí

Tenho observado, ultimamente, uma certa tentativa de algumas pessoas, das do tipo que querem tirar o nosso dinheiro, de me e nos convencer do grande perigo que as bactérias representam. Eu já vi um sabonete, já vi uma escova de dentes e já vi uma máquina de lavar roupas que são bactericidas e aposto que vem mais coisa por aí...

Tudo isso me deixou preocupado e me levou a pensar: Que tipo de gente é essa que tem tanto medo de bactérias? Sim, imagino que existam algumas pessoas que se preocupem com isso, já que empresas investem em comerciais e tal e coisa, deve haver algum mercado para esse tipo de produto, o pessoal que sofre de bacteriofobia (que imagino serem os mais radicais) não deve ser tão numeroso assim, logo eu estou achando que os clientes são pessoas "normais" que resolveram se preocupar com as bactérias, já que devem ter poucas preocupações na vida.

Seguinte, vou ser curto e grosso: "são uns baitas duns bundinhas!" As bactérias estão e sempre estiveram por aí, pelos menos essas que esses produtos aí prometem acabar. Elas são necessárias. São elas que vão te comer quando tu morreres e fores enterrado. Imagino que terão ajuda de outros "bichinhos", é claro, mas elas vão fazer o serviço sim. Então, se tu estás vivo deixa de ser frouxo e aguenta as bactérias que estão caminhando aí em cima de ti no osso do peito e vai procurar outra coisa para te preocupar.

Quem teve infância sabe do que estou falando. Eu me criei jogando bola de pés descalços, meus dedos (dos pés) sempre sem as pontas porque sempre chutava o chão (era ruim de bola mesmo), a bola caindo em esgoto à céu aberto, eu chutando e nenhuma bacteriazinha nunca fez nada para mim, estou aqui, belo forte e com noventa e quatro quilos. Imagino que se uma bactéria poderia me arruinar seria uma daquelas que devem ter subido pelos meus pés, nada me aconteceu. Agora, uns bundinhas vão dizer que as bactérias de antigamente não eram de nada, só comiam marmelada. Pois eu retruco que se as bactérias estão mais fortes hoje é por causa dos próprios bundinhas que ficaram usando bactericidas e forçando-as a ficarem mais resistentes. Ou seja, era bunda-molice lá e é bunda-molice cá. Francamente...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Tampinhas

Sou do tempo em que os prêmios vinham mesmo nas tampinhas. Quer dizer, dizia-se que vinham. Eu mesmo ganhei apenas uma vez, outra Coca Cola, e isso foi há um ano atrás. Não foi um grande prêmio, é verdade, mas eu comemorei muito porque nunca havia ganho antes e já estava com trinta anos. Nunca fui um grande bebedor de Coca Cola ou Pepsi (para não dizer que não falei na concorrente e que esse blog protege esse ou aquele (falando nisso, gostaria de saber quando a Pepsi deixou de ser Cola, eles tiraram o Cola sem fazer alarde e os menos detalhistas nem perceberam)), mas nunca havia ganho e sempre achei que tudo não passava de uma grande "fria" (como diria minha mãe) já que nunca conheci ninguém que tivesse ganho também, nem nunca ouvi ninguém falar de alguém que ganhou.

Tudo bem, o que quis dizer na primeira frase, antes de sair divagando e desviando do assunto é que antigamente tu só tinha que comprar um refrigerante lá, ou um picolé e pronto: poderias ganhar um patinete ou um walk-man ou qualquer uma dessas coisas modernas do passado, bastava ter o prêmio ali na tampinha e deu para a bola. O máximo a que se chegava era o juntar tantos rótulos de tal coisa ou tantas tampas de margarina e enviar para a caixa postal número tals, mas isso dava muito trabalho e eu nunca fiz, o único esforço que eu fazia, o máximo de trabalho que eu admitia ter era olhar para o palito de picolé ou examinar a parte de dentro da tampinha. Ganhei? Tente outra vez? Boa noite.

Mas então surgiram os celulares e com eles milhares de novas formas de tirarem o nosso dinheiro e nada foi mais como era (dramático né?). Atualmente acontece o seguinte: compras o refri, abres a garrafa e encontras um código longo e complicado dentro da mesma, então pegas o teu celular e digita o código contendo um milhão de caracteres (todos sabem como é gostoso digitar no celular), logo depois envias para o número informado no comercial, pagando uma taxa por isso, é claro, pois nada nessa vida é de graça. Uma alternativa à essa última é ir para o computador, entrar no site da dita empresa, aturar muito comercial e então digitar o tal do código lá num cadastro, tomando cuidado para desmarcar ali o quadrinho pequeno e no final da página onde autorizas o pessoal a te mandar em torno de cinco mil e-mails por dia.

Qualquer uma das hipóteses não são boas o bastante para mim. Eu calculo as probabilidades de ser eu o premiado entre os milhares de idio... participantes que enviaram seus códigos, eu calculo as probabilidades das empresas de telefonia ficarem mais ricas do que estavam antes da "promoção" ocorrer, eu calculo as probabilidades dos prêmios oferecidos serem ínfimos se comparados aos lucros que as empresas têm as minhas custas, eu comparo a primeira com as outras duas e ela perde de longe, eu não perco meu tempo. Dessa forma eu peço, parem de me dizer que vão me dar carros, motos, aviões, submarinos, voltem a me dar refrigerantes geladinhos e na hora, parem um pouco de tentar pegar o meu pobre dinheirinho por todos os lados e, principalmente, parem de me tratar como imbecil porque não sou (tanto).


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Esmalte

As mulheres gostam de usar esmalte. Algumas gostam mais e outras gostam menos. Elas fazem isso para ficarem ou se sentirem mais bonitas. Elas pintam as unhas das mãos e dos pés. Eu não gosto (geralmente, depois ficará mais claro), assim como alguns homens e vou dizer porque:

Em primeiro lugar, eu acho que um esmalte vermelho (o preferido das mulheres, mais escuro, menos escuro, mas sempre vermelho) vai muito bem com um belo vestido, um cabelo bem arrumado, uma maquiagem, uma produção. Aí tudo bem. Acontece que as mulheres (em geral) pintam as unhas para alguma ocasião e depois seguem usando (mulheres tendem a valorizar mais o dinheiro que os homens) com aquele moletom velho, a "roupinha de andar em casa", a malha de ir na academia. Então o troço fica broxante. O que era para ser bonito e sensual acaba virando um sinal de pão-durisse ou preguiça ou ambos. Porque é impossível que elas olhem para aquelas unhas vermelhas e não percebem que alguma coisa está fora do lugar, ou as unhas ou o moletom carcomido, um deveria partir.

Quando falamos das unhas dos pés a coisa se complica. Existem homens que gostam de pés, existem homens indiferentes. Faço parte da segunda categoria, não me importo muito com os pés, desde que sejam humanos já está bom para mim. Prestem atenção que até aqui só estamos falando de pés, simplesmente, sem tinta nas unhas. Com esmalte nas unhas as coisas se complicam ainda mais. É fato que muitas mulheres têm os pés feios. Eu não me importo, já falei, mas simplesmente eu não entendo como algumas mulheres tentam chamar a atenção para seus pés horríveis pintando as unhas dos mesmos. Aí o negócio ultrapassa o nível da broxura causando enjôos e náuseas, pelo menos para mim... Tu olha para baixo, há uma cor berrante ali, chamando a atenção, é um pé feio, não cabendo na sandália de salto alto, todo empoeirado e com as unhas todas vermelhas, ugh, argh, por favor... Unhas dos pés pintadas sempre me passam uma idéia de sujeira. Uma situação ideal e aceitável seria a produção descrita lá em cima, mais pés bonitos, mais um ambiente totalmente acéptico ao redor da mulher em questão. Algo que deve ser difícil de acontecer.

