terça-feira, 9 de junho de 2009

Finalmente a paz

Caros leitores, é com muita alegria que anuncio que, finalmente, palestinos e judeus entrarão em paz. É realmente maravilhoso, não tenho palavras para descrever meu sentimento. Não acredito que ninguém havia pensado nisto antes, uma idéia tão simples e ao mesmo tempo tão eficaz. Não, não se trata da criação de um Estado Palestino, é muito mais simples! Também errou quem pensou que iria pôr-se fim às religiões e todo o ódio que elas pregam, nada disso. Tudo será resolvido com um jogo de futebol entre Flamengo e Corinthians! Um amistoso, é claro, porque um jogo valendo pontos não tem como promover a paz, pelo menos não é o que vejo acontecendo por aqui.

Colocando o swtich do modo sarcasmo na posição off eu não posso deixar de comentar o quanto hipócrita e lamentável é essa iniciativa. A motivação, por mais excelente que seja, não faz com a idéia seja classificada, no mínimo, como imbecil. Eu pergunto: que paz provém do futebol atualmente? Não vou nem mencionar jogos menos importantes, onde brigas eventualmente surgem, mas o que se vê, normalmente, em qualquer decisão de uma simples vaga, não estou falando nem de campeonato, uma mera vaga em final ou semifinal? Sempre morre um, no mínimo um. E então decidimos fazer de conta que isso não existe e vamos promover a paz mundial! Faça-me o favor... Temos que resolver a violência e promover a paz aqui, primeiramente, deve ser um pouquinho mais fácil do que resolver uma briga de malucos extremistas e fundamentalistas religiosos (isso é um pleonasmo), um pouquinho apenas. Isso é meio coisa de Brasil, admito, não conseguimos ir dirigindo de norte a sul, por estradas decentes e seguras, mas queremos conquistar o espaço. Definir prioridades com certeza não é o nosso forte.

Além disso eu fico pensando o que se passa na cabeça das pessoas que sugeriram tal evento. É claro que imagino que isso serve apenas como parte de um processo a longo prazo etc e tal, mas mesmo assim não posso deixar de achar engraçado. Palestinos e judeus estão ali fora do estádio, bombas para lá e mísseis para cá, daí a pouco eles ouvem um apito, as torcidas do Flamengo e Corinthians começam a se provocar, o árbitro é xingado, assim como sua mãe, esse é o sinal para eles deixarem disso e começarem a confratenizar, isto até que uma briga generalizada aconteça dentro de campo e se espalhe pela arquibancada e se brigue por uma coisa que valha a pena, como uma taça.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O cinema e a feira

Estou morando em Feira de Santana. Tento não falar mal de Feira de Santana. Me policio, me cuido, não quero ser o gaúcho desgarrado reclamando de uma cidade do Nordeste, o que, para muitos, significaria que estou reclamando do Nordeste como um todo. Há algum tempo eu deixei os preconceitos de lado, vejo coisas boas e ruins aqui, como via coisas boas e ruins no Sul, como uma vez vi em Brasília. Mas mesmo assim eu costumava cair nessa cilada que mesmo criei, coloquei na cabeça: não vou falar mal de Feira de Santana em minhas postagens porque não quero ser confundido com o sulista chato e orgulhoso que fica repetindo que bom mesmo é o sul.

Após essa introdução eu gostaria de falar que o cinema tem me revoltado nessa cidade. Tenho uma vaga impressão que esse é um fenômeno nacional, mas que diabos, eu moro aqui então eu tenho que falar daqui. Raramente eu vou ao cinema, nada me atrai, não quero gastar duas horas da minha vida para ver carros (aviões, navios, prédios) explodindo, uma história besta e a humanidade, por mais estúpida que seja, ser salva no final de vários ou até mesmo um único filme. Não vou, não vejo e não me arrependo ou envergonho, da mesma maneira que não vejo nenhuma novela ou reality show nacional (bundas e bíceps à mostra, bebedeiras e ensaios nus).

