Lá vem chegando a Vossa Eminência, Sua Santidade, o Papa. Já se sabe de tudo ou quase tudo, o que o "pop-star" vai vestir, o que o "astro" vai comer, aonde o "representante de Deus na Terra" vai passar e tudo o que está por trás de uma visita tão ilustre, algo para fazer os Rolling Stones sentirem vergonha, esses aí não são ninguém, o grande hit é, sem dúvida nenhuma, Bento XVI.
Todo mundo que conheço, todas as pessoas que ouço falar, todas mesmo, nunca ouvi nenhuma dizer o seguinte: Olha, sou simpático ao George Bush. Acho o George Bush massa! Eu me pergunto e te pergunto: De onde vem essa antipatia? Eu respondo a mim e a ti: O Bush é muito poderoso, ele apita, ele dá as cartas, ele não tá nem aí, ele quer se garantir no poder, quer garantir o poder e hegemonia do seu país e, de lambuja, garantir seus interesses pessoais e de sua família que tem lá seus pocinhos de petróleo. O George não se importa se a Terra está aquecendo, ele não quer saber do resto, ele quer é faturar. Por isso todos o odeiam, por isso todos são, no mínimo, antipáticos a ele.
A questão agora é: qual a diferença? Não a diferença entre o charme e o funk, pois aquela maravilhosa música já nos explicou tão bem, mas qual a diferença entre o Bento e o Bush? Te digo que não é grande. O Papa e a Igreja estão aí para apitar. Estão aí para decidir sobre a vida de todos, a minha e a tua. Queres fazer um aborto? Ele dá um palpite. Queres fazer uma eutanásia? Ele dá uma opinião. Queres usar camisinha? Ele tem um ponto de vista definido. Queres transar feito um alucinado, antes do casamento? Há uma cartilha sobre isso.
O Brasil é um Estado laico, pelo menos deveria ser. Tem lá, nas sessões da Câmara uma Bíblia aberta, nossos representantes pedem a proteção de Deus. Poderia ter um Totem, uma cópia do Alcorão, uma imagem de algum Orixá, qualquer símbolo sagrado que quiseres imaginar, mas num Estado suposto laico, tem lá uma Bíblia aberta. Por quê? Por que as pessoas (deputados e senadores) têm medo. Medo de quem? Te digo que não é de Deus. O nosso legislativo tem medo da população. Para a população, e até mesmo para alguns dos nossos representantes, não acreditar em Deus é ir contra Deus. Eles não sabem, pobres coitados, que quem não acredita em Deus, acredita muito menos no Diabo (nome próprio para todo mundo aqui). E ir contra Deus é a mesma coisa que ir contra a mãe. A falsidade no Brasil começa por aí.
Esse é o poder de nossa Santidade. O poder do medo, algo parecido com o poder do George. Um medo lá é diferente do medo cá, mas tudo é medo em suma. Imagino que nos EUA deva existir alguém que apóia e concorda com as idéias do Bush, imagino que entre esses existem alguns que sabem que algumas barbaridades são feitas em nome da vontade do seu líder, entendo que essas pessoas prefiram fechar os olhos e dizer: tudo bem, os fins justificam os meios. O cara tá pouco se importando sobre o futuro do planeta, para a paz e o desenvolvimento da humanidade, mas o meu feijão, vá lá, meu bacon está garantido, o resto a gente vê depois.
Quanto ao Bento a história é mais ou menos assim. Tirando os fans mais ignorantes, porque esses sempre existem, acredito que muita gente está sabendo. As pessoas sabem que muitos morreram em nome de Deus, as pessoas devem conhecer que a Igreja absteve-se de opinar sobre o holocausto, as pessoas devem entender que se opôr à camisinha é uma bola fora, mas as pessoas devem pensar o seguinte: Bem, mas o meu lugarzinho no céu está guardado, o resto a gente vê depois.
Eu não gosto do Papa, eu não gosto do Bush, não gosto porque eles querem apitar a minha vida, eles são basicamente o mesmo, manutenção do poder "doela a quien doela". O triste, e o mais triste é que eles têm poder para isso...
Todo mundo que conheço, todas as pessoas que ouço falar, todas mesmo, nunca ouvi nenhuma dizer o seguinte: Olha, sou simpático ao George Bush. Acho o George Bush massa! Eu me pergunto e te pergunto: De onde vem essa antipatia? Eu respondo a mim e a ti: O Bush é muito poderoso, ele apita, ele dá as cartas, ele não tá nem aí, ele quer se garantir no poder, quer garantir o poder e hegemonia do seu país e, de lambuja, garantir seus interesses pessoais e de sua família que tem lá seus pocinhos de petróleo. O George não se importa se a Terra está aquecendo, ele não quer saber do resto, ele quer é faturar. Por isso todos o odeiam, por isso todos são, no mínimo, antipáticos a ele.
