terça-feira, 25 de março de 2008

Português

Pobre da nossa amada Língua Portuguesa dos tempos da professorinha e do colégio! O popular Português ou, como é conhecido intimamente, Brasileiro sofre! Eu mesmo devo fazer o rapaz (talvez já senhor visto que línguas envelhecem e morrem (vide Latim)) sofrer aqui neste blog, admito, não o conheço como gostaria, não o conheço como merece, porém eu tento, porém eu me esforço. Ele é genioso esse senhor, cheio de manhas e manias. Nada parecido com o jovial sutil e simplório Inglês que todos acham muito chique, mas que é bastantíssimo simples. Vejam bem, o pobre Saxão não tem nem acento gráfico e, portanto, nem proparoxítonas! Nunca poderia dizer bastantinho, bastantão ou bastantíssimo, não com uma palavra só e um grupinho de sufixos... Pobre Inglês simplório, pobre Português, incompreendido...

Mas não era isso que eu queria falar, não apenas isso, quer dizer, era isso, mas era mais a respeito de cartazes que eu vejo espalharam-se por várias cidades no país, pelo menos as cidades que ando visitando, cartazes que maltratam o pobre do Português, o coitadinho... Esses cartazes, você já viu, dizem assim: "Lava Jato". Ora leitoras e leitores, todo mundo sabe que os rapazes que ali estão nesses estabelecimentos os quais afirmam se dedicar à atividade de lavar jatos, eles lavam carros na verdade! Não adianta vir um engraçadinho e dizer que os carros são muito rápidos atualmente e coisa e tal... Eu sempre fico imaginando a situação: o rapaz ali atônito, olhando para cima, meio nervoso, coçando a cabeça para disfarçar enquanto um Harrier (saca Harrier? Aquele avião que pousa e decola na vertical, aquele que o Scharze pilota naquele filme, o True Lies) pousa ao lado dele, o piloto salta fora do cockpit, joga as chaves para o rapaz (suponha que avião tem chaves) e manda caprichar na cera. Aí sim, aí teríamos um lava jato, lava jatos se ele gostasse do serviço e trouxesse o Tom Cruise também, imagine, a música do Top Gun rolando e o lavador ali feliz da vida, agora sim eu trabalho num lava jatos!

Não é isso, entretanto, que pobres pessoas querem dizer com os cartazes. Eles apenas querem afirmar que lavarão seu fusquinha muito rapidamente, ou seja, à jato! Lava à jato! Aí está! Dessa forma, se você tem o raciocínio lento ou é um estrangeiro que está recém aprendendo a Língua Portuguesa (ou o Brasileiro se preferir) e nunca tinha entendido muito bem como aviões a jato ou qualquer outra espécie de jatos seriam ali lavados ou ainda, vivia pensando se existe uma demanda grande assim por estabelecimentos que lavem jatos tão longe do aeroporto, acalme-se, não era nada disso. Era apenas alguém, como se diz coloquialmente, assassinando o Português. Atentem então professorinhas (ou professorazinhas), professoras e professoronas de todo o país, assim como professorezinhos, professores e professorões (lembre-se, o Inglês nunca poderia reproduzir isso seis palavras diferente para seis tamanhos diferentes) de todo o país, eu lembro que sempre me falaram que o correto era cabeleireira, com os dois "is", isso deve ter funcionado, desde criança não vejo um cabelereira com um "i" só...

segunda-feira, 3 de março de 2008

Celular

Eu tenho, eu costumo carregar quando saio de casa, mas eu vivo sem ele. Por exemplo, eu saio de carro e muitas vezes eu deixo ele por ali se vou comer, fazer alguma compra ou se estou na academia. Se alguém quiser falar comigo nesse meio tempo não vai conseguir, de qualquer forma, assim que acabar meu almoço, minhas compras ou minha ginástica eu ficarei sabendo se alguém me ligou e quando. Eu poderei ligar de volta. Perfeito!

Eu confesso que às veze me acho um ET (igual àquele do filme), entretanto. Eu vejo as pessoas na academia carregando os seus celulares para cima e para baixo e fico imaginando quem é essa gente. Eu sempre acho que são cirurgiões, talvez bombeiros ou super-heróis, alguém que precisa ser encontrado naquele exato momento ou será tarde demais. No entanto, sempre que alguém recebe uma ligação na academia e eu estou por perto, nunca parece ser um assunto assim, de vida ou morte, nunca ninguém ficou dando instruções de como deveria ser feita uma incisão e nunca uma pessoa saiu correndo da academia após essa ligação.

Temos um "esquema" eu e minha mulher, temos um telefone fixo e um celular que são compartilhados, algumas vezes o celular fica comigo, algumas com ela, de acordo com a ocasião. Quer dizer, o celular nos serve, como entendo que deveria ser. É nesse ponto que quero chegar. Eu não gosto da idéia de estar disponível, simplesmente não quero. Não vinte e quatro horas por dia. Você quer falar comigo? Você deve poder esperar um pouquinho. Deve ser por isso que tenho poucos amigos, deve ser por isso que pouca gente me liga para bater papo (outra coisa que não sei fazer é bater papo no telefone): a minha indisponibilidade. Um dos grandes prazeres que descobri na idade adulta é a não necessidade de atender o telefone, domingo pela manhã, domingo à noite. Isso é liberdade, o resto é propaganda de cigarro ou de carro.