terça-feira, 9 de junho de 2009

Finalmente a paz

Caros leitores, é com muita alegria que anuncio que, finalmente, palestinos e judeus entrarão em paz. É realmente maravilhoso, não tenho palavras para descrever meu sentimento. Não acredito que ninguém havia pensado nisto antes, uma idéia tão simples e ao mesmo tempo tão eficaz. Não, não se trata da criação de um Estado Palestino, é muito mais simples! Também errou quem pensou que iria pôr-se fim às religiões e todo o ódio que elas pregam, nada disso. Tudo será resolvido com um jogo de futebol entre Flamengo e Corinthians! Um amistoso, é claro, porque um jogo valendo pontos não tem como promover a paz, pelo menos não é o que vejo acontecendo por aqui.

Colocando o swtich do modo sarcasmo na posição off eu não posso deixar de comentar o quanto hipócrita e lamentável é essa iniciativa. A motivação, por mais excelente que seja, não faz com a idéia seja classificada, no mínimo, como imbecil. Eu pergunto: que paz provém do futebol atualmente? Não vou nem mencionar jogos menos importantes, onde brigas eventualmente surgem, mas o que se vê, normalmente, em qualquer decisão de uma simples vaga, não estou falando nem de campeonato, uma mera vaga em final ou semifinal? Sempre morre um, no mínimo um. E então decidimos fazer de conta que isso não existe e vamos promover a paz mundial! Faça-me o favor... Temos que resolver a violência e promover a paz aqui, primeiramente, deve ser um pouquinho mais fácil do que resolver uma briga de malucos extremistas e fundamentalistas religiosos (isso é um pleonasmo), um pouquinho apenas. Isso é meio coisa de Brasil, admito, não conseguimos ir dirigindo de norte a sul, por estradas decentes e seguras, mas queremos conquistar o espaço. Definir prioridades com certeza não é o nosso forte.

Além disso eu fico pensando o que se passa na cabeça das pessoas que sugeriram tal evento. É claro que imagino que isso serve apenas como parte de um processo a longo prazo etc e tal, mas mesmo assim não posso deixar de achar engraçado. Palestinos e judeus estão ali fora do estádio, bombas para lá e mísseis para cá, daí a pouco eles ouvem um apito, as torcidas do Flamengo e Corinthians começam a se provocar, o árbitro é xingado, assim como sua mãe, esse é o sinal para eles deixarem disso e começarem a confratenizar, isto até que uma briga generalizada aconteça dentro de campo e se espalhe pela arquibancada e se brigue por uma coisa que valha a pena, como uma taça.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O cinema e a feira

Estou morando em Feira de Santana. Tento não falar mal de Feira de Santana. Me policio, me cuido, não quero ser o gaúcho desgarrado reclamando de uma cidade do Nordeste, o que, para muitos, significaria que estou reclamando do Nordeste como um todo. Há algum tempo eu deixei os preconceitos de lado, vejo coisas boas e ruins aqui, como via coisas boas e ruins no Sul, como uma vez vi em Brasília. Mas mesmo assim eu costumava cair nessa cilada que mesmo criei, coloquei na cabeça: não vou falar mal de Feira de Santana em minhas postagens porque não quero ser confundido com o sulista chato e orgulhoso que fica repetindo que bom mesmo é o sul.

Após essa introdução eu gostaria de falar que o cinema tem me revoltado nessa cidade. Tenho uma vaga impressão que esse é um fenômeno nacional, mas que diabos, eu moro aqui então eu tenho que falar daqui. Raramente eu vou ao cinema, nada me atrai, não quero gastar duas horas da minha vida para ver carros (aviões, navios, prédios) explodindo, uma história besta e a humanidade, por mais estúpida que seja, ser salva no final de vários ou até mesmo um único filme. Não vou, não vejo e não me arrependo ou envergonho, da mesma maneira que não vejo nenhuma novela ou reality show nacional (bundas e bíceps à mostra, bebedeiras e ensaios nus).

Mas tem alguns filmes que eu gostaria de ver. Há pouco tempo esteve aqui o Star Trek esse novo, Spock, Kirk etc. Eu queria ter visto, não pude, o filme era dublado e eu não vejo filme dublado (a não ser na Sessão da Tarde e equivalentes). Não vejo, não gosto, na língua que for, eu quero ver o original. Então eu não fui ver o filme e fiquei frustrado e irritado. Então veio outro filme aí que eu gostaria de ver, nada muito brilhante imagino, mas algo para passar o tempo e talvez rir um pouco, duas salas passando, dublado e dublado! Então eu também não fui. Antes disso eu caí na asneira de ver o Wolverine, eu gostava de Gibis e pensei: de repente pode ser legal até. Burrice pura, o filme é só aquilo que falei ali em cima, pessoas voando e coisas explodindo, mas o que quero contar não aconteceu dentro da sala, aconteceu na bilheteria:

O Wolverine veio dublado e legendado. Eu estava comprando o ingresso quando o atendente me chamou à atenção de que estava comprando o dublado e se era esse mesmo que eu queria. Eu agradeci e pedi o legendado. Atrás de mim estava um cara, que ficou surpreso. Ele me comentou: tu preferes o legendado eim, eu prefiro o dublado. Então, pensando bem, o cinema não tem culpa, ele está apenas dando o que "o povo" quer. E o povo não quer ler, na verdade o povo não deve nem saber ler, deve ter aprendido mal e porcamente e não consegue. Enquanto fica falando "mê" e "a" má, "mê" e "e" mê já mudou a cena, ou ele ficou ali soletrando e não prestou atenção no sorriso disfarçado do bandido infiltrado nos mocinhos. Ou então "o povo" não quer se cansar, ele já vai no cinema porque não gosta de ler e acha um ultraje aquele pessoal ficar falando enrolado quando não custava nada passar o filme em "brasileiro".

Então tá, vamos disseminar a ignorância, vamos vulgarizar a falta de cultura e viva o povo, sendo ele gaúcho, feirense ou brasileiro! E chupa que é de uva!