Mas tem alguns filmes que eu gostaria de ver. Há pouco tempo esteve aqui o Star Trek esse novo, Spock, Kirk etc. Eu queria ter visto, não pude, o filme era dublado e eu não vejo filme dublado (a não ser na Sessão da Tarde e equivalentes). Não vejo, não gosto, na língua que for, eu quero ver o original. Então eu não fui ver o filme e fiquei frustrado e irritado. Então veio outro filme aí que eu gostaria de ver, nada muito brilhante imagino, mas algo para passar o tempo e talvez rir um pouco, duas salas passando, dublado e dublado! Então eu também não fui. Antes disso eu caí na asneira de ver o Wolverine, eu gostava de Gibis e pensei: de repente pode ser legal até. Burrice pura, o filme é só aquilo que falei ali em cima, pessoas voando e coisas explodindo, mas o que quero contar não aconteceu dentro da sala, aconteceu na bilheteria:

O Wolverine veio dublado e legendado. Eu estava comprando o ingresso quando o atendente me chamou à atenção de que estava comprando o dublado e se era esse mesmo que eu queria. Eu agradeci e pedi o legendado. Atrás de mim estava um cara, que ficou surpreso. Ele me comentou: tu preferes o legendado eim, eu prefiro o dublado. Então, pensando bem, o cinema não tem culpa, ele está apenas dando o que "o povo" quer. E o povo não quer ler, na verdade o povo não deve nem saber ler, deve ter aprendido mal e porcamente e não consegue. Enquanto fica falando "mê" e "a" má, "mê" e "e" mê já mudou a cena, ou ele ficou ali soletrando e não prestou atenção no sorriso disfarçado do bandido infiltrado nos mocinhos. Ou então "o povo" não quer se cansar, ele já vai no cinema porque não gosta de ler e acha um ultraje aquele pessoal ficar falando enrolado quando não custava nada passar o filme em "brasileiro".

Então tá, vamos disseminar a ignorância, vamos vulgarizar a falta de cultura e viva o povo, sendo ele gaúcho, feirense ou brasileiro! E chupa que é de uva!

sábado, 9 de maio de 2009

Uma religião verdadeira

Estava lendo a seguinte notícia. Acredito que a intenção, segundo a idéia do site, é divertir e entreter o leitor. As pessoas devem ler, sorrir, balançar a cabeça e pensar: "Igreja Jedi.... Que besteira!" Eu, entretanto, convido você a pensar um pouco além.

Minha pergunta é: Em que a religião Jedi é mais ou menos ficção do que a religião católica (ou qualquer outra)? Com certeza é uma religião mais nova, talvez não tenha um livro texto (como o Corão, por exemplo), mas de resto é a mesma coisa: pessoas baseadas em nada além de sua própria fé e vontade de acreditar. Eu fico imaginando a primeira vez que um grego ouviu falar de um deus único que, além de não ser único, não era Zeus. Ele deve ter achado graça também. Então a igreja monoteísta foi crescendo, virou "o padrão" mundial e chegou a vez dela achar engraçado quem acredita em Tupã ou na Força.

Entendo que essa notícia é emblemática na forma de mostrar como as pessoas enxergam o mundo. Cada dia eu me convenço mais que a grande maioria dos teístas acredita em um deus simplesmente porque ouve falar que ele existe e pronto. Baseados em evidências é claro que não pode ser, muito menos em um raciocínio um pouco mais aprofundado do que este: "Meu pai fala que existe um deus, a Ivete Sangalo fala que existe um deus, o Kaká fala que existe um deus, então deve existir um deus".

Eu já adianto que acho uma falta de respeito qualquer teísta desdenhar os seguidores da Força, da Pedra Cheia de Musgo do Meu Jardim ou do Flying Spaghetti Monster. E acho uma falta de respeito o Escritório Nacional de Estatística do Reino Unido identificar os seguidores da fé Jedi como ateus, desrespeito com eles e comigo.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Traduções Televisivas*

* Me apodero aqui da definição, magnífica, do Millôr, para esse tipo de coisa.

Estava eu passeando pelos canais de minha TV quando me deparo com o seguinte programa na A&E (se não me engano): "psique infantil". Sou assinante da SKY e, se você não está habituado, a cada mudança de canal aparece, abaixo da tela, uma janelinha com o nome do programa, a hora do início e do fim, se apertares uma tecla extra, geralmente, irá aparecer uma sinopse do programa, é uma maneira interessante de informar o telespectador. Então eu resolvi apertar nessa tecla, porque o nome "psique infantil" me pareceu interessante. Para minha surpresa, não era nada do que havia imaginado. Encontrei essa descrição: "parapsicólogos (ou algo do tipo) estudam crianças que enxergam (ou algo do tipo) espíritos, blá blá blá...". Eu pensei, um pensamento comum de quem é descolado, WTF! E então apareceu o nome original, em inglês, do programa: "psychic kids"! Ah tá, finalmente fez sentido. O que eles queriam dizer, você deve saber, era algo do tipo: "crianças médiuns". Mas o tradutor não sabia... Eu fico pensando, quem faz a tradução para o tal canal? Deve ser o zelador ou, se esse sabe inglês (por que não?), deve ser alguém que simplesmente abriu o dicionário e foi na primeira (quiçá) definição de cada palavra ou pior, digitou tudo no tradutor do Google e depois deu copia e cola no que saiu.

