sexta-feira, 18 de julho de 2008

As mini putas

Seguidamente eu as vejo nas ruas e/ou shoppings da cidade, mais em Brasília do que aqui em Feira, mas eu as vejo: as mini putas. Crianças, seis, sete, nove anos, lá estão elas de salto alto, maquiagem e demais acessórios destinados às mulheres, mas nunca às crianças. Isso nunca deixa de me impressionar.

Se eu avistasse uma criança assim na rua, sozinha, eu até poderia pensar que ela decidiu se vestir assim e como não tem responsável resolveu imitar a mocinha (ou coroinha se passando por mocinha) da novela e então a minha perplexidade seria menor, mas não, eu sempre as vejo junto de pais e mães, as mini putas. Impressionante.

Vivemos tempos difíceis, a pedofilia (que tenho certeza que sempre existiu) agora é mais divulgada e mais fortemente combatida (não preciso falar que com razão), mas então vemos esses pais e mães na contramão. Vestindo suas crianças como adultas, com saltos altos e tudo o mais, como se fossem mulheres, as suas crianças. Além da conotação sexual que há, existe também os problemas de postura imagino, já que uma criança ainda não formada, em crescimento ainda tem que lidar com algo anti-natural como um salto alto.

No final de semana eu estava vendo um documentário, acho que na GNT. Tratava dos concursos de misses para crianças. Um filme atual, o "Pequena Miss Sunshine" trata disso, entre outras coisas. É algo impressionante. Um festival de mães gordas, talvez tentando superar sua baixa auto-estima através de uma suposta "beleza feminina" de suas filhas, competindo e forçando suas crianças cansadas e não mais se divertindo em ensaios que duram a noite toda, um festival de insanidade que deveria ser proibido.

Eu imagino que esse tipo de concurso tenha começado inocentemente, com meninas sendo meninas e desfilando com a roupa que estavam, naquela imitação saudável que as crianças fazem dos adultos. Entretanto, imagino de novo, a coisa foi desvirtuada a ponto de vermos uma completa imitação dos concursos de misses adultas, com desfiles em trajes de banho (para analisar o quê? as curvas rechonchudas ou descarnadas de uma menina de 5 anos?) e até, pasmem, o uso de dentes postiços e apliques no cabelo. Qual será o próximo passo, pergunto? Seios falsos? Bunda falsa?

Eu fique assistindo aquilo, enquanto pude porque não pude ver tudo, estava muito revoltado. Seria revoltante se algumas pessoas doentes pegassem os filhos das outras para fazer isso, mas é mais revoltante ver as próprias mães o fazendo. Alguns vão dizer que as crianças gostam, mas aquilo tudo deixa de ser diversão muito rapidamente, pode apostar, aquilo não é diversão, não para crianças.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Voar é chique

Estive viajando novamente, dessa vez para o interior de Minas Gerais. Ir do interior da Bahia para o interior de Minas significa passar por São Paulo, significa conexões, significa muitos pousos, muitas decolagens e muito tempo em aeroportos. Passar muito tempo em um aeroporto pode ser uma chatice, mas pode ser também uma boa oportunidade de observar os tipos que por lá circulam.

Ainda há pouco tempo atrás voar era "um evento". Quem voava era quem tinha dinheiro, muito. Então voar era com os pássaros e com os digamos, chiques. Até que as passagens começaram a ficar mais baratas e o povão (talvez nem tanto) teve acesso aos prazeres da aviação comercial. Entretanto ficou uma espécie de eco daqueles tempos, você pode notar.

Cheguei no aeroporto de Salvador às 2h30min da manhã (é claro) e fui procurar um lugar para sentar e ler um pouco. Havia um certo movimento e coisa e tal, alguns dormindo, outros sentados, alguns passando, mas passaram por mim dois sujeitos de óculos escuros. Óculos escuros? Sim, às duas da manhã, dentro do aeroporto. Um deles, notei, carregava um violão. Na mesma hora eu pensei, devem ser alguns dos pseudo-famosos nacionais, mas não reconheci ninguém. Mais tarde eu concluí que os mesmos eram músicos da Leci Brandão, já que as vi junto com a mesma. Então está explicado, artista é artista pô, eles têm olhos mais sensíveis e tals. Têm que se proteger dos "flashes" das câmeras e tals, não podem andar ali no aeroporto como simples mortais sem óculos escuros.

Além dos artistas eu pude notar mais algumas pessoas que, eu tenho certeza, se vestiram para voar. Saca se vestir para voar? Tu pode notar que ela está com uma "roupitcha" especial, óculos escuros, talvez uma echarpe, botas, botas são importantes. É engraçado. Tudo um eco, tudo um eco de épocas passadas onde voar era chique e, tal qual uma festa chique, exigia um traje não casual, nem "esporte fino", mas algo assim mais "cheguei", um vestido, smoking, maquiagem, alguma coisa que combine com a barrinha de cereais que vão te dar lá dentro do avião.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Na selva ou Falso, eu?