Estou me lembrando aqui da música do Dorival Caymmi: "Marina, morena/Marina, você se pintou/Marina, você faça tudo/Mas faça um favor/Não pinte esse rosto que eu gosto/Que eu gosto e que é só meu/Marina, você já é bonita/Com o que deus lhe deu...". Não sei as razões do autor de "Marina", talvez sejam, tenho quase certeza que são, diferentes das minhas. Se tivesse o talento dele eu escreveria uma falando das unhas, tentando rimar moletom e broxura, unhas dos pés e ânsia de vômito...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Presentes

Existem algumas ações e reações que definem a nossa humanidade, quero dizer, as temos porque somos humanos e deixaríamos de ser se não as tivéssemos. Uma dessas ações e reações está relacionada com o hábito de presentear. Presentear é um ato humano. Não sou um especialista em comportamento animal, mas nunca vi no Discovery uma formiga presenteando outra, ou uma abelha, ou um rinoceronte ou elefante. Afirmo então que presentear é humano, para o bem desse texto.

Se presentear é humano, algo muito mais humano é não gostar do presente. As pessoas são complexas. Podemos conhecer uma pessoa há séculos, mas sempre vamos ter dúvida na hora de escolher um presente, nunca saberemos do que ela gosta realmente, é estranho. Minha mulher parece nunca saber o que vai me dar de presente. Talvez seja a vontade de agradar que atrapalhe, talvez seja o desejo de dar o melhor presente possível, existe sempre esse temor. Isso é muito humano, presentear, ter medo de errar no presente, errar no presente.

Muito mais humano que essas coisas todas, porém, é o ato de não gostar do presente! Muito mais humano que não gostar do presente é a necessidade de não magoar os sentimentos do presenteador. "Olha só, um saca-rolhas com o rosto do Maluf esculpido no cabo! Era justamente o que eu queria!" E o saca-rolhas vai direto para a gaveta e nunca mais será usado. "Veja querida, justamente a camiseta que eu ia comprar, com a frase 'Bebo todas, não importa a marca'! Muito obrigado!" E você não usa a camiseta nem para dormir... É assim, humano, como disse o Nietzsche, demasiado humano.

Minha pergunta é: Por quê? Por que não podemos simplesmente falar a verdade? Por que não podemos ir lá trocar a maldita coisa que uma pessoa querida nos deu? Por que temos de esconder o fato de termos trocado o dvd dos Inimigos do Rei por um realmente bom? Não era a intenção do presenteador nos fazer felizes? Ele não queria que gostássemos e aproveitássemos o presente? Não era essa sua intenção?

Não sei... Não sei... Eu já ganhei mais de um presente que eu simplesmente odiei. É aquele balde de água fria. Seria até preferível presente nenhum, porque agora tu terás um problema. Vais ter que usar, eventualmente, o saca-rolhas com a cabeça do Maluf, a camiseta 'Bebo todas', era preferível o nada. Eu imagino também que já devam ter odiado algum presente que eu dei, mesmo achando uma grande idéia na hora. Ninguém nunca falou a verdade quando ganhou um presente e não gostou, nunca!

É é por isso que eu dou toda a razão para as tias, ouvi dizer que os avós tendem a fazer isso também, mas meus avós morreram quando eu era novo. Mas as tias sim, essas é que têm vivência e tarimba para saber qual o verdadeiro presente para dar: dinheiro! Esse não tem como errar. É claro que vão aparecer uns exigentes e receberão Reais quando gostariam mais de Dólares, mas esses são uns ingratos."Toma aí esse dinheiro e compra o que quiser com ele." Isso sim é frase de quem quer ver os outros felizes. Dinheiro! É isso aí amigos e todos aqueles que querem me fazer feliz e, principalmente, não errar, dinheido no meu próximo aniversário, aí se eu quiser a camiseta divertida ou o saca-rolhas eu mesmo compro.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Aristocracia e Saudade

Eu acho que finalmente entendi o que a Aristocracia queria dizer. Acabei de ler lá o "Retrato de Dorian Gray", cheguei na garagem do meu prédio e vi o carro de um vizinho e essas duas coisas me fizeram entender o que os Aristocratas estavam tentando dizer esse tempo todo. Não perca!

Há algum tempo atrás, menos nos tempos atuais, mas ainda vivo, existia tal costume: Alguém de uma família nobre ou antiga, que teve ou ainda tem algum dinheiro e/ou terras, perguntar à pessoa a ela apresentada o seu respectivo sobrenome e/ou origem. Isso é, talvez eu deva usar aqui o era, algo muito irritante para uma pessoa assim como eu, que não vem de uma família aristocrata e rica.

Muitas das famílias com nomes tradicionais, é sabido, não possuem mais a riqueza que tiveram outrora, mas elas tentam manter aquela pompa como já mostraram algumas novelas (no tempo que eu via novelas, admito, já vi sim) e como mostra, eventualmente, a vida real. Isso costuma irritar o público popular, aquele jargão, come feijão e arrota caviar e etc. Mas eu quero dizer aqui que a Aristocracia tem razão.

Veja bem, a Aristocracia não era definida pelo dinheiro que possuía simplesmente, o dinheiro era importante, mas não era o mais importante. O refinamento, o bom gosto e, mais importante, a discrição eram as qualidades mais importantes de um aristocrata, o dinheiro era um acessório, uma coisa óbvia que vinha junto com o resto, ninguém se preocupava com ele.

Então o mundo começou a mudar, algumas pessoas começaram a ganhar dinheiro, pessoas que não tinham um sobrenome de respeito, os populares novos ricos. Os novos ricos vinham de famílias honestas, trabalhadoras, tenazes, com inúmeras qualidades, mas com um grande defeito. Eles costumavam comer de boca aberta, não saber que talher usar e outras gafes que podem até parecer (e ser) idiotas, mas eles foram longe demais!

O carro de um dos meus vizinhos é um carro que eu não posso pagar, nem eu nem a maioria, acho que é um BMW, um carro grande, esportivo, grande, bonito, mas é um carro de um novo rico (ou novo classe média alta, mas tu entendeu). Como é que eu sei? Esse carro tem um adesivo no pára-choque. Esse adesivo contém a frase: "Aqui nóis trepa". Aqui nóis trepa...

Era isso! Era isso que a Laurinha Figueroa queria dizer quando odiava a, se não me engano, Maria da Sucata. A Maria da Sucata (que o nome deveria ser Maria do Carmo) tinha lá o que a Laurinha não tinha, dinheiro, mas a Maria da Sucata não tinha nome, não tinha história, não vinha de uma linhagem nobre ou aristocrata. A Maria da Sucata iria comprar uma BMW (ou qualquer outra dessas marcas), ela iria colocar um adesivo de extremo mal gosto, ela iria colocar o som no último volume tocando um funk escrito por um analfabeto, ah ela iria.

Entenda-me meu caro leitor, esse texto não é a respeito de dinheiro, não é a respeito de nome, não é a respeito de nada disso. Eu tenho certeza que existe muita gente "sem nome" por aí que é um grande aristocrata, que como falei no começo do texto, não estava nem aí para o dinheiro. Esse texto é sim, uma ode ao bom gosto, à discrição e à cultura. A aristocracia esteve sempre certa... E não pense que a Aristocracia não trepa, deve trepar muito mais que muito plebeu, mas eles não fazem alarde, fazem isso com discrição.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sociedade, humanidade...

Eu não sei se você já viu, é uma dessas animações (antigos desenhos animados) já meio velhas, não sei se é o "Formiguinhaz", mas tenho quase certeza que é, não interessa, a mensagem é que interessa. Nessa animação uma das formigas descobre ou decide que é um indivíduo, assim por dizer, individual, e que vai tomar as suas próprias decisões, que vai começar a pensar por si só e azar, o resto do formigueiro que se exploda. É uma mensagem bonita e tals, as pessoas (formigas são apenas metáforas) devem mesmo ser capazes de pensar por si mesmas, uma redundância, admito, devem aprender a pensar e ponto final. Entretanto, talvez, quem sabe, esse pensamento tenha ido um pouco longe demais e de uma forma um tanto quanto distorcida, na prática.