É por isso que digo, crianças, leiam, se informem, expandam, não focalize demais, aprendam coisas que saiam fora da sua área de atuação, não façam esse papelão do pobre tradutor citado acima. Além disso aqui vai uma dica se não sabe que faculdade vai fazer, aparentemente tá faltando tradutores no mercado nacional.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Meu cachorro é viralata!

A conversa é entre duas funcionárias da limpeza aqui da Universidade:

_ Meu cachorro (não sei lá o quê)... Ele é cruza de pastor alemão com (sei lá o quê)...

Já faz tempo que minha mulher alertou: "Ninguém mais tem cachorro viralata!" Todos os cachorros são, no mínimo, cruza disso com aquilo, desde que isso e aquilo sejam alguma raça. O meu cachorro (e meus dois gatos) não, eles são todos viralatas, cruza de nada com nada. Ao fazer tal afirmação eu percebo que meu índice de "chiqueza" caiu 80%, já que não tenho um "cachorro de marca". O fato do cachorro da faxineira (e de 99% dos brasileiros) ser de alguma raça é decorrência disso mesmo, da busca por status. É pelo mesmo motivo que o nome do filho de muita gente contém ou W ou Y ou duplo L ou N, pelo status que isso, aparentemente, confere.

Eu não sou contra ninguém querer ou efetivamente ter status. Sou contra o fato desse status ser baseado em ter, tal como se fosse um objeto, outro ser vivo. Algo como antigamente alguém ter 20 ou 30 escravos (guardadas as devidas proporções para aqueles que acham que somos tão melhores que os outros animais). Por que não comprar tal carro, tal moto ou tal roupinha? Por que um gato ou um cachorro? Certa vez eu vi que o índice de Dálmatas abandonados em tal país era altíssimo, sabe porquê? Por que, após o sucesso do filme "101 dálmatas", todos quiseram ter o cachorro sem ao menos saber a que tamanho chegava, como era a personalidade, nada. Então, se esqueceram do filme, os cães tinham que comer, faziam cocô e xixi, não eram bebês para sempre e foram descartados, como um objeto não mais querido, e viraram um problema para as autoridades.

Isso sem mencionar um problema anterior onde, provavelmente, várias cadelas tiveram que ficar parindo ininterruptamente para suprir a demanda por filhotes. Imagine uma fêmea, da raça humana, confinada em um recinto, sendo fertilizada sempre que possível, produzindo bebês para serem vendidos. Bonito né? Humano. É assim que a maioria dos canis agem: "produzem filhotes" em linha de montagem, exploram fêmeas, descartam (de maneira brutal) os que falham no controle de qualidade e depois descartam as fêmeas que não podem mais parir. Chique né? Como foi chique ter escravos.

Amigo se faz, não se compra!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ir e voltar

Neste final de semana eu fui "viajar", viajar entre aspas uma vez que não fui tão longe assim, mas ainda assim (a palavra certa aqui seria "still"). Então eu fui e voltei e na volta não pude deixar de pensar em como as coisas são fáceis nos dias de hoje: pela manhã eu estava ali e logo depois de uns 150 km eu estava almoçando acolá, simples, fácil e rápido. Mas também eu estava perto, você pode dizer, realmente eu estava, mas o que eu queria dizer era outra coisa, vou chegar lá.