Ontem me aconteceu uma coisa engraçada. Havia saído para comer no shopping, à noite, tinha que ir ao supermercado, essas coisas. Eu geralmente pago as minhas coisas com o débito no cartão do banco, mas ontem eu estava com dinheiro na carteira e resolvi pagar assim. Então eu entreguei ali a nota para a moça, vinte reais. A moça começou a examinar a nota, atentamente, na minha frente, naquela tentativa de saber se a nota era falsa ou verdadeira.

Eu fiquei envergonhado. Para ela foi uma coisa muito normal. Eu fiquei envergonhado porque, bom, eu não sou um falsificador, nem faço parte de uma quadrilha, nem tou tentando "lavar dinheiro" por aí. Se eu trabalhasse no comércio eu nunca iria conseguir fazer isso na frente de um cliente, e se fizesse eu iria morrer pedindo desculpas depois, ia dizer: _ Nada pessoal senhor ou senhora, é o Brasil né? E então dar um sorriso amarelo.

Eu podia ter feito o mesmo com o troco que ela me deu, isso me ocorre agora, e isso seria também normal para ela, acho. Eu fiquei envergonhado por ela pensar que eu poderia estar dando (voluntária ou involuntariamente) um golpe, mas fiquei mais envergonhado ainda quando percebi que isso é uma coisa necessária em nosso país: não baixar a guarda nunca, ficar sempre prestando atenção, pois a qualquer hora, a qualquer momento, alguém vai tentar te roubar, extorquir, enganar, te passar para trás.

Eu me lembro imediatamente daqueles programas do Discovery Channel, na savana africana, os gnus e outras presas sempre naquela tensão, sempre naquela apreensão. É claro que dá para relaxar no Brasil e na selva, até dá, mas daí meu irmão, as chances de tu ser comido aumentam muito, tu podes até escapar e vai, eventualmente, mas daqui a pouco tu já era. O que a moça do caixa fez, ela fez sem pensar, foi um ato reflexo. Aquela ali aprendeu que na selva não se relaxa, nunca. E tu aí? Está relaxado agora?

sábado, 7 de junho de 2008

Eu transito

Eu estou sempre correto em qualquer situação envolvendo trânsito, e vocês, estão sempre errados.

Se estou a pé eu tenho a certeza de que os veículos todos têm que me respeitar, já não basta eu estar ali, suando, tomando sol ou chuva e o meu semelhante sentadinho, ouvindo um rádio e no ar condicionado? Eu, portanto, vou atravessar a rua na velocidade mais baixa que eu puder, encarando o motorista safado, castigando-o e mostrando quem é que manda. Ele que espere, o inimigo do povo, burguesinho que tem um carro.

Se estou de carro eu acho que os pedestres são todos recalcados porque não têm carro. Eu quero é chegar lá e quero chegar depressa. Esperar não é comigo, saiam todos do meu caminho e já! O mesmo vale para quem trafega de bicicleta. Vão andar em outro lugar, que peguem um ônibus, de preferência todos no mesmo ônibus para que a cidade não fique muito cheia destes e que não me atrapalhem também.

O mesmo vale para as outras pessoas que estão dirigindo. Por que não estão andando? Motos, carros, ninguém sabe aonde está indo. Ninguém acelera imediatamente assim que o sinal abre, pior, ninguém acelera antes mesmo do sinal abrir. Eu tenho a absoluta certeza de que tenho o direito de parar aonde eu quiser, como eu quiser e quando eu quiser, estacionar nem se fala, eu buzino para todo mundo, dou sinal de luz (principalmente se estiver aqui em Feira de Santana), eu faço gestos de impaciência.

Por que eu sou um animal! Eu deixo de ser um cidadão, mesmo que eu seja normalmente um mau cidadão. Eu quero matar ou morrer tentando matar! É assim que eu sou! Adicione a isso tudo, a esse meu instinto assassino e egoísta, a falta de leis, ou falta de cumprimento das leis, a falta de fiscalização, a minha falta de educação e consideração com os outros, a minha idéia de que sou o monarca de toda a rua e você chegará ao que temos hoje. A selva de que tanto sentimos falta em nosso íntimo selvagem está recriada aí fora, sobre o asfalto ou a pedra. Só o mais forte sobreviverá.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Renomeando II

Há alguns dias atrás escrevi a respeito da nova nomenclatura que algumas coisas ou situações recebem ou receberam, numa tentativa de torná-las mais bonitas e (ou) dignas. Algo do tipo, meu emprego é uma droga, mas pelo menos tem um nome pomposo ou só pude comprar um carro usado, mas posso chamá-lo de semi-novo. Hoje eu volto atrás nessa questão pois tenho visto algumas manchetes de internet e de revistas na fila do supermercado.