Veja bem, não acredito que as pessoas pensem muito. Existe um movimento "Maria vai com as outras" (as Marias que me desculpem, mas é só uma expressão, algo como "Maria chuteira", talvez porque Maria era um nome comum antigamente, antes das Kathlens, Thamys, Tifannys e tudo que tenha muito "y" e muito "h", saudade desse tempo, ninguém tinha que falar seu nome e soletrar depois...) muito grande no Brasil, no mundo, o jornalista dá uma notícia, a notícia vem seguida de uma opinião, o público não tem que pensar, é uma maravilha, é muito fácil ter alguém para pensar pela gente. Quero dizer que pensar é bom, pensar mesmo, debater e concluir, mas me desculpem porque a redundância é necessária agora, pensar por si mesmo é diferente de pensar em si mesmo, e era aí que quero chegar.

É consenso geral que as pessoas vivem em sociedade. Eu não sei não... Eu acho que as pessoas mais vivem juntas do que vivem em sociedade. Talvez famílias, amigos e pessoas próximas em geral vivam. Elas colaboram, elas interagem, elas pensam no bem alheio (definição de sociedade não é uma coisa trivial, mas minha idéia é essa), mas isso pára (parece que a reforma da Língua Portuguesa vai acabar com o acento do pára (do verbo parar) que o diferenciava do para (preposição) sem acento, vou sentir falta dele) por aí, não vai muito mais longe. O resto das pessoas vivem perto, emboladas, amontoadas, mas uma coisa que cada vez mais raramente acontece é o aparecimento do espírito de sociedade.

As formigas vivem lá, num formigueiro, um formigueiro é uma cidade de formigas, algumas vão ser operárias, algumas vão ser soldados e etc, é claro que formiga não pensa, mas elas sabem que uma formiga só não faz verão, nem formigueiro, nem novas formiguinhas, nem nada, não existem formigas eremitas bem sucedidas na história das fomigas. Isso é uma sociedade (na minha concepção) seres vivendo juntos, com alguma vantagem para todos, onde todos têm o seu papel e o interesse comum está acima de tudo.

O que acontece no Brasil, o que acontece nas grandes cidades é uma coisa um tanto quanto diferente. O filme "Formiguinhaz" fala de individualidade, algo louvável, vivemos a época do individualismo, algo que pode soar parecido com individualidade, palavras com a mesma raiz, mas pode-se dizer que a segunda é uma distorção da primeira, algo como os irmãos gêmeos malvados das novelas e filmes. As pessoas não querem saber. O bem comum, em detrimento do bem social, é a realidade. Eu posso levar vantagem, eu levo. Isso vai prejudicar a terceiros? Não me interessa! Todo mundo quer o meu fígado e eu quero o fígado de todo o mundo. Quero todas as vantagens possíveis. Essa é a tônica, não sei se foi sempre assim, talvez tenha sido, me parece que agora é mais. A humanidade é individualista, vivemos no meio de outras pessoas apenas porque temos vantagens, é parecido com as formigas nesse ponto, mas é diferente, sobreviveríamos isolados, ao contrário das formigas, aturamos uns aos outros porque é bem melhor, mas se pudéssemos ter tudo o que temos (bens materiais e confortos) e explodir os que estão ali nos atrapalhando faríamos sem pestanejar.

Observe que estou usando o nós, não estou me excluindo dessa. O homem é um ser social forçado e falso, alguns mais, alguns menos. Inclusive, talvez, o fato de uma consciência de que um pouco mais de preocupação com os outros seja um maneira de ter um maior ganho pessoal, em forma de uma qualidade de vida melhor, algo que entendo como verdade, seja nada mais do que um ato egoísta e individualista. Quero que todos os outros comecem a se respeitar e pensar mais na felicidade alheia para eu mesmo me aproveitar disso, mas o que possoa fazer? Sou humano e individualista, assim como tu és.


sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Voar

De todos os poderes que os super-heróis e os seres fodões têm, o que eu mais gostaria de ter é o poder de voar. Sempre falo isso para a minha mulher, a coisa que mais gostaria de ter é uma mochila voadora. Não daquelas que usaram uma vez no carnaval, onde o cara vai pendurado, em pé. Queria ter um dispositivo que me permitisse voar que nem os super-heróis clássicos, tu sabes como é, "deitado" de bruços no ar, os braços para frente (ou cima, depende de onde estás olhando), as mãos fechadas. Poderia até abrir mão das mãos para frente, poderiam até mesmo ser para trás, com os braços juntos ao corpo, existem alguns heróis que voam assim, acho que são os heróis mais "style", não sou um cara "style", sou mais "old fashion", mas para poder voar até me contentaria com os braços para trás... Seria legal...

Imagina só. Aquele dia em que tu acorda com fome, perto do meio-dia, naquelas vezes que tua fome empata com a tua preguiça, queres comer, não queres cozinhar, mas estás com preguiça de sair para comer. Tu espia pela janela do teu apartamento, aquele calor lá fora, aquele mormaço, o carro lá embaixo na garagem, longe, mesmo indo de elevador, mesmo descendo, chato. Não tem problema nenhum, tu decides ir voando, vai até a sacada, estica os braços acima da cabeça e sai voando para o seu destino. Abaixo de ti tu podes ver a enorme quantidade de infelizes que precisam andar, dirigir, pedalar, tu olhas para aquele trânsito intenso, automóveis parados em sinais e tu passando por cima de tudo, lindo! Chegas até o restaurante, não precisas procurar lugar para estacionar. É só pousar na calçada, pronto, indolor.

É verdade que existem alguns outros poderes que seriam legais de ter. Aposto que em outra época eu teria preferido poder ficar invisível. Na adolescência, por exemplo, onde a gente tem um único poder, o de ser ridículo, eu gostaria de poder ficar invisível, não para parecer menos ridículo, porque naquela época eu me achava legal, acreditem, mas para poder entrar no lugar mais secreto e excitante que pode existir para um adolescente: o vestiário feminino! Sabe como é, mulher pelada ou com pouca roupa para mim era raro, tirando "Playboys" e praias eu não tinha muita chance, para não dizer nenhuma. Atualmente eu não acho que ficar invisível me serviria muito, não poderia tirar muita vantagem disso, ficar invisível seria mais útil a quem quer ser um ladrão, quem sabe, a um justiceiro, talvez, a um bisbilhoteiro, esse sim, mas eu confesso que não tenho vocação nem tempo para isso, sou um cara prático.

Outro poder que seria legal é o de se teletransportar, mas esse seria o exagero da preguiça. Que fique claro, preguiça tudo bem, mas sem exageros. Além disso eu iria perder o visual da "viagem" e a chance de ver o pessoal engarrafado e ficar mais feliz de não estar ali. Iria, sei lá, perder a noção da realidade, a vida ia parecer muito fácil, isso é sempre perigoso. Outra coisa seria o problema da privacidade, não minha, mas dos outros, imagina eu me teletransportando aí para o quarto ou a sala de alguém, eu poderia demorar um pouco para controlar os meus poderes, quem sabe o que as pessoas fazem quando estão sozinhas... Não seria legal...

Voar sim, voar seria massa, voar seria tri, seria tri massa... Se um dia o diabo me oferecer alguma coisa eu vou escolher o poder de voar. Vou até colocar uma capinha e tudo o mais... Voar... Isso sim é poder...

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O Estado Revida

Parece nome de filme né? Muita ação, muita pancadaria, quem sabe o Steven Seagal ou até mesmo o Chuck Norris ou os dois juntos, dando tiros e sopapos em bandidos e coisa e tal. Não, não se trata de um filme, mas de uma manchete de uma notícia que acabei de ler ali no Terra: Rio, secretário prometer revidar ataque contra trem.

Eu admito que me assustei quando vi a manchete, fiquei preocupado, não acreditei que um secretário de Segurança Pública pudesse estar prometendo revide contra bandidos. Revide, no meu ponto de vista, não é papel do Estado, não contra bandidos. Revide pode ser papel de todo mundo, eu posso revidar, tu podes revidar, até mesmo o Estado pode revidar, contra outro Estado, por exemplo, mas contra bandidos? Alguma coisa está errada aí.

