segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Faroeste

Estou aí com uma idéia nova: a volta do faroeste! Minha idéia, porém, tem uma inovação em relação aos faroestes que vocês, pessoas de mais idade, conheceram. Ele se passará no Brasil, no norte do Brasil, pode ser mesmo no Pará, pode ser em outro lugar, mas tem que ser num lugar assim, sem lei. No faroeste, meus amigos, a lei era uma coisa um tanto quanto nebulosa (pelo menos nos filmes, que é onde me interessa). Os lugares até tinham lá os xerifes e tudo o mais, mas a justiça com as próprias mãos era bem aceita, até incentivada. Nesse contexto a lei estava sempre do lado do mais forte e era comum vermos xerifes desonestos e poderosos Senhores de terras e coisa e tal. Esse era o terreno perfeito para o surgimento dos justiceiros, heróis e assemelhados.

Vou dar uma ajuda aos mais novos, uma vez que não existem mais filmes de faroeste, quer dizer, novos filmes de faroeste. Esses filmes foram substituídos por aqueles típicos dos anos setenta e oitenta onde os policiais cometiam tantos crimes e irregularidades quanto os bandidos, iam entrando nos lugares, atirando em todo o mundo, julgando e condenando na hora e todo esse escambau (ver Dirty Harry). Quem viu Cobra também pode ter uma idéia desse tipo de justiceiro com distintivo. Esse tipo de filme (e existiram muitos deles) não passava de um faroeste passado nos tempos modernos, algo que queria dizer: temos que fazer o mesmo jogo sujo dos bandidos se quisermos vencer, a lei e a ordem são coisas relativas. Esse modelo até serve para o Brasil*, mas eu acho que o faroeste descreve melhor a situação, vejam bem:

Geralmente o que acontece nesses lugares remotos, onde o século XX ainda não chegou (quem dirá o XXI) é algo muito parecido com o que acontecia lá nos idos do guaraná com rolha no Texas ou qualquer lugar que o valha. Observe: 1 - Apesar das cidades terem Prefeitos, Polícia e tudo o mais, todo mundo sabe quem é que manda de verdade. Essa pessoa é temida e respeitada, possuindo os capangas ou jagunços, assim como acontecia lá no "far west"; 2 - Como tem uma pessoa que manda (um grupo, que seja), a Legislação Federal não tem muito valor (à exceção quando serve aos interesses dos manda-chuvas), assim como o Texas lá tinha sua própria lei e era autônomo em relação ao resto do país. Se isso tudo é verdade, também é verdade que existem alguma coisa de "Dirty Harry" no Estado do Pará onde cada pessoa parece seguir seu próprio código moral e o certo e o errado fica por conta de cada um (exemplo: uma adolescente presa por um mês com vinte homens por suspeita de furto e por não possuir carteira de identidade).

Daí então essa minha idéia: Um faroeste moderno, passado no Estado do Pará, com um nome forte como "O Bom senso morre ao por-do-sol" ou "Vinte homens e uma ninfeta" ou "Justiça, teu nome é desconhecido". É claro que nessa história o mocinho vai morrer logo no começo, para aprender a ficar quietinho ou vai trocar de lado que ele não é bobo nem nada. Ah, e no final alguém ia sugerir uma CPI por que é impossível ver assim, a olho nu, que alguma irregularidade foi cometida. Acho que ia fazer sucesso.

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* Brasil é um nome muito pequeno e portanto não bom o suficiente para descrever esse lugar onde vivemos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Pode, não pode

Você com certeza já viu essa, a cena é a seguinte: qualquer jornal de qualquer horário em qualquer canal mostra um bando de camelôs correndo, outros enfrentando os fiscais e a polícia, algumas pessoas dando entrevistas a favor de A, outros a favor de B, aquela confusão, o chefe ou responsável pela fiscalização avisando que essa será a rotina nos próximos dias, os ambulantes somem por uns tempos, mas eventualmente acabarão voltando, quando as coisas se acalmarem. Citei o exemplo dos camelôs, mas poderia trocar por qualquer outro exemplo em que houvesse a palavra fiscalização ou então a expressão cumprimento da lei e é disso que quero falar: a tônica nacional do não pode, pode, não pode.

Somos um país com leis, a maioria das pessoas sabem o que é proibido fazer, mas existem várias, pelo menos algumas coisas que as pessoas fazem mesmo assim, diante dos olhos de todos, autoridades inclusive, há a conivência de todos... Até tal dia. Tal dia, sem mais nem menos alguém lembra: "vem cá, não é proibido vender mercadoria sem pagar ICMS ou todas as outras taxas e tudo o mais?" Nisso alguém imediatamente concorda e então uma operação é iniciada e os infratores são caçados, presos e (ou) punidos de várias formas e a ordem é estabelecida... Até tal dia. Tal dia todo mundo se esquece que isso ou aquilo é proibido e tudo volta "ao normal".

Sempre que uma pessoa é pega fazendo algo ilegal, mas que todos fazem, ela fica indignada. Eu não deixo de dar razão para essa pessoa, admito. Pior do que um lugar sem lei é um lugar onde a lei só funciona de vez em quando, ou pior, quando a lei funciona apenas para um e não para os outros. Fica essa balbúrdia, essa confusão, as pessoas não sabem mais o que é proibido, as pessoas ficam furiosas quando a lei é cumprida. A Receita Federal diz que não pode, mas a Prefeitura vai lá e constrói um "Camelódromo" pois os lojistas estavam pressionando, os camelôs estavam atravancando as calçadas, não dá para mandar prender todas essa gente que só está buscando o sustento e também são eleitores, pelo amor de Deus!

Então é isso, dá-se o jeitinho. Vai se dando o jeitinho até uma tal hora. Nessa tal hora o que não podia, mas estava podendo, deixa de poder de novo, arrisca-se enquanto isso...