Tenho viajado bastante durante este ano, moro há 100 km de Salvador e já estive duas vezes em Pelotas-RS e uma em Santa Maria-RS, ou seja, viajei aproximadamente 19.884 km em cinco meses. Isso talvez seja pouco até, mas também é muito se escolheres um outro referencial (pensa viajar essa distância há 100 anos atrás). Eu levei, em média, umas 11 ou 12 horas viajando, pouco por culpa de tempo de espera em conexões, escalas e muito por culpa do ônibus Porto Alegre-Interior (geralmente responsável por 1/3 ou mais do tempo de viagem). Eu levei esse tempo, 11 horas para atravessar o Brasil e achei sempre demorado, ruim, mas também eu não pensei muito, simplesmente porque é muito fácil. Se eu pensasse em andar 3000 km há 100 anos atrás, com certeza 11 horas seria um tempo maravilhoso, se pensasse em 20 anos atrás, talvez, onde passagens aéreas eram muito caras e eu tivesse de ir de ônibus, 11 horas seria muito rápido. Mas eu estava pensando no agora e, no agora, 11 h é tempo demais.

É uma coisa realmente muito engraçada, pela manhã tu estás em um lugar onde se fala português de um jeito, se toma chimarrão e as camisetas são metade azuis e metade vermelhas, o tempo está de tal jeito, os costumes são estes, a comida é aquela. Daí a pouco você está em outro lugar e o axé é a música ambiente, o sotaque mudou completamente e também a culinária. E a vida segue, mudou só o cenário (e também os figurantes). Não é uma coisa incrível? Você toma o café da manhã em Porto Alegre e vai jantar em Salvador, é realmente surpreendente. Só que não percebemos, a vida segue como eu disse, temos que pagar o aluguel, o Grêmio joga na quarta-feira, o ritmo sempre é acelerado e não temos muito tempo para "filosofar" sobre distância x tempo. E ainda reclamamos que levou 11 horas...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Coma o que quiser

Parece que a "onda do momento" é a cirurgia bariátrica. A idéia é basicamente: vamos comer sem culpa e sem limites e depois "entrar na faca" e deu para a bola. Claro que não sem sofrimento, imagino que nunca seja muito tranquilo sofrer uma cirurgia, nem que a recuperação seja fácil e indolor, mas em contrapartida ninguém vai ter que erguer um haltere, dar um passo em uma esteira, uma pedalada em uma bicicleta. Enfim, ninguém fará essas coisas que nenhum gordo (o politicamente incorreto de obeso) gosta de fazer.

Antes que me joguem alguma pedra (atualmente, desde que não me joguem pedras dentro dos rins, eu não me importo muito), eu gostaria de dizer que a luta contra a obesidade faz parte da minha vida: tive uma infância sendo uma criança gorda, parte da adolescência e alguns momentos da vida adulta. Mas eu consigo controlar isso hoje, cuidando o que como e através de atividades físicas. Tento me informar, tento aprender e consigo manter-me saudável, o que é mais importante que ser magro, na verdade. Fim do parênteses.

Então fico vendo alguns programas na TV. Existe um programa onde pessoas muito gordas mesmo vão para uma fazenda e lá, sob orientação médica e de profissionais de educação física, acabam emagrecendo. Palmas para eles! Mas também existe um programa onde as pessoas vão lá e fazem uma cirurgia. E são tratadas como heróis! Como assim? Nunca consegui, alguns dizem, é muito difícil, diz a maioria, era a única solução, afirma um terceiro. Bullshit! Para usar a expressão perfeita. Bando de fracassados, na verdade. Daqui a pouco estão todos gordos de novo, aliás, alguns que aparecem ali já sofreram uma primeira cirurgia, mas não aprenderam nada, emagreceram só porque não cabia mais nada.

É por isso que eu afirmo, até aqui, a educação é o único caminho, alimentar, sexual, acadêmica e social, educação, sempre!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Macaco na TV

Depois de um novo período, mais curto dessa vez (final de semestre, mil coisas para fazer etc), vim para comentar sobre essa novidade que, promete ser hilariante, diga-se de passagem, da TV brasileira: um macaco, melhor dizendo, uma macaca contracenando em uma novela! Fantástico! Todo mundo sabe que macaco é muito engraçado, não é mesmo? Que lugar de macaco é num estúdio, contracenando com artistas de sucesso, tendo uma vida de "glamour", longe de seu habitat natural somente para nosa divertir.

O autor, segundo a Folha Online disse o seguinte: "Ele está na trama justamente para desmistificar o universo das artes, de maneira engraçada". Claro, afinal de contas se um macaco é muito engraçado, um macaco pintor é mais engraçado ainda! A minha pergunta é: Por que o autor não colocou a mãe dele no lugar do macaco? Seria ainda mais engraçado. Desmistificaria o universo das artes e o da dramaturgia de lambuja.