Então, após ler a manchete eu fui lá ler a reportagem e pude ler que não foi bem isso o que o Estado falou, claro que o Estado propriamente dito não fala, mas a voz de um representante seu não deixa de ser sua voz. O que o secretário falou está lá, leia você. Isso é menos pior do que poderia ser, quer dizer apenas que a autora da reportagem não sabe muito bem qual o papel do Estado, não escuta muito bem ou então apenas queria uma manchete de impacto, ou tudo isso junto, vai saber.

Mesmo assim o "troço" é meio preocupante. Se alguém no mundo acha que quando o Estado faz alguma coisa é por puro revide, algo do tipo: "Olha só gurizada, tudo bem traficar, roubar, matar o cidadão. Agora, se forem atirar contra um trem carregando "gente nossa", aí vamos ser obrigados a revidar." Se alguém acha que isso é normal, e parece-me que a autora da reportagem acha, então temos um problema. O Estado tem que ir atrás desses caras porque é ilegal ficar atirando aí contra trens, quem quer que esteja dentro. O Estado tem que fazer com que as leis sejam cumpridas. O Estado não revida, não pode, não contra bandidos, por favor.

Não entendi muito qual foi o objetivo dessa reportagem, na verdade eu acho que o objetivo é o mesmo de muitas, encher um pedaço de papel ou de tela de computador. Existe ali um "link" para a reportagem principal, aquela é uma notícia, os caras atiraram num trem contendo ministros. Essa aqui podia estar dentro da outra. Se tivessem entrevistado o Secretário e o mesmo tivesse dito: "Olha, o Estado vai parabenizar os bandidos", isso sim seria uma notícia nova. Noticiar o óbvio, colocar uma manchete falsa, isso eu também posso fazer...


sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Wash my car

Estava vendo televisão esses dias. Passava da meia noite e tals e estava dando lá no Multishow o Sexytime, fiquei vendo um pouquinho por dois motivos, porque ia aparecer alguma mulher pelada e nós homens, admito, não resistimos a uma espiadela que seja em mulheres peladas e também em honra à minha adolescência, onde não existia a internet e sua quantidade infinita de mulheres peladas, meu irmão é que é um sortudo (também não sei, os adolescentes hojem vêem mais mulheres peladas que viam os do passado, acho).

Bom, não é isso que ia falar. Ia falar sobre o "tema" que alguém escolheu para tentar me excitar: uma mulher, com pouca roupa que ia sendo tirada, lavando um carro, fazendo caras e bocas, parecendo muito excitada ao fazer aquilo, muito mesmo, excitada demais! Mas o pior de tudo é que não é a primeira vez que isso acontece, eu já vi mais de um clipe, ou comercial, ou filme, onde esse mote é usado, é ou não é? Baseado nisso estou tentando bolar algumas teorias a respeito do assunto:

1 - A maioria dos homens gosta muito de mulheres. A maioria dos homens gosta muito de carros. Alguém deve ter pensado: "Vamos atrair a atenção desses homens duplamente, botando essas mulheres seminuas lavando carros. Será um sucesso!"

Bom, é claro que o troço é um sucesso, já que é repetido à exaustão, mas eu aposto que se botassem uma mulher seminua ou nua lavando uma janela ou um tapete ia dar no mesmo. Os homens não estão olhando aquilo para ver o carro. A gente gosta é de mulher, o carro, para os solteiros e, bem, alguns casados, é só uma forma de conseguir mulher e, no momento seguinte vê-la pelada...

2 - A maioria dos homens gosta de mulheres. A maioria dos homens é mimada por suas mães que fazem tudo por eles. Alguém deve ter pensado: "Vamos excitar esses homens mostrando o que, na cabeça de muitos, deva ser uma mulher ideal: bonita, desinibida e que sente um prazer erótico ao lavar carros. Pense bem, você poupará as preliminares e ainda terá seu carro limpinho depois do ato consumado. Excelente!"

Bom, esse raciocínio é muito complexo. É claro que quem o teve não tinha, ao seu alcance, nenhuma mulher pelada. Homens não costumam raciocinar quando estão vendo uma mulher pelada, é uma espécie de torpor mental que toma conta e tals... Difícil. Eu mesmo, para bolar essa teoria número 2, tive que desligar a tv e esperar vinte e quatro horas. Mais uma vez, gente, não é o carro, não é o carro... Não para mim, pelo menos, mas não duvido que algum lugar alguém esteja vendo uma cena do tipo e esbravejando: "maldita perua, tapando minha visão do carro".

PS.: O "Wash my car" é porque a idéia desse tipo de vídeo parece ter se originado nesse país chamado EUA.

sábado, 25 de agosto de 2007

Edição Extra, o Aniversário de Sasha Ou os falsos ou burros ecologistas

People! Gentem! A Sasha fez nove anos! Parece que foi ontem que a "Vossa Rainha" (minha é que não é) estava para parir, ou, como dizem os antigos antepassados dela, um povo muito grosso conhecido como gaúchos, prenha. Pois é, nove anos depois que a "Vossa Rainha" emprenhou chegou a hora de comemorar a festa. Com muito funk, diga-se de passagem, conhecido por suas letras apropriadas para crianças. Fico me perguntando se alguma vez tocou o sucesso "Dako é bom".

Segundo o site Gente & TV do Terra, olhem que lindo: "A lembrancinha de Sasha aos convidados é uma muda de ipê com um bilhete escrito pela aniversariante que incentiva o plantio de árvores. "Eu quero plantar uma árvore todo final de semana, e você??? Plante também. Só a gente pode mudar o mundo", dizia o bilhete."

Entretanto, antes dessa linda mensagem ser noticiada, a mesma reportagem informou que o Pai (ou o Plebeu), a Vossa Rainha e a Vossa Princesinha chegaram cada um em um carro diferente, algo muito chique e com muito "glamour", é claro. Porém, eu gostaria de lembrar que uma forma de "salvar o ambiente" ou a, essa é pieguíssima, "mãe natureza" é justamente a economia de combustível e (ou) energia. De repente teria mais efeito prático (embora eu duvide que seja essa mesmo a intenção) plantar menos arvorezinhas e virem todos no mesmo carro. Não estou falando nem em pegarem um buzão, que isso não fica bem para Rainhas e Princesas, né?

Então, ou a Vossa Rainha não está ensinando a Vossa Princesinha muito bem como salvar o planeta, ou a Vossa Rainha não faz muita idéia de como salvar o planeta ou a Vossa Rainha e a Vossa Princesinha estão defecando para o planeta e só querem é faturar. Agora é hora telespectador, você decide: Burrice? Falsidade? Quem vai saber...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

O hormônio da burrice

Me surpreendi quando lembrei que não havia escrito nada a respeito disso. Até voltei e dei uma procurada nas postagens antigas, não achei nada, incrível! O assunto que quero tratar aqui, o comentário que quero fazer é... Eu nunca sinto pena de uma pessoa que morreu fazendo uma coisa que todo mundo sabia que era perigoso. Nem dessa pessoa, nem dos familiares que aparecem chorando e lamentando após a morte. Não sinto, pronto, lamento, mas não dá.

Fulaninho morreu congelado na metade do Everest, estavam subindo, houve uma tempestade de neve, eles ficaram presos, não foi possível se fazer um resgate. Bem feito! Por que não ficou em casa fazendo sexo, ou então jogando video-game? É o que sempre afirmo e é o que sempre pergunto.

Nunca! Nunca vi essa notícia em nenhum telejornal: "Beltraninho estava em casa, transando, após experimentar uma nova posição ele ficou preso, não foi possível fazer um resgate, ele está morto." Nunca vi essa também: "Cicrainho estava em casa jogando video-game, não conseguiu passar de tal fase, não foi possível dar continue, ele morreu junto com o personagem do jogo."

É claro que existem pessoas que vão querer argumentar que a viver é correr riscos, que ouviram falar de Fulaninho que morreu sentado no banco da praça abalroado por um submarino soviético e patati patatá. Esses sempre aparecem. Mas é tudo questão de probabilidades, meus caros, está provado estatisticamente que transar e jogar video-game matam muito menos do que escalar montanhas gigantes e geladas ou pular de uma ponte com um elástico amarrado no seu tornozelo.