A primeira expressão que gostaria de comentar é "affair", que quer dizer, no bom e velho português, para a situação em questão, caso. Tenho visto muito essa expressão ultimamente: "Fulaninha admite (ou não) affair com Beltraninho." Quer dizer, Fulaninha está tendo um caso (ou não) com Beltraninho. Quer dizer, Fulaninha está dando (ou não) para o Beltraninho. Eu não vejo nada de errado em dar (ou receber) na verdade, é uma coisa natural e acontece desde os tempos das cavernas, mas sei lá, não pega bem ficar falando por aí que Fulana está dando. O mesmo acontece com a palavra caso. Quando eu era criança, caso soava sempre como uma coisa fora-da-lei social, dos bons princípios morais e cristãos, era uma coisa assim, por baixo dos panos. Agora "affair" não, affair é inclusive em inglês, que todos sabem que é mais bonito que português e tal. Affair então, mesmo que a Fulana esteja somente dando.

Outra expressão que é típica aí de uma revista nacional, revista essa de suma importância para o crescimento do país é essa: "Fulaninho, o mais novo membro do clã (nome da família em questão)." Clã? Faça me o favor! O que a revista ou o jornalista querem dizer com isso? Acho que tenho uma idéia. É alguma coisa do tipo: família tem tu, ô Zé Povinho infeliz que nos enriquece comprando essa revista para ver como vivem as pessoas que têm uma vida que tu não mereces por ser um plebeu miserável que não chegas nem aos pés dela, esse pessoal aqui tem é clã (ou forma um), uma coisa muito mais chique e importada do estrangeiro como tudo que de fato é chique.

Então tá. Fulaninha, do "clã" Tal está tendo um "affair" com Beltraninho que tem o "título" de ex-BBB. Realmente fica mais bonito do que: Fulaninha da família Tal está dando para Beltraninho que não é nada ou ninguém atualmente, mas que apareceu na TV por alguns meses.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Por que me ufano II

Tive alguns problemas com meu servidor de internet por aqui, isso me fez perceber outra interessante peculiaridade sobre o meu Brasil varonil: aqui até o capitalismo não funciona muito bem. Vejam bem, estamos acostumados a pagar impostos (e muitos) e o nosso governo não nos dar quase nada em troca. Isso é inaceitável, naturalmente, mas as pessoas acabam por deixando como está. O que acontece, o que quero afirmar nessa postagem é o seguinte: a iniciativa privada segue o mesmo caminho! Essa é a novidade nacional!

O que aconteceu comigo, o que já aconteceu contigo é isso. Tu precisas de um serviço, tu ligas para a empresa ou prestador, tu eventualmente terás de esperar, intervalos de tempo que podem chegar a uma semana. Eu não sei, mas eu acho que a máxima do capitalismo é faturar mais e sempre e mais rápido. No Brasil não, no Brasil é assim, tu pagas e nós te atendemos se quisermos e quando pudermos, não temos muita pressa não, não queremos ganhar mais em menos tempo, na verdade não estamos nem aí para ti, quer, quer, não quer, não quer.

A minha operadora de internet, veja você, eu tinha agendado a instalação em um prazo de 72h, com um final de semana no meio, o que significa que vou esperar o final de semana mais as tais horas. Acabei ligando para confirmar no dia limite para a instalação e me atendeu uma moça que me pediu para ligar de novo, para outro ramal. Não entendi porque ela mesmo não transferiu, mas tudo bem, liguei. Atendeu uma outra fulana e me pediu para ligar mais tarde. Eu disse que não, que já havia ligado duas vezes e eles que deveriam me ligar. A resposta foi impressionante: não ligamos para celular! Quer dizer, eu ia pagar cento e cinquenta reais só de instalação, eu era o cliente, eu iria pagar mensalidades e tal. Mas eles não podiam gastar vamos lá, exagerando, quatro reais para me ligar? Que tipo de capitalismo é esse?