A questão agora é: qual a diferença? Não a diferença entre o charme e o funk, pois aquela maravilhosa música já nos explicou tão bem, mas qual a diferença entre o Bento e o Bush? Te digo que não é grande. O Papa e a Igreja estão aí para apitar. Estão aí para decidir sobre a vida de todos, a minha e a tua. Queres fazer um aborto? Ele dá um palpite. Queres fazer uma eutanásia? Ele dá uma opinião. Queres usar camisinha? Ele tem um ponto de vista definido. Queres transar feito um alucinado, antes do casamento? Há uma cartilha sobre isso.
O Brasil é um Estado laico, pelo menos deveria ser. Tem lá, nas sessões da Câmara uma Bíblia aberta, nossos representantes pedem a proteção de Deus. Poderia ter um Totem, uma cópia do Alcorão, uma imagem de algum Orixá, qualquer símbolo sagrado que quiseres imaginar, mas num Estado suposto laico, tem lá uma Bíblia aberta. Por quê? Por que as pessoas (deputados e senadores) têm medo. Medo de quem? Te digo que não é de Deus. O nosso legislativo tem medo da população. Para a população, e até mesmo para alguns dos nossos representantes, não acreditar em Deus é ir contra Deus. Eles não sabem, pobres coitados, que quem não acredita em Deus, acredita muito menos no Diabo (nome próprio para todo mundo aqui). E ir contra Deus é a mesma coisa que ir contra a mãe. A falsidade no Brasil começa por aí.
Esse é o poder de nossa Santidade. O poder do medo, algo parecido com o poder do George. Um medo lá é diferente do medo cá, mas tudo é medo em suma. Imagino que nos EUA deva existir alguém que apóia e concorda com as idéias do Bush, imagino que entre esses existem alguns que sabem que algumas barbaridades são feitas em nome da vontade do seu líder, entendo que essas pessoas prefiram fechar os olhos e dizer: tudo bem, os fins justificam os meios. O cara tá pouco se importando sobre o futuro do planeta, para a paz e o desenvolvimento da humanidade, mas o meu feijão, vá lá, meu bacon está garantido, o resto a gente vê depois.
Quanto ao Bento a história é mais ou menos assim. Tirando os fans mais ignorantes, porque esses sempre existem, acredito que muita gente está sabendo. As pessoas sabem que muitos morreram em nome de Deus, as pessoas devem conhecer que a Igreja absteve-se de opinar sobre o holocausto, as pessoas devem entender que se opôr à camisinha é uma bola fora, mas as pessoas devem pensar o seguinte: Bem, mas o meu lugarzinho no céu está guardado, o resto a gente vê depois.
Eu não gosto do Papa, eu não gosto do Bush, não gosto porque eles querem apitar a minha vida, eles são basicamente o mesmo, manutenção do poder "doela a quien doela". O triste, e o mais triste é que eles têm poder para isso...

2 comentários:
Cara, gostei bastante do teu texto. Agora, uma coisa que eu tenho que dar a mão à palmatória é o seguinte: eu não gosto desse Papa, acho ele retrógrado, reacionário (e todos os outros adjetivos que puder por aí), mas ele tem uma coisa de boa - é um intelectual. E não é um popstar. João Paulo II era o Papa Pop dos Engenheiros. Ratzinger era o Imperador Palpatine (olha a semelhança física) por trás de JP2. Tudo que o "Papa Bom" falava era maquinado pelo atual "Papa Mau". Mas tenho uma certa admiração pelo fato do Papa Bento ser um intelectual. Não que suas idéias sejam grande coisa, muito antes pelo contrário. Mas é melhor alguém entrar no debate pela razão (mesmo que seja uma razão sofismática) que pela imagem de bonzinho. Por incrível que pareça, o Papa Reacionário (como se o anterior não fosse) é um avanço para a Igreja. Pelo menos ela mostra sua verdadeira face.
Por isso que meu maior sonho era ver o cristo voltando a terra (ta, eu sei que isso não vai acontecer, como falei é um sonho). No meu sonho ele aparecia e já fazia dois ou três milagres bem pirotécnicos (piroténica) pra eliminar todos os céticos (como eu). O que fariam todos esses que faturam com o nome dele? Tipo, o papa? Representa o cara aqui na terra (representante comercial), mas o cara tá aqui na terra então não precisa de mais ninguém. E se o cara tomasse alguma atitude, fizesse alguma declaração ultrajante? A favor da liberdade de cada um, do livre arbitrio. Ou se obrigasse os que pregam a palavra dele a viver como ele, sem grana, sem nenhum apego material.
Acho que não demoraria nada pra pendurarem o cara na cruz novamente...
Sei que to falando o óbvio, mas...
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