O que leva as pessoas a fazerem isso? Algumas dizem que é a emoção e tals, a famosa adrenalina. Eu acho que não. Como a maioria das coisas que as pessoas fazem, elas fazem isso apenas para contar para as outras, apenas para impressionar em uma conversa. Eu consigo pensar em várias maneiras de liberar a adrenalina sem arriscar o meu pescoço. Dizer para a minha mulher que ela está gorda, por exemplo, mesmo ela não estando, só pela emoção. O máximo que vai acontecer é ela me jogar alguma coisa, nada como uma faca, nada que vá me ferir, não gravemente.

O assunto na roda é a respeito de viagens, amigo #1 fala a respeito da vez que esteve em Miami, amigo #2 comenta que não há lugar mais legal que a Amazônia, então o vencedor chega e comenta que já escalou o Everest, ou mesmo que conseguiu chegar até a metade, mas uma tempestade de neve aconteceu e é por isso que agora ele não tem os dois pés, nem o pênis, que necrosou e caiu. Todos boquiabertos, aquela morena ali do canto, ele poderia jurar que ela ia querer dar para ele, se tivesse pênis, é claro. Patético.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Sofisticação

Coloquei lá a TV à cabo. Não aguentava mais a nossa tv aberta de qualidade duvidosa e resolvi pagar por uma uma coisa nesse país onde tudo é pago e caro. Não é disso que vou falar. Quero falar dos imcompreensíveis comerciais de perfumes, principalmente os perfumes masculinos. Alguém já viu? Talvez eu seja muito antiquado, talvez eu seja um grosso na verdade, não sei, mas eu nunca fiquei com vontade de comprar um perfume depois de ver um desses comerciais. Eles têm essas características:

São curtíssimos, nunca duram mais do que poucos segundos. Nunca fica bem claro o que eles estão tentando vender, aliás, não fica nem claro que estão tentando vender, ou até mesmo dizer alguma coisa, algumas vezes lembram uma espécie de sonho maluco onde imagens desconexas aparecem. O nome do perfume só aparece no final. É provável que apareça um modelo bonito fazendo alguma coisa que deve parecer legal para a maioria das pessoas.

Eu não sei, algumas pessoas devem gostar desse tipo de comercial, os fabricantes de perfumes com certeza gostam, uma vez que pagam por eles. Não acredito que eles peçam para os filhos criarem tais comerciais, mesmo que na maioria das vezes pareçam que foram criados por crianças de três, quatro anos. Não acho que eles tenham problema de verba também. Então eu acabo achando o seguinte: não sou sofisticado o bastante para entender a mensagem que alguém está querendo me passar. Acho que aí está a resposta. Essa é exatamente a mensagem que querem me passar! Eles querem me dizer isso:

"Tchê, tu é um grosso que te criou aí, comendo churrasco de ovelha, olha só a graxa no teu bigode. Tu não é sofisticado. Ainda há esperança para ti, entretanto. Não esperamos que entendas os nossos comerciais mesmo, para fazer isso só passando uma temporada completa com o Chiquinho Scarpa e olhe lá, não queremos ir tão longe. Mas tu podes ao menos fazer de conta né? Compra aí o nosso perfume. Tem um cheirinho bom e as mulheres podem até não perceber que tu não é o modelo bonitão do comercial. Elas vão te perguntar o nome do perfume, tu vais falar. Elas vão lembrar do comercial, elas não entenderam também. Vão te achar mais esperto do que tu és. Tu comprou o troço, deves ter entendido a propaganda. Elas vão querer te dar e tudo o mais."

Pois é, olha só, o leitor despercebido não imagina a quantidade de energia que me custou desenvolver esse raciocínio, confesso não foi simples. Porém, simplicidade é uma coisa que não cabe no mundo da moda, do "fashion" e do "style", um lugar repleto de gênios e tals. Dizer apenas: compre nosso perfume, cheire bem e impressione as mulheres ia ser, assim, muito "out".

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

A falsa jângal

Tu já deves ter visto algum programa no Discovery Channel sobre a vida animal nas savanas da África, no mínimo tu já viste algo do tipo no Globo Repórter ou na TVE. Programas falando da vida dos leões e outros predadores, os coitados dos gnus sendo predados por todo mundo, tudo isso aí. Os animais sabem dos seus devidos lugares, não é uma coisa racional, é verdade, eles agem por instinto, mas tu nunca vais ver um gnu tentando agir como um leão, algo como o velho ditado, "se metendo de pato a ganso". O gnu, para sobreviver (ou tentar), age como gnu, confia no seu numeroso rebanho, tenta se misturar e calcula as probabilidades de ser comido entre cinquenta, cem outros gnus, sei lá o número certo. A mensagem que lhe é passada é: quem pode mais chora menos, ou, quem pode pode, quem não pode se sacode, ou seja, os maiores e mais fortes mandam e os fracos se viram como podem.

No Brasil, alguém, a todo momento, tenta usar essa idéia. Na cabeça de muitos, o Brasil é uma savana africana. Eles tentam te convencer disso, tentam te convencer de que tu és um gnu e que não podes fazer nada para mudar isso, seria o mesmo que mudar a natureza. Todos sabem que não dá para mudar a natureza. Todo mundo já ouviu frases do tipo: isso nunca vai mudar, isso vai ser sempre assim. Isso gera apatia, acomodação. Aceitas quem tu és, um mero cidadão e tua vida será mais fácil, assim como o gnu deve aceitar quem ele é.

A organização da jângal nacional é assim: no topo da cadeia alimentar temos o governo federal (quem tem o grosso da grana). Esse faz o que quer, quando quer. O governo deve um dinheiro? Ele declara que agora não pode pagar, ele não vai para o SPC ou SERASA ou lugar nenhum. Experimenta dever para o Governo. Tu vais pagar meu irmão, tu vais pagar ou sofrer as piores privações. O governo é o leão. Ele é tão leão que os Governos Estaduais são peixe pequeno perto dele. O Governo Estadual é o guepardo, ele ainda pode amedrontar o gnu (você), mas não é páreo para o leão. Se o guepardo caça alguma coisa, o leão pode muito bem ir lá e exigir a sua parte (algo como a arrecadação mensal e impostos que um Estado deve pagar para a União). Depois que o leão saciar a fome o guepardo pode ficar com o resto, isso na savana africana ou na pseudo-savana nacional. Ainda não falei dos municípios, mas acho que vocês já pegaram a idéia, podes chamar os municípios de hienas, se queres prolongar o raciocínio. Então o gnu fica feliz, mas o gnu está esquecendo de outros "predadores": as empresas prestadoras de serviço. Pois é, porque precisamos de água, energia elétrica e telefone, e temos que nos submeter à lei da selva mais uma vez.

Eu pago uma taxa mensal de telefone, mensal! As vezes acontece de eu atrasar o pagamento de uma conta. No outro mês o que acontece? Aparece ali uma justa multa, perfeito. Agora minha pergunta é: o que acontece se o serviço, pelo qual estou pagando para ter vinte e quatro horas por dia, é interrompido? A conta que pagarei no final do mês será menor? Duvido! Foi isso que aconteceu ontem. Pelo segundo dia consecutivo estava eu lá, todo pimpão, usando a internet quando minha conexão é interrompida. No primeiro dia deixei passar, afinal, eram três horas da manhã, eu já estava com sono mesmo, fui deitar. No segundo dia eu não pude resistir, liguei para o atendimento ao cliente. Aí começam as táticas selvagens, a intimidação: se você quer isso, aperte tal tecla, se quer aquilo aperte outra, você escolhe uma, se você escollheu essa, aperte essa, se você escolheu enganado aperte a outra, isso pode durar horas. Todas as teclas apertadas, 2h20min da manhã, você espera uns bons minutos ouvindo a maldita musiquinha tendo certeza de que nessa hora as linhas não devem estar nem um pouco ocupadas, as pessoas normais dormem a essa hora. Vem o fulano, pergunta seu nome, seu rg, seu cpf, sua cor preferida, para que time você torce, o que comeu no jantar e o nome da sua primeira professora. Eu informo o problema, ele me avisa que está sendo feita uma manutenção. Eu pergunto porque ninguém me avisou, afinal, eles têm o meu número, eles sempre ligam para me oferecer serviços (não gratuitos). Silêncio. Eu afirmo, eu pago uma quantia mensal para ter acesso à internet durante vinte e quatro horas por dia, todos os dias. Ele me avisa que esse tempo será descontado na próxima fatura. Eu pergunto o nome dele (só de birra), eu pergunto o número do protocolo e me pergunto se fui o único cliente a ter o serviço interrompido, se fui o único a reclamar e se vou ser o único a receber desconto na próxima fatura, se realmente fui o único a reclamar.