Falando sério, eu espero que um dia a civilização nos alcance, que acabemos por descobrir coisas que outros lugares já descobriram, que não se pode invadir um estádio, mesmo que não haja grades de proteção, que não se deve estacionar em cima da calçada, lugar do pedestre passar, que não é de bom tom jogar lixo no chão e devemos reciclar, que se deve economizar água e energia, e que macaco não foi feito para aparecer na tv. Enquanto isso eu vou cantando na arquibancada: "Sou brasileiro, com muito orgulho..."

quinta-feira, 26 de março de 2009

Cordel dos excomungados

Momento histórico do blog, um texto de outrem. Se a fonte estiver correta o nome do autor é o lá de baixo. Aproveitem.

I

Peço à musa do improviso

Que me dê inspiração,

Ciência e sabedoria,

Inteligência e razão,

Peço que Deus que me proteja

Para falar de uma igreja

Que comete aberração.

II

Pelas fogueiras que arderam

No tempo da Inquisição,

Pelas mulheres queimadas

Sem apelo ou compaixão,

Pensava que o Vaticano

Tinha mudado de plano,

Abolido a excomunhão.

III

Mas o bispo Dom José,

Um homem conservador,

Tratou com impiedade

A vítima de um estuprador,

Massacrada e abusada,

Sofrida e violentada,

Sem futuro e sem amor.

IV

Depois que houve o estupro,

A menina engravidou.

Ela só tem nove anos,

A Justiça autorizou

Que a criança abortasse

Antes que a vida brotasse

Um fruto do desamor.

V

O aborto, já previsto

Na nossa legislação,

Teve o apoio declarado

Do ministro Temporão,

Que é médico bom e zeloso,

E mostrou ser corajoso

Ao enfrentar a questão.

VI

Além de excomungar

O ministro Temporão,

Dom José excomungou

Da menina, sem razão,

A mãe, a vó e a tia

E se brincar puniria

Até a quarta geração.

VII

É esquisito que a igreja,

Que tanto prega o perdão,

Resolva excomungar médicos

Que cumpriram sua missão

E num beco sem saída

Livraram uma pobre vida

Do fel da desilusão.

VIII

Mas o mundo está virado

E cheio de desatinos:

Missa virou presepada,

Tem dança até do pepino,

Padre que usa bermuda,

Deixando mulher buchuda

E bolindo com os meninos.

IX

Milhões morrendo de Aids:

É grande a devastação,

Mas a igreja acha bom

Furunfar sem proteção

E o padre prega na missa

Que camisinha na linguiça

É uma coisa do Cão.

X

E esta quem me contou

Foi Lima do Camarão:

Dom José excomungou

A equipe de plantão,

A família da menina

E o ministro Temporão,

Mas para o estuprador,

Que por certo perdoou,

O arcebispo reservou

A vaga de sacristão.

Autor: Miguezim de Princesa - Poeta popular,

paraibano radicado em Brasília.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sem telefone

Não tenho telefone fixo. Como mudei há pouco mais de um ano, de cidade e de região, aconteceu que minha operadora de telefonia fixa não atuava aqui e não pude transferir meu número. Decidimos que não fazia sentido ter celulares e fixo, estaríamos pagando duas vezes pelo mesmo serviço, já que não somos do tipo de gente comunicativa que liga sem parar, para todo mundo, para avisar que a unha encravou e logo depois para dizer que nasceu uma espinha ou então para comentar sobre o quanto a grama cresceu. Não gosto de pessoas assim, não gosto de pessoas que vivem penduradas no celular, não acredito que ninguém tenha essa necessidade toda, talvez algumas centenas de pessoas no mundo todo, mas cada um é livre para fazer o que quiser menos no trânsito. Abomino pessoas que sobem no carro e já pegam o celular. Eu conheço bem esse tipo de gente. Está ali um carro, na sua frente, se arrastando, no meio da rua, você não consegue passar. Pode apostar que o (a) infeliz está no celular, falando merda, pode saber. Mas eu não queria falar sobre isso, inclusive eu acho que já falei. Eu quero falar é dos 0800.