O Brasil é realmente um país impressionante. Na cartilha do capitalismo deve estar: "o cliente tem sempre razão", "faremos de tudo para que esse cliente queira nos pagar" e coisas do tipo, mas aqui não. Acho que a idéia dos ISO9000 que foram moda saíram daí. Aqui, mesmo tu pagando caro, por um serviço de qualidade geralmente duvidosa os caras agem como estivessem te fazendo um favor, de má vontade. Nem o capitalismo funciona direito por aqui, quer dizer, impressionante!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Por que me ufano I

Nos últimos dias tenho sido tomado por aquele sentimento novamente, você já deve ter sentido, a vontade de ir embora. Fazer as malas, sair correndo, deixar a casa aberta e me mandar daqui. Esse sentimento se fortaleceu um pouco mais, acabo de ver os resultados de uma pesquisa muito interessantente sobre os hábitos de leitura dos brasileiros. A fonte é essa. Segundo vocês podem ver na pesquisa, os livros mais importantes são esses, pela ordem:

1) Bíblia
2) O Sítio do Pica-pau Amarelo
3) Chapeuzinho Vermelho
4) Harry Potter
5) Pequeno Príncipe
6) Os Três Porquinhos
7) Dom Casmurro
8) A Branca de Neve
9) Violetas na Janela
10) O Alquimista
11) Cinderela
12) Código Da Vinci
13) Iracema
14) Capitães de Areia
15) Ninguém é de Ninguém

O primeiro é claro, é hour concur, já que é o livro que o próprio Deus escreveu e jogou aqui para baixo. Além disso, todo mundo sabe que as pessoas geralmente não lêem nada mesmo, mas têm vergonha de admitir, porém existe um livro que todos conhecem, que todos sabem o nome, esse livro é a Bíblia. Mais ainda, afirmar ler a Bíblia é uma coisa bonita e que pega bem, ninguém, tirando eu talvez e mais alguns, iriam criticar esse tipo de resposta.

Gostei muito também do terceiro colocado. Fiquei lá, imaginando, o brasileiro médio chegando em casa cansado do trabalho, tomando o seu banho, fazendo sua ceia ou lanche ou jantar já de pijama de flanela, se recostando em sua poltrona e se deliciando com esse livro cheio de intrigas, aventura, suspense, sem falar das importantíssimas lições de moral e subjetividade, uma história que ninguém conhece aliás, O Chapeuzinho Vermelho. O mesmo vale para os três porquinhos, a Branca de Neve, a Cinderela.

É de chorar. Simplesmente de chorar, esses são os livros mais importantes para o brasileiro médio? Não, esses são livros que ele ouviu falar, que leu quando ainda lia, quando era criança. Se essa pesquisa fosse para ser levada a sério a conclusão seria de que o brasileiro busca toda a sua cultura nas novelas, nos filmes dublados do Stallone e agora do Vin Diesel, no American Pie, no Axé e no Funk Carioca. Um povo que admira mais o Edir Macedo (como escritor e talvez pessoa) do que o Castro Alves.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Salve-nos Agnaldo!

Mudei há pouco mais de um mês, saí do Distrito Federal e vim para a Bahia, até ia escrever sobre isso, mas a postagem está lá, guardada. Hoje vou falar sobre outra coisa. Acabei escolhendo uma casa, em um condomínio fechado, existem vários aqui na cidade, é barato, se compararmos com o custo de vida em Brasília, mas podemos admitir que não é um lugar que se caracteriza por abrigar pessoas com poucos recursos financeiros.

Tenho vizinhos, vizinhos que não são pobres, pessoas simpáticas, mas com um costume que me incomoda bastante. As pessoas que moram na casa ao lado da minha fazem isso: Elas varrem a sujeira de sua casa, do tamanho que for, em direção a rua. Eles deixam essa sujeira lá. Não preciso te dizer que essa sujeira se espalha, fica emporcalhando a frente da casa deles e a da minha. Eu varro a sujeira da minha casa também, entretanto eu junto essa sujeira com uma pá e a coloco no lixo. Eu entendo que a rua que a frente da minha casa, bem como a rua em que moro, bem como a cidade em que vivo são minha casa também. Eu me acho responsável por tudo isso. Meus vizinhos acham que não.

Meus vizinhos são criaturas comuns, por comuns eu quero dizer que existem vários iguais. É claro que isso é um problema de educação, mas menos claro é que isso é um problema cultural, onde impera o individualismo e o desejo de não se ter responsabilidades. Eu passo o problema para a frente, eu admito, bom, a minha casa deve ser limpa e isso depende de mim, agora, a cidade quem tem que manter limpa é a prefeitura. Eu jogo o papel no chão, alguém há de limpar. As pessoas jogam tudo que acham que é lixo no chão, mesmo estando de carro. Elas não conseguem simplesmente guardar aquele papel de bala até chegar no seu destino e então colocá-lo em uma lixeira. Isso não cabe no meu pensamento! Mas as pessoas fazem.