Era aí que eu queria chegar, na floresta o gnu não tem direito nenhum, só o de correr. No Brasil as pessoas têm direitos. Estão lá, escritos em algum lugar. Tentam te convencer que tu é um gnu. Tu não és! Te desacomoda então. E quando falo te, quero falar me também, todos nós. Não vamos deixar o Brasil ser, pior, continuar sendo, uma savana africana.


quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Feng Shui do Tesão

Estou lendo aqui uma notícia interessante que dá dicas importantes para dobrar a "energia sexual" do casal, seria bom que você lesse também. Como todos nós sabemos, o Feng Shui adora falar em energia, energia e energia: pataquada! Os caras não devem nem desconfiar o que seja energia, ou pior, desconfiam, mas aí vão "way too long" (em puro português para que todos entendam) ao usá-la, e o professor de Física triste ali no canto, sem energia, como eles mesmo diriam, para evitar o mau uso da nomenclatura científica correta. Catzo, não era disso que ia falar, não quero ser o chato que prega ciência, acho que até podemos dizer que não temos "energia" para nada, mas quando entra o Feng Shui, que "kinda" pretende ser uma ciência e que para parecer mais ciência do que é, ou seja, nenhuma, gosta de usar o termo energia para energias que nunca forma medidas, vem e diz que a "energia sexual" (poderia dizer apenas vontade) isso ou aquilo, me desculpe, mas tenho que me levantar.

Bueno, vamos aos fatos. Ali no começo você irá ler (é importante que leia para esse comentário fazer sentido) que irão dar várias dicas para aumentar a "energia do ambiente". Bom, eu posso dar algumas "myself": 1 - Eleve todos os móveis e objetos (podes pendurá-los com uso de cordas, por exemplo), com isso todos vão adquirir uma certa energia potencial, como todos estão dentro do ambiente que pode ser considerado um sistema fechado e, dessa forma, a energia do ambiente irá aumentar. 2 - Se você acha que isso vai dar muito trabalho, podes simplesmente trazer uma (ou várias) baterias (carregadas, é claro) para dentro do ambiente, a energia química irá aumentar e essa pode ser facilmente transformada em elétrica que pode ser muito útil para vibradores e o escambau.

A seguir a "matéria" aconselha, não sei bem porquê, aplicar o clássico do futebol bageense, Bagé x Guarany, o popular baguá. Isso, sem dúvida, deve-se ao fato do tipo de futebol jogado nessa região do Brasil e até mesmo do Rio Grande do Sul, viril e, olha só, cheio de "energia". Nunca vi um baguá, já vi vários "brapéis" (plural de brapel, clássico pelotense Brasil x Pelotas), realmente, há muita, oh teu Deus, energia ali, mas nunca fiquei com vontade de transar depois disso, até posso ter ficado com, mas uma coisa não se relaciona a outra, posso garantir.

Prosseguindo, a "reportagem" dá algumas dicas válidas e outras um tanto quanto duvidosas (serpente? hmm, acho que não) que qualquer mané não tão sábio e que nunca tenha ouvido falar de Feng Shui ou "energias" suspeitas poderia pensar. Vou além e dou algumas "of my own": esqueça paredes, almofadas, cobertas e até calcinhas vermelhas, pinte-se você mesmo de vermelho, tal qual um nativo da America do Norte, quem sabe até do Sul, quando ia para a Guerra. Vai ver essa era a saída para os nativos se amarem ao invés de guerrear e, de repente, foi aí que surgiu a expressão: faça amor, não faça guerra. Acho que estou indo longe demais...

Em outra "matéria" que você também poderá ler através de um "link", o Feng Shui afirma que o banheiro pode diminuir a libido do casal, concordo plenamente! A tampa de privada levantada pode ser muito broxante, ainda mais se o parceiro/parceira esqueceu de puxar a descarga. Sei que até tem gente que gosta desse tipo de coisa, mas no geral é melhor evitar mesmo. Não confunda isso com a decisão de não construir um banheiro na sua casa, pois o bafão e falta de banho são mais broxantes ainda que um banheiro sujo, por favor... Ali você também poderá ler que canos furados também irão cortar o tesão, bom, concordo que é difícil transar enquanto sua casa está sendo inundada, portanto trate de pegar a caixa de ferramentas (ou chamar o encanador) e trate de dar um jeito nisso antes de focar sua "energia" no sexo, combinado?

Pront! Agora é só botar tudo isso em prática. Ache um parceiro/parceira, pinte-se de vermelho, tome aquele banho, revise se deu descarga no vaso sanitário, revise as instalações hidráulicas, bote aquele pornozão a rodar, bote aquele cd do Kenny G. que você ouviu no motel, acenda algumas velas aromáticas e mãos (e todo o resto) à obra. O que posso dizer? Valeu aí seu Feng Shui.


terça-feira, 24 de julho de 2007

Só o esporte salva!

Acho que esse muito bem poderia ser o slogan de algumas emissoras de televisão nacionais, é ou não é? Em programas esportivos, em vinhetas, em reportagens especiais sempre vem alguém me informar que a melhor maneira de salvar uma pobre criança de uma favela é enconrajá-la a fazer algum esporte. Próxima cena, aparece um adolescente dizendo que antes de o Professor Fulano abrir ali sua escolinha de _ _ _ _ _ _ (preencha com seu esporte favorito) ele passava o dia na rua, fazendo nada e inclusive tinha amigos que haviam sido "convocados" pelas Forças Armadas do Tráfico e que ele tinha medo de que acontecesse o mesmo com ele. Corta, vem um atleta consagrado afirmar que o esporte salvou a vida dele, que ele não teria condições de ser e ter o que ele é e tem hoje se não fosse o esporte. Volta o apresentador e faz algum comentário enfatizando que o esporte é a salvação nacional. Lindo!

Antes de comentar a refutar essa idéia simplista eu gostaria de comentar que não tenho nada contra o esporte, quer dizer, não tenho nada contra alguns esportes e até gosto de alguns. Nada de errado com quem gosta dos que não gosto e odeio os que gosto, vivam as individualidades. Dito isso vamos nos aprofundar um pouco mais naquele roteiro que transcrevi ali em cima e que a maioria deve ter assistido ao menos uma vez, já que é uma reportagem padrão. Vamos pois:

1 - A pobre criança da favela: Em primeiro lugar ninguém tenta evitá-la previamente, digo, evitar que ela nasça. Calma, não quero acabar com todas as crianças da favela, mas gostaria de ver algum planejamento familiar ser pensando e amplamente apoiado pela mídia nacional, gostaria muito. Porém, planejamento familiar pode ser um tiro no pé para quem tenta vender coisas na televisão. Nunca vi, nunca, nenhuma emissora fazer uma campanha desse tipo, informativa, conscientizadora, algo dizendo: Você pensou bem se é a hora certa de ter um filho? Você terá condições de sustentar e educar mais de um filho? Não quero nada drástico, não quero aprovação do aborto, quero um personagem de novela pobre e real, com cinco, seis filhos, trabalhando o dia inteiro, deixando a menina de nove anos tomando conta dos irmãos menores, perdendo sua infância, não podendo ir a escola e virando prostituta aos quatorze, quero ver a mãe sofrendo, o pai bêbado e desempregado batendo em todo mundo, ou então trabalhador, mas triste, sabendo que seus filhos nunca terão uma vida melhor do que a que ele teve. Quero isso!