Eu assino algumas coisas, como TV fechada, por exemplo. E pago uma quantia por mês que não é tão pouca. Raramente eu preciso ligar para eles, raramente mesmo, não sou do tipo de ficar ligando, tu leste ali em cima. Mas eu não posso. Eu não posso por que alguém decidiu que todo mundo é obrigado a ter telefone fixo! Em pleno século XXI! Talvez por causa dos malditos ali de cima, talvez as pessoas ficassem ligando, de seus celulares, para falar do tempo com o pessoal do 0800, talvez por isso tenham cortado esse serviço, como as mães e os pais fazem nas suas casas (já que ninguém mais manda nos filhos, então o costume é cortar as ligações para celulares, punindo todos da casa ao invés do (da) culpada). Ou talvez seja a falta de respeito padrão com o consumidor. Mas é fato que alguém quer me obrigar a ter telefone fixo.

Isso acontece também naqueles formulários eletrônicos. Tu estás lá, preenchendo, e aparecem aqueles campos obrigatórios. O telefone fixo, às vezes, é um deles. Mas eu não tenho telefone fixo! Sou obrigado? Eu posso informar o meu celular, caso seja muito importante para vocês! Então eu tenho que (a) colocar 0000-0000 ou (b) inventar um número. É isso que vocês querem? Que eu minta? Eu simplesmente não tenho telefone fixo, não preciso. Já existem os celulares e a internet! Estamos em 2009! Daqui a pouco vão querer saber de que marca é meu toca-discos, quantas cabeças tem o meu videocassete, quanto eu gasto de lenha no meu fogão...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Na veia!

Há tempos atrás eu descobri outra coisa entre as boas coisas da vida: a injeção na veia. Ontem tive a minha segunda crise de passagem de cálculo e pude mais uma vez confirmar, bom mesmo é injeção na veia! Drugs! Drugs mesmo! Buscopan, morfina, tilatil e o escambau. A dor era lancinante, pior que a primeira vez, ânsias de vômito, invocação do Victor (Hugo) e eu só queria saber de uma coisa, já havia descoberto que era bom: uma injeção na veia! Até deu para entender porque a heroína era popular (pelo menos acho que era, no sentido de não ser mais). Se eu fosse viciado em drogas eu só iria querer na veia, é rápido, quase que instantâneo, para que esperar?

Eu cheguei a uma idade em que eu não quero me incomodar. Eu pago para não me incomodar. Eu quero conforto. Se viajo para um lugar eu quero ficar num hotel, banho com água quente, cama macia, fronhas e lençóis limpos. Eu não quero acampar, ficar no mato, usar o mato como banheiro. Tem gente que gosta e eu não entendo, apesar de respeitá-los eu não os entendo. Quando se é adolescente tudo bem, você não tem nada, não sabe de nada, "não tem ruim" como se costumava dizer. Você dorme no chão, lembro que uma vez eu dormi em cima de um monte de pedra britada. Estava ótimo! Agora não, para mim é escada rolante e injeção na veia!

Nunca me convide para acampar! Nunca me convide para escalar uma montanha! Eu tenho certeza que nunca serei resgatado após me perder numa floresta, fazendo uma trilha. Eu nunca farei trilha! Nunca passarei frio ou calor por livre e expontânea vontade. E nunca sentirei dor por não querer ficar tomando remédio. Me dê aí todos os remédios que você tem, e rápido! De preferência na veia.

sexta-feira, 13 de março de 2009

O ônibus e o Coelhinho da Páscoa

Polêmica na Espanha, católicos enfurecidos, evangélicos idem! Ônibus andam circulando dizendo que o deus deles não existe. Eu me reservo o direito de comentar algumas partes que achei muito interessantes:

"Eu não vou subir nesse ônibus de jeito nenhum. Fico aqui o tempo que for preciso para que vejam que nós cristãos estamos indignados. O que estão fazendo é uma imoralidade, uma blasfêmia. Tenho vergonha de ser espanhola, disse Dolores à BBC Brasil."

As pessoas querendo opinar e decidir por si só ou baseadas em fatos realmente é uma blasfêmia! Sempre foi na opinião de muitas (para não dizer todas) religiões. Eu acho que teria mais vergonha de ser espanhol pelas touradas, por exemplo.

"Isso é só publicidade, é uma polêmica estúpida, cada um diz o que quer, é um país livre. A senhora não fala de Deus aqui sem problema? Então por que outros não podem?, rebateu a estudante Rosario Flores, 23 anos, que se define como católica não praticante".