Agora há pouco houve essa epidemia de dengue no Rio. Eu vi que em algum lugar as pessoas resolveram se unir e limpar um terreno baldio (possivelmente cheio de lixo). Eu vi que as autoridades, temendo uma indisposição da população e a proximidade das eleições, não alertaram que as pessoas não haviam feito suas obrigações e evitado assim focos do mosquito. Quer dizer, as pessoas sabem que a dengue mata, as pessoas não fizeram nada para minimizar a reprodução do mosquito. Imagina um papel de bala, um maço de cigarro, uma lata de cerveja. Essas coisas não matam fácil assim.

Minha única esperança, minha última, é que um dia o Agnaldo Silva, ou qualquer outro autor de novelas, crie um personagem que seja asqueroso e mau, aqueles maus de novela que são maus vinte e quatro horas por dia, tem que ser alguém feio também, que não goste de samba, de futebol, do Créu e do ganhador do Big Brother. Esse personagem tem que ser um sujão, andar de carro por aí, com o som do carro no máximo, obrigando as pessoas a escutar a música de péssima qualidade que ele escuta e jogando tudo que é tipo de lixo no chão. O mocinho, o típico brasileiro lutador, que vence as dificuldades com muito jogo de cintura, em uma dessas vezes tem que enxergar o vilão fazendo isso e dar a surra (que me parece que virou coisa comum nas novelas, pelo menos pelas revistas que vejo perto do caixa do supermercado) no vilão, fazer ele juntar tudo o que jogou no chão e dar uma lição de moral no porcão. Isso em cinco novelas seguidas, numa campanha que se assemelhe a uma lavagem cerebral. Talvez, talvez as pessoas comecem a perceber que são responsáveis pelo lugar onde vivem, resolvam deixar as ruas e, de lambuja, seus governos limpos. E viva o povo brasileiro!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Renomeando

Esses dias fui no supermercado. Lá tinha a foto de uma moça, jeito simples, uniforme de trabalho. Abaixo da foto estava escrito: "associado do mês". Eu fiquei feliz. Meu primeiro impulso foi procurar a moça, perguntar quanto ela ganhava nessa sociedade e, talvez, perguntar como eu mesmo poderia me tornar sócio. Ia ser muito chique dizer, quando perguntassem, o que eu fazia:

_ Olha, eu sou sócio de um supermercado, a sociedade é assim, eu trabalho vinte mil horas por mês, inclusive aos domingos e ganho um salário mínimo!

Eu fico me perguntando quem é que engole essa? Ninguém, é claro, mas alguém alguma vez, por acaso, deve ter dito que isso faria bem para a auto-estima dos funcionários, um diálogo do tipo entre o administrador regional e o gerente:

_ Vamos chamá-los de sócios!
_ Quem?
_ Ora, os funcionários! Isso elevará o moral dos rapazes e das garotas, fará com que se achem mais importantes, serão mais felizes e renderão mais!
_ Não seria mais eficaz pagar mais?
_ Você está demitido!

Fato é que os novos nomes surgiram de algum lugar de fato que ninguém mais é empregado, é associado ou então colaborador. Ninguém mais está desempregado, mas sim disponível no mercado. Ninguém é deficiente mental ou físico, é especial! Agora não me ocorre nenhuma outra expressão usada para dizer algo quando temos vergonha de dizer a verdade, mas elas estão aí, a nossa volta e aos montes. Estou apenas esperando o momento do desvirtuamento total dessa "técnica", pois isso acontecerá, como toda criação da humanidade que acabou sendo desvirtuada. Tenho até algumas idéias:

- Amante das crianças: novo e bonito nome para pedófilos.
- Redistribuidor de renda: ladrão.
- Caridosa sexual: puta.


E você, amigo leitor? Lembrou de algum nome pomposo para alguma atividade medíocre ou condição? Tem alguma sugestão para novos e elegantes nomes para coisas que nos incomodam?

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Caminhonetões

Tenho acompanhado vários comerciais anunciando esses veículos além de vê-los cada vez mais nas nossas ruas e estradas. São caminhonetes grandes, imensas, imponentes, caminhonetões mesmo, cada vez maiores. Sou do tempo em que as pessoas usavam caminhonetes para fins profissionais, para transporte basicamente. Eram as F100 (mais tarde F1000) da Ford, as Veraneio (depois D20) da Chevrolet e deu para a bola até que, até que alguém resolveu inventar a cabine dupla e então ninguém mais as parou e então hoje vemos caminhonetes do tamanho de navios, sem exagero. Certo, talvez um pouco de exagero. Elas são lindas, é claro, o pessoal capricha no desenho. Elas são poderosas, é claro, o pessoal tasca cavalos no motor. Nunca dirigi uma, mas acredito que o motorista deve sentir uma injeção de testosterona, deve se achar uma pessoa muito poderosa e confiante. Eu penso nessas caminhonetes como uma grande vitória do "american way", do consumo desenfreado e do excesso supremo de conforto, algo do tipo: "preciso apenas me movimentar daqui até lá, mas vou gastar o máximo de energia para fazer isso e vou ocupar o máximo de espaço já que esses são disponíveis e baratos".