2 - A criança que passa o dia inteiro fazendo nada e na rua: Então tá, meus pais decidiram ter um filho, mas precisam trabalhar o dia inteiro, eu fico sem ter o que fazer, me torno chefe da minha vida aos doze anos de idade e resolvo passar o dia inteiro na rua pois não tenho nada para fazer, vem o esporte e me livra do ócio, agora passo o dia chutando uma bola ou treinando golpes de uma luta oriental. Bravo! Bem, acho que o esporte não é exatamente a única forma de ocupar uma criança/adolescente. Por que não criar uma biblioteca por ali, um clube de xadrez, cinema ou de ciência? É verdade, volta e meia aparecem nas tvs alguma coisa do tipo, mas eu estou falando a respeito da ênfase e constância. Gostaria que houvesse um programa do tipo: "Emissora Leitura" ou "Leitura Espetacular" ou "Show da Leitura". Algo bem feito, em horário acessível, algo que se predispusesse a não lucrar muito logo de cara, já que as televisões são concessões governamentais e devem desempenhar um trabalho social. Isso não acontece por aqui onde os falsos humanitários predominam.

3 - O atleta consagrado que vem comentar a respeito de seu sucesso pessoal: Esse parece se esquecer de que nem todos serão muito bons ou bons no esporte, tem gente que não leva jeito. Não importa o quanto treine, não importa o quanto se dedique. Dessa forma, pode ser um erro um menino ou menina passar seis horas por dia em uma academia ou quadra se ela nunca poderá viver disso. Ao que me consta sempre que assisto a entrevista de um vencedor é que é difícil sobreviver, mesmo para os muito bons. Assim sendo, será que não é vantagem para alguém que não tem talento passar seis horas aprendendo a ler e escrever? A fazer contas? A entender como funcionam as coisas e o mundo? A saber história? Ciências? O máximo que um mal atleta vai conseguir passando seis horas em uma academia é tornar-se disciplinado e ser um grande funcionário em um emprego simples, fazendo força, dando duro e sendo mais bom soldado do capitalismo.

Isso tudo é desanimador, mesmo assim há gente que entende que para um país ser grande e reconhecido ele deve ter grandes atletas. Essa é a imagem que a História nos ensina, Hitler com sua supremacia da raça ariana queria vencer nos esportes, a grande briga União Soviética versus Estados Unidos durante a Guerra Fria, com os Chineses e Cubanos fazendo parte disso. Monte uma equipe esportiva vencedora, monte um exército e domine o mundo, você terá mais chances se tiver o cinema ao seu lado também, como provaram os EUA.

Não sou vidente, mas eu já sei o que vai acontecer, o Brasil vai confirmar uma boa performance nesses jogos (atualmente estamos na terceira colocação), o Comitê Olímpico vai dizer que tudo foi um sucesso, o Governo Nacional e Carioca vão tirar casquinhas. O super faturamento das obras será esquecido. Os atletas vão reclamar da falta de condições e patrocínio. Muitos comentaristas irão plocamar que o Brasil tem jeito, que o brasileiro é o melhor povo do mundo, que a culpa de tudo é dos políticos que não são brasileiros nem escolhidos por esse maravilhoso povo. As reportagens irão se esgotar. Algum escândalo político será descoberto. Ficaremos esperando pela Copa ou Olímpiadas. No domingo algum programa sobre esporte irá mostrar como o esporte está mudando a vida de uma comunidade pobre em alguma favela do Brasil.


segunda-feira, 23 de julho de 2007

Brasileiros, com muito orgulho...

Estava assistindo televisão ontem quando um narrador estava destacando que certo medalhista havia mencionado que sentia orgulho de ser brasileiro. Minutos depois a mesma emissora transmite uma confusão que havia acontecido no local da disputa do judô: vários brasileiros, com muito orgulho, no coração, deram uma demonstração de puro patriotismo e invejável educação ao arremessar tudo o que tinham sobre árbitros e técnicos de outra equipe, a competidora nacional havia ficado em segundo lugar. Estou lendo a reportagem aqui, segundo informa, na hora da execução do Hino Nacional Cubano, nossa maravilhosa torcida brasileira, com muito orgulho, com muito amor, cantou o Hino Nacional Brasileiro, mais alto e, imagino que, errando a letra.

Não quero me adiantar na minha postagem de amanhã, mas acho que a idéia de que o esporte forma o cidadão é um pouco superficial. Mesmo assim, ficou provado de que o esporte não torna a torcida mais cidadã. Além disso, não tenho certeza de que haviam ingressos pagos para assistir as lutas de judô, mas acho que sim, me lembro que apenas alguns eventos seriam gratuitos, como a maratona e as provas de remo, dessa forma, o público que estava presente na hora dos arremessos, vaias e etcéteras não era composto pelos famosos "zés povinhos" das classes menos favorecidas. Isso prova que o problema da falta de educação não está relacionado com o problema da falta de dinheiro, como muitos pensam, mas isso também é assunto para outra postagem.

Certo, o público presente na confusão, brasileiros, com muito orgulho no coração (não sei se já havia dito isso), especialistas em judô e em arbitragens, não se contentaram com o segundo lugar e se acharam no direito de não apenas reclamar, mas decretaram uma pequena guerra contra o "opressor". Nessa hora eu também senti muito orgulho de ser brasileiro, esse povo sofrido que tem que se contentar com as alegrias do esporte (e do Carnaval) porque sofre e trabalha muito e é explorado pelos malditos políticos que estão governando sem nenhuma influência popular, claro.

Eu, sinto muito, não sinto muito orgulho de ser brasileiro, na maior parte do tempo, gostaria de sentir, na verdade não sinto muito orgulho de ser humano também, na maioria das vezes. Não me sinto melhor ou pior quando A ou B ganham tal competição ou tal prêmio, não acho que sou eu quem está ganhando quando isso acontece também. Da mesma maneira que me deixo de fora quando A ou B matam, roubam, mentem, levam vantagem à custa de outros (como deve fazer a maioria dos brasileiros com orgulho no coração), não faço o inverso, não me considero melhor quando C ou D fazem uma coisa grandiosa. Gostaria de ver as pessoas cantando, quando algum brasileiro comete um ato hediondo, ou no mínimo feio, algo do tipo: sou brasileiro, com muita vergonha, no coração... Mas isso não acontece, infelizmente.


segunda-feira, 16 de julho de 2007

Os políticos, o povo...

Eu aposto que tu estás cansado de ouvir, aposto ainda que deves estar cansado de repetir: "ah, esses políticos são todos iguais", ou então, "se não fosse pelos políticos o Brasil seria outro", ou coisas do gênero, sempre falando mal dos políticos. É ou não é? Aposto, também, que tu estás acostumado a ouvir e, talvez, falar que o povo brasileiro é maravilhoso, tudo de bom, como dizem alguns por aí. É ou não é?

Ledo engano. Talvez influenciado pelo que tu andas lendo ou assistindo, não é bem culpa tua, se tu não estás acostumado a pensar tu podes muito bem cair nessa, mas algumas pessoas esquecem de relacionar os políticos (eleitos, é claro) com os eleitores que os elegeram. Então fica aquela hipocrisia linda, que todo mundo gosta, vem A, B ou C e fala no jornal da noite, no rádio pela manhã ou escreve no jornal da tarde que político nenhum presta e que o povo é maravilhoso. Todos batem palma, todos fazem que sim com a cabeça.

As pessoas querem que os bandidos eleitos fiscalizem os outros bandidos eleitos. As pessoas se revoltam quando nada acontece num jogo de cartas marcadas, mas as pessoas elegem os mesmos bandidos over and over again, como dizem os japoneses. Meus amigos, os horríveis políticos não se elegem sozinhos! O maravilhoso povo é que vota neles! Entretanto, como falei, aqui impera a hipocrisia e o chavão, não se pode ser contra a mãe, temos que ser patriotas no máximo limite da burrice e ufanismo e temos que odiar os políticos e amar o povo, fazer ao contrário é risco de apedrejamento.