Esta parte é ótima e revela uma característica importante sobre católicos (e outros religiosos): existem pessoas sensatas entre eles. Da mesma forma que, tenho certeza, existem pessoas intolerantes entre ateus, agnósticos e livres pensadores. Ou seja, existem pessoas de todos os caráteres em diferentes lugares e organizações. E não acreditar em um Tupã (ou o deus dos cristãos) não significa ser satanista, pelo contrário, significa também não acreditar num deus do mal. Isso, entretanto, não é verdade para as religiões, como instituições. Ou se acredita, e ama, e teme a Zeus (ou o deus vigente) ou se está condenado, e para sempre!

"Já a Conferência Episcopal Espanhola, que não participa da campanha nos ônibus, acha que há blasfêmia e que o governo deveria intervir."

É o que está dito ali em cima, um órgão oficial da igreja não pode nunca dar o braço a torcer. Nosso deus existe nem que tu tenhas que morrer! Eu consigo imaginar alguém dizendo que "bom era antigamente, fazia-se uma fogueira e tudo estava resolvido. Além disso ainda podia sobrar alguma terra e algum ouro, estamos mesmo precisando."

"Segundo o comunicado oficial emitido no dia 24 de janeiro, insinuar que Deus é uma invenção e que não deixa as pessoas desfrutarem da vida é uma blasfêmia e uma ofensa aos que acreditam".

A pergunta aqui é: Dizer que o deus deles existe não é uma ofensa a quem não acredita? Eu sempre penso na maioria dos teístas como àquelas crianças que passam boa parte da infância acreditando no Coelhinho da Páscoa, ou Papai Noel (outros dois seres mitológicos) até que vem o irmão mais velho e fala que isso é tudo invenção. A diferença básica é que, geralmente, não existe um irmão mais velho para dizer que Tupã não existe e então as pessoas acreditam porque sempre foi assim, é uma tradição e não vamos questionar. É um fato que o Natal perde um pouco da graça quando se descobre que não existe mágica alguma por trás dos presentes embaixo da árvore, mas aposto que boa parte das crianças deve ficar contente (e aliviada) com algo bem mais lógico e fazendo muito mais sentido do que um velhinho que mora lá longe entregando presentes na mesma noite para uma infinidade de crianças, entrando por chaminés que ninguém cabe ou até por fechaduras de portas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Culpa do Need for Speed

Eu joguei "Need for Speed". Era divertido. Tu comprava uns carros, podia comprar peças, dar a "tunada" que é a versão portuguesa (brasileira) do tuning. E podia correr e realizar provas com um carro que provavelmente nunca irei dirigir, quem sabe? Entretanto, algo me faz gostar menos do jogo agora, pois as pessoas resolveram "tunar" os seus carros na vida real, virou moda e até aí tudo bem, cada um com seu hobby (como a Carla Perez), cada um faz o que quer com o seu dinheiro.

O problema são os faróis, os malditos faróis azuis. Estou procurando aqui e achei uns tais de faróis diamond que, segundo o fabricante "são a opção perfeita para quem quer um visual diferenciado em seus faróis, oferecendo uma luz com tonalidade azulada e ótima performance na emissão e foco". O fabricante esqueceu de dizer, entretanto, que eles também são a opção perfeita para cegar o motorista que dirige à sua frente ou em sentido contrário.

Eu imagino que o primeiro comprador dos tais faróis azulados não sabia que os mesmos cegavam os outros motoristas. Eu não entendo, entretanto, como o segundo, o terceiro e os próximos continuaram comprando. Eles devem ter comprado quando viram em outro carro, eles devem ter sido atrapalhados e incomodados enquanto dirigiam, mas eles não se importaram, aparentemente. Nada contra o visual, ele é mesmo bonito, até certo ponto, mas estou falando de segurança e de, no mínimo, respeito aos outros. Respeito aos outros... Às vezes até eu me divirto com minha própria ingenuidade, mas isso é assunto para o próximo post.

quinta-feira, 5 de março de 2009

A vergonha alheia

É um sentimento normal, pelo menos para mim. Estou ali sentado, vendo televisão, e então aparece uma pessoa que vai se colocar numa situação ridícula qualquer, ela não liga e eu vou ficando nervoso, mudo de canal, saio da sala, vou ao banheiro, fujo dali. As vezes eu acho que sou o Cristo da Vergonha, alguns teístas acreditam que Jesus veio para nos livrar dos pecados, eu acredito que vim para livras as pessoas da vergonha, um mártir que absorverá e sentirá toda a vergonha do mundo e não morrerá, mas ficará vermelho e nunca mais sairá de casa, obrigado a assistir a programas de calouros e de auditório indefinidamente, já que o senso de ridículo está em falta.