A minha pergunta é: só eu que vejo uma certa incoerência aqui? Veja bem, antigamente havia menos gente e mais espaço. Estacionar era uma operação normal e rotineira, era fácil achar uma vaga e botar ali o seu Fiat 147 ou Passat. Atualmente as coisas são diferentes, em Brasília, onde morei até pouco tempo, uma vaga é uma coisa disputada a unhas e dentes, é uma coisa rara. É claro que o proprietário de um veículo desses pode pagar um estacionamento e tudo o mais, mas mesmo assim. Além disso, se não pensarmos em estacionar, mas simplesmente andar, eu imagino que uma coisa daquele tamanho vai ser mais complicada de se guiar em um engarrafamento, mesmo com a direção hidráulica e todo o conforto que esses veículos devem ter. Outra coisa que me incomoda bastante é que estamos no auge da conscientização mundial sobre os efeitos da emissão de gases e do aquecimento global. Eu não sei não, mas eu acho que um carrão daquele tamanho, por mais avançado que seja seu motor, é um agente poluidor bem mais eficaz que um carro com um motor semelhante, só que menor. Então, um carro desse tamanho está meio que atravancado na contramão do ambientalmente correto.

E então leitor? Você teria, se pudesse, um carro do tamanho de um dinossauro? O que você acha disso tudo?

terça-feira, 8 de abril de 2008

Capecetes e Hierarquia

Fui ali comprar uns adesivos para colar no meu capacete. Pois é, eu ando de moto apesar de todos ficarem repetindo que é perigoso e apesar de ter certeza que é mais perigoso que andar de carro. Não posso com a repetição da frase: "moto foi feita para cair". Sempre que me falam isso eu pergunto se os aviões também não foram e se os navios não deveriam afundar, é o velho esquema do ouve e repete, sem pensar muito... Mas não era disso que quero falar. Fui comprar os adesivos porque o novo código de trânsito exige que o capacete os tenha, paguei lá o preço e colei ali os tais adesivos, bueno, tenho certeza de uma coisa: Em nenhuma circunstância os tais adesivos vão me salvar em um possível acidente! Nunca, eu tenho certeza, nunca alguém vai passar por mim na estrada ou rua e dizer: "Olha rapaz, esse adesivo aí acaba de salvar a tua vida, eu só te vi, um cara grande numa moto grande, com os faróis ligados, graças a esse adesivo que tu tens aí colado no teu capacete". Bom, essa história é bem parecida com o kit de primeiros socorros que os carros tinham ou têm que ter, tá lembrado? Eram uma gazes, uns esparadrapos e outras tranqueiras. Coisas que supostamente iam salvar a vida das pessoas com hemorragia interna ou fratura exposta que tinham acabado de bater seu fusquinha num caminhão. Eu tenho certeza que o malfadado kit, que todos tinham que comprar, nunca salvou uma vida. Nunca!

Acontece, e é nesse ponto que quero chegar, que os agentes da lei haviam de fiscalizar a presença do tal kit juntamente como devem fiscalizar hoje a existência dos tais adesivos. Eu nunca poderia ser militar é isso que queria dizer. O militar tem que obedecer ordens e tem que obedecer hierarquia. Imagina só, tu ali, na frente do pobre infeliz sem os adesivinhos no capacete. Tu sabendo que não faz a mínima diferença para a segurança dele se os adesivos estão ali ou não, mas tu tendo que advertir ou multar essa pessoa. Eu nunca ia fazer isso. Eu iria mandar ele sumir da minha frente e ainda ia falar mal do formulador da lei, dos meus superiores que me instruíram a cumpri-la e dos meus colegas que a estivessem cumprindo. Pior, se algum jornalista me ouvisse falando isso iria publicar numa matéria do tipo: "o próprio agente da lei fomenta o seu descumprimento". Eu ia ser expulso da corporação e o escambau. Eu nunca seria um bom soldado, eu nunca seria um bom militar porque eu tenho essa mania de pensar. Se a ordem fosse absurda ou contra meus princípios eu a repudiaria. Eu fico pensando nos caras que vigiavam os campos de extermínio da Alemanha Nazista, eles estavam cumprindo ordens. A pergunta que fica é: Eles eram/são culpados pelos seus atos? A resposta não é tão simples como pode parecer...


segunda-feira, 7 de abril de 2008

Hipocrisia e Egoísmo

Eis dois sentimentos que, como dizem os americanos, "rule"! Estão acontecendo os preparativos, as festas e as movimentações para as próximas olimpíadas na República Popular da China e muita gente está festejando. Os brasileiros estão ansiosos na expectativa de nossos atletas baterem recordes de medalhas conquistadas, nossos jornais (escritos e falados) dedicam espaço para notícias olímpicas, há uma grande euforia. É claro que dedica-se espaço para mostrar-se os protestos e as manifestações anti-governamentais naquele país e no mundo, mas não se discute muito além disso. Estranho...