O ex-Governador do Distrito Federal era agora Senador, ele desistiu do mandato para se livrar de uma investigação e possível punição, sabe como é, alguns têm que ser punidos de vez em quando para não ficar tão descarado, a mesma coisa que o atual Governador do DF fez há algum tempo atrás. As pessoas votaram nele, tanto que está aí, as pessoas votarão no ex-Governador, tenho certeza, eu vi algumas falando num programa de TV, o argumento básico delas era o seguinte: fulano é um bom sujeito, ele ajudou o povo. Ajudou!

Eu finalmente consegui entender! Na cabeça dessa "entidade" chamada povo um político entra lá para não fazer nada, ou para fazer se quiser, é algo assim, sem compromisso. Aqueles que fazem alguma coisa, aqueles que administram, esses estão fazendo um favor. Não faz mal que fulano roube a metade ou uma parte de um dinheiro que é do povo e deveria ser administrado em favor desse, desde que ele faça o favor de dar aí alguma grana para o leite, o gás, a cachaça. O povo não entende que é a obrigação do governante administrar com eficiência. É, como disse a minha mulher (a D. Piti) o complexo de vira-latas.

Espero que isso seja resquício de governos anteriores e totalitários onde as pessoas não podiam exigir direitos já que não os tinham. As pessoas devem, precisam se acostumar com essa nova idéia, isso deve levar algum tempo mesmo, a idéia de que têm direitos e precisam exigi-los. As pessoas devem aprender que um governante não está fazendo um favor a ninguém quando aplica bem os recursos do Estado. As pessoas esperam que um mecânico conserte seus carros, elas podem agradecer o profissional, mas o fazem apenas por educação, ninguém acha um mecânico uma boa pesssoa apenas porque consertou bem um carro, esse raciocínio deve ser extendido ao campo da administração pública.

Eu gostaria de ver apenas uma vez um jornal ou um formador de opinião não falar o óbvio, não falar o que todos querem ouvir e o que muitos temem dizer: "Vivam os políticos! Abaixo o povo que os elegeu!" Pior do que ser bandido é entregar o ouro para os bandidos!"



sexta-feira, 6 de julho de 2007

As sete maravilhas

O "nosso" Cristo foi eleito! Que maravilha! Não apenas foi eleito, mas ficou em terceiro lugar, à frente do Coliseu e à frente de alguns outros candidatos! Viva o Brasil!

Eu me lembro que, há algum tempo atrás houve uma votação parecida (em caráter), votação via internet e celular (esse último não tenho certeza), onde escolheram o melhor jogador de futebol de todos os tempos: o Maradona. Indignação nacional, comoção, mas como? E o Pelé? Então houveram comentários a respeito da não autenticidade desse tipo de votação. Bom, parece que agora isso foi revogado, apenas porque "ganhamos".

Eu particularmente acho isso uma grande pataquada. Vejam vocês, as pirâmides de Gizé, a única das antigas sete maravilhas do mundo antigo ainda em pé, ficaram de fora! Uma estátua, construída em cima de um morro, mesmo sendo bonita, mesmo sendo um ponto turístico, ficou na frente de construções feitas em 2550 a.C. que ainda estão de pé (mesmo sendo no deserto), ou seja, muito antes de poder existir um Cristo, quanto muito uma estátua sua... É lamentável...

Muita gente não se arriscaria a falar isso antes da votação encerrar. Poucas pessoas se arriscarão a falar mal da escolha após ela ter terminado, mas eu tenho que falar o que penso:"existem outras maravilhas muito mais maravilhosas que o "nosso" Cristo Redentor das Balas Perdidas, uma estátua". Eu acho que eu conseguiria fazer uma estátua, se me dessem algum tempo e instrução. Machu Picchu, que é uma cidade inteira feita em cima de um "morro", essa também ficou de fora, é incrível, mas tem gente comemorando e muito.

Aposto que a secretária (ou órgão equivalente) do turismo do estado do Rio de Janeiro já botou uma plaquinha lá (ou um placão): "uma das sete novas maravilhas do mundo", e quem sabe aumentou o preço do ingresso, porque o Rio precisa de dinheiro para combater o tráfico e a violência, já que apenas uma estátua, mesmo sendo do homem mais poderoso que pisou na Terra (depois do Bush, é claro), não está dando conta de resolver os problemas sociais.

Viva o Brasil, portanto, vivam a internet e os celulares! Viva a união de um povo sofrido e lutador, conterrâneo de Deus, que nunca ia permitir que a estátua fiel de seu filho, um palestino com traços europeus, fosse perder essa eleição. Viva o patrocínio de um Banco! Nós ganhamos! Estamos lá! O resto a gente vê depois, depois do PAN, de preferência. Suspiro...


terça-feira, 3 de julho de 2007

Falsas Impressões

Vim aqui hoje para esclarecer algumas falsas impressões que pessoas pouco avisadas podem ter, baseadas em comerciais, filmes, seriados, novelas, na ficção, enfim.

1 - Cobras albinas: Elas são minoria na natureza. Eu sei, eu sei, sempre que tu vês um clipe na TV e que aparece uma cobra lá, se enrolando no pescoço de alguma lânguida modelo, ela será totalmente branca, acontece em filmes também, não é verdade? Se a idéia inicial era chocar, surpreender com um novo visual eu sinto muito, pode ter funcionado na primeira vez, na segunda, talvez até na terceira, mas agora virou lugar comum, eu iria achar surpreendente, atualmente, ver uma cobra que não fosse branca, ia ser muito mais legal, cobras albinas me fazem bocejar...

2 - Gostosas na praia: Então você é como eu, não costuma tirar férias, não costuma ir muito à praia. De vez em quando você vai lá, entretanto, então vem o choque: cadê todo aquele pessoal bonito e em forma que costumas ver na praia sempre que tu ligas a televisão? Eles não estão lá e se estão, não são nem de longe a maioria. Mulheres com celulite, não tão jovens, com alguma barriga, não bronzeadas etc. Acontece também com os homens... Tu olhas em volta e vês pessoas normais, então tu ficas um pouco decepcionado, mas feliz também, não precisas nem ficar de camiseta, é a liberdade da barriga de cerveja, da falta de músculos e das varizes... Ufa!

3 - O boteco: Para começar, aquele ambiente lotado de mulheres lindas e apenas tu e teus amigos representando a classe masculina, não existe. Nunca vi um comercial ao contrário, feito para mulheres, os comerciais ainda são feitos para os homens, pode ser porque os homens prestam menos atenção e as mulheres não seriam enganadas tão facilmente por idéias do tipo, não sei, pode ser puro machismo também. Outra coisa, ninguém liga muito para o que estás bebendo em um boteco, beber essa ou aquela cerveja ou guaraná não vai garantir que beijarás na boca, alucinadamente, ou que alguém vai ter achar mais ou menos sexy, infelizmente...

4 - A justiça divina: Essa é uma coisa que não existe, com certeza. Você é o "mocinho" da sua vida, você faz "o bem", você só toma no... bem, você só de dá mal, você fica esperando pelos capítulos finais, você não sabe muito bem quando vai acontecer, não acontece... Para começar, dando ibope ou não, os capítulos finais de sua novela particular só vão acontecer quando você morrer e aí pode já ser tarde para ser feliz para sempre com aquela mocinha, que provalmente já vai estar enrugada, vai ser avó e, talvez, um pouco surda. Não funciona. Além disso, ninguém fica fazendo apenas um papel na vida, como se diz, real. Outra coisa, tu podes muito bem te achar um grande "mocinho", a la John Wayne ou Schwarzenegger, mas aposto que tem muita gente aí que te acha um baita vilão, quem terá a razão?

Cuidado então, meu caro telespectador. A ficção pode te colocar num mundo falso, irreal, não apenas pelo tempo de duração de um filme, uma novela ou um comercial. Tua vida pode estar baseada em impressões falsas, teu raciocínio pode estar sendo maculado, confundido e o teu poder de discernimento ficará embaçado. O mais temível e preocupante, contudo, é que não apenas a ficção pode estar tentando fazer isso, preste atenção...