O homem é o único ser que sente vergonha, pelo menos que eu saiba. Algumas pessoas, horrorizadas, afirmam que já se perdeu totalmente a vergonha quando vêem mulheres com pouca roupa ou certas coisas assim, desavergonhadas, que os outros fazem. Aliás, aqui o correto seria dizer que as pessoas estão perdendo a vergonha novamente visto que o homem original e a mulher original, segundo a Bíblia e alguns teístas, foram feitos sem vergonha. Está ali, no Gênesis: "E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam." Ou seja, deus fez dois grandessíssimos sem vergonhas e depois não gostou que o troço degringolou. Pior ainda, deus deve ter feito a serpente quando fez os répteis ali no quinto dia, ou seja, devia ter desconfiado que ia haver confusão.

Eu, se fosse uma dessas pessoas desavergonhadas, quando pego fazendo alguma sem-vergonhice, quando criticado ou ameaçado pelas pessoas vigilantes da moral e dos bons costumes, eu iria dizer: "Foi Tupã (o primeiro deus nacional) quem me fez assim, um grande sem vergonha, a culpa não é minha!" Admito, eu até posso ser pego numa dessas. Prometo entretanto que nunca me verás na TV, cantando desafinado, contando piadas ou tentando ser um participante do big-brother. Prometo que nunca te farei sentir vergonha por mim ou morrerei tentando.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Como fazer amigos

Depois de algum tempo longe eis que volto à ativa. Andei um pouco ocupado, talvez com preguiça, nunca sem idéias (que agora nem levam mais acento, vejam só), é claro, porque elas estão sempre ali. Esses dias me ocorreu que estou no ramo errado, eu devia estar escrevendo livros com aquelas coisas óbvias ou impraticáveis dos livros de auto-ajuda. Então vamos lá, seguindo nessa linha começarei com algo importantíssimo hoje e sempre: como fazer e ter amigos, muitos amigos. Quem quiser me pagar, favor enviar o dinheiro, não precisa nem se preocupar com despesas, basta pedir um real a cada um de seus novos amigos, se bem que pedir dinheiro é uma forma de espantá-los, sei lá, dê um jeito ou espere meu novo post: como ficar milionário (ou Zé Rico). Vamos nessa então:

É sabido daquela genial frase, queria que fosse minha, que "Zeus (ou Tupã, escolha seu deus) deve amar os idiotas, pois os fez aos milhares". Muito bem, aceitando essa verdade você só precisa agir como completo idiota para agradar à grande maioria da população, o que abrirá as portas para novas amizades. Você, neste momento, deve estar me achando um charlatão do tipo que apenas fala o que fazer, mas não como fazer. Muito bem, aqui vai uma dica:

Som no carro. A idéia aqui é: quanto maior o volume melhor. Instale aqueles altofalantes no seu carro e obrigue todas as pessoas a ouvir o que "todo" mundo gosta. Não seja tímido, não tenha medo de ficar surdo, o volume tem que ser máximo. É claro que alguns não vão gostar, mas estamos falando de quantidade aqui, não de qualidade. Calypso, Psirico, Aviões do Forró e coisas do tipo. Muito na moda qualquer versão forró (em português, brasileiro para os íntimos) de alguma música de sucesso (da novela das oito). Não, nem pense em Chico Buarque, Cazuza ou Beethoven, você quer amigos, lembre-se disso, nada de compositores/artistas menores, que ninguém conhece. Não esqueça de manter todos os vidros abertos e passear por lugares com bastante quantidade de semáforos, você vai começar a ser visto e admirado pelo seu bom gosto e generosidade com os mais infelizes que não tem dinheiro para ter carro ou som no carro. Se quiser ser visto como especial mesmo dê algumas voltas em torno do hospital de sua cidade, é uma ótima idéia para animar os pobres pacientes que estão em recuperação.

E então, uma dica está dada, quer mais? Envie um cheque e seu e-mail e lhe brindarei com mais pérolas de sabedoria. Quer compartilhar suas próprias idéias? Comente, talvez escrevamos "o livro definitivo" juntos.