Todo mundo sabe o que acontece naquele país asiático, a falta de direitos individuais dos cidadãos, a exploração da mão de obra, a invasão e o domíno do Tibet etc. Todo mundo repudia o que por lá acontece, no mínimo lamenta, mas... Mas todo mundo está muito feliz excitado e contente com a oportunidade de participar, cobrir e assistir os jogos olímpicos! Todos! Eu sempre ouvi meus pais falando das "más companhias". Acho que todo mundo já ouviu e já repetiu essa frase: "Diga-me com quem andas e te direi quem és". Ela quer dizer: "Olha, não adianta tu ser um bom menino, se a polícia te pega andando com o João Ladrão ela vai te levar junto etc e tal". Engraçado...

Eu não consigo deixar de perguntar o porquê disso tudo e eu não consigo deixar de responder também. As pessoas fazem de conta que não sabem que o Governo Chinês faz o que faz porque elas são hipócritas e egoístas! Todas elas vão ganhar alguma coisa com essa Olimpíada, pelo menos os atletas e os meios de comunicação. Todas elas até o Zé Povinho que apenas ficará lá torcendo pelo Brasil-sil-sil. Esse último vai ganhar menos, é claro, o Zé Povinho sempre ganha menos, vai ganhar alguns momentos de euforia, vai se achar orgulhoso de ser Brasileiro por alguns instantes ou dias e vai se sentir bem. Alguém inclusive vai falar que a única alegria dos brasileiros é o esporte e blá blá blá.

Acho que não precisaria falar aqui que tem muito dinheiro envolvido nisso tudo, imagino que os direitos de transmissão já foram comprados e os espaços comerciais já foram ou estão sendo vendidos. Quanto aos atletas, alguém vai dizer: "Puxa, a Olimpíada é de quatro em quatro anos, pedir que os atletas deixem de participar é exigir demais deles, coitados, eles apenas competem e não decidem nada." Pois eu digo que essa afirmação apenas reforça a idéia de que o Esporte pode ser alienante. Isso vai contra a mensagem que tentam nos passar há anos que o Esporte vai salvar o Brasil, que tira as crianças da rua e as transforma em cidadãs. Bueno, um bom cidadão deve pensar e escolher, estamos na contra-mão aqui já que ninguém está pensando muito. Não sou atleta, mas se fosse eu seria conta as Olimpíadas na China, eu não iria. Se todos fizessem isso, talvez os organizadores repensassem seus critérios na hora de escolher a sede dos próximos jogos.

Claro, alguém vai dizer que essa é uma boa tentativa para "abrir" e mudar aquele país. Mas eu não deixo de estranhar a diferença de tática que os países ricos e poderosos usam para "ajudar" os povos de diferentes lugares. Em alguns eles aplicam o embargo e simplesmente ignoram a existência do país e do seu governo. É claro que esses são os países pobres e que não oferecem bons alvos para investimentos e não são grande consumidores. Acontece que existe muito dinheiro lá na China, para todo mundo, existem muitos consumidores e o investimento lá é garantido. Então... Então a gente faz de conta que está tudo bem. Até os Paladinos da Justiça, os Estados Unidos da América, até eles que levam a "liberdade" a todos os recantos do mundo, os bonzinhos, até eles não dão muita bola. A China não é democrática? Tudo bem! As long as they have money for us!

E você querido leitor? Vai assistir ao jogos? Vai entrar nessa? Eu sei que eu não vou...

terça-feira, 25 de março de 2008

Português

Pobre da nossa amada Língua Portuguesa dos tempos da professorinha e do colégio! O popular Português ou, como é conhecido intimamente, Brasileiro sofre! Eu mesmo devo fazer o rapaz (talvez já senhor visto que línguas envelhecem e morrem (vide Latim)) sofrer aqui neste blog, admito, não o conheço como gostaria, não o conheço como merece, porém eu tento, porém eu me esforço. Ele é genioso esse senhor, cheio de manhas e manias. Nada parecido com o jovial sutil e simplório Inglês que todos acham muito chique, mas que é bastantíssimo simples. Vejam bem, o pobre Saxão não tem nem acento gráfico e, portanto, nem proparoxítonas! Nunca poderia dizer bastantinho, bastantão ou bastantíssimo, não com uma palavra só e um grupinho de sufixos... Pobre Inglês simplório, pobre Português, incompreendido...

Mas não era isso que eu queria falar, não apenas isso, quer dizer, era isso, mas era mais a respeito de cartazes que eu vejo espalharam-se por várias cidades no país, pelo menos as cidades que ando visitando, cartazes que maltratam o pobre do Português, o coitadinho... Esses cartazes, você já viu, dizem assim: "Lava Jato". Ora leitoras e leitores, todo mundo sabe que os rapazes que ali estão nesses estabelecimentos os quais afirmam se dedicar à atividade de lavar jatos, eles lavam carros na verdade! Não adianta vir um engraçadinho e dizer que os carros são muito rápidos atualmente e coisa e tal... Eu sempre fico imaginando a situação: o rapaz ali atônito, olhando para cima, meio nervoso, coçando a cabeça para disfarçar enquanto um Harrier (saca Harrier? Aquele avião que pousa e decola na vertical, aquele que o Scharze pilota naquele filme, o True Lies) pousa ao lado dele, o piloto salta fora do cockpit, joga as chaves para o rapaz (suponha que avião tem chaves) e manda caprichar na cera. Aí sim, aí teríamos um lava jato, lava jatos se ele gostasse do serviço e trouxesse o Tom Cruise também, imagine, a música do Top Gun rolando e o lavador ali feliz da vida, agora sim eu trabalho num lava jatos!

Não é isso, entretanto, que pobres pessoas querem dizer com os cartazes. Eles apenas querem afirmar que lavarão seu fusquinha muito rapidamente, ou seja, à jato! Lava à jato! Aí está! Dessa forma, se você tem o raciocínio lento ou é um estrangeiro que está recém aprendendo a Língua Portuguesa (ou o Brasileiro se preferir) e nunca tinha entendido muito bem como aviões a jato ou qualquer outra espécie de jatos seriam ali lavados ou ainda, vivia pensando se existe uma demanda grande assim por estabelecimentos que lavem jatos tão longe do aeroporto, acalme-se, não era nada disso. Era apenas alguém, como se diz coloquialmente, assassinando o Português. Atentem então professorinhas (ou professorazinhas), professoras e professoronas de todo o país, assim como professorezinhos, professores e professorões (lembre-se, o Inglês nunca poderia reproduzir isso seis palavras diferente para seis tamanhos diferentes) de todo o país, eu lembro que sempre me falaram que o correto era cabeleireira, com os dois "is", isso deve ter funcionado, desde criança não vejo um cabelereira com um "i" só...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Celular

Eu tenho, eu costumo carregar quando saio de casa, mas eu vivo sem ele. Por exemplo, eu saio de carro e muitas vezes eu deixo ele por ali se vou comer, fazer alguma compra ou se estou na academia. Se alguém quiser falar comigo nesse meio tempo não vai conseguir, de qualquer forma, assim que acabar meu almoço, minhas compras ou minha ginástica eu ficarei sabendo se alguém me ligou e quando. Eu poderei ligar de volta. Perfeito!

Eu confesso que às veze me acho um ET (igual àquele do filme), entretanto. Eu vejo as pessoas na academia carregando os seus celulares para cima e para baixo e fico imaginando quem é essa gente. Eu sempre acho que são cirurgiões, talvez bombeiros ou super-heróis, alguém que precisa ser encontrado naquele exato momento ou será tarde demais. No entanto, sempre que alguém recebe uma ligação na academia e eu estou por perto, nunca parece ser um assunto assim, de vida ou morte, nunca ninguém ficou dando instruções de como deveria ser feita uma incisão e nunca uma pessoa saiu correndo da academia após essa ligação.

Temos um "esquema" eu e minha mulher, temos um telefone fixo e um celular que são compartilhados, algumas vezes o celular fica comigo, algumas com ela, de acordo com a ocasião. Quer dizer, o celular nos serve, como entendo que deveria ser. É nesse ponto que quero chegar. Eu não gosto da idéia de estar disponível, simplesmente não quero. Não vinte e quatro horas por dia. Você quer falar comigo? Você deve poder esperar um pouquinho. Deve ser por isso que tenho poucos amigos, deve ser por isso que pouca gente me liga para bater papo (outra coisa que não sei fazer é bater papo no telefone): a minha indisponibilidade. Um dos grandes prazeres que descobri na idade adulta é a não necessidade de atender o telefone, domingo pela manhã, domingo à noite. Isso é liberdade, o resto é propaganda de cigarro ou de carro.