quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Aristocracia e Saudade

Eu acho que finalmente entendi o que a Aristocracia queria dizer. Acabei de ler lá o "Retrato de Dorian Gray", cheguei na garagem do meu prédio e vi o carro de um vizinho e essas duas coisas me fizeram entender o que os Aristocratas estavam tentando dizer esse tempo todo. Não perca!

Há algum tempo atrás, menos nos tempos atuais, mas ainda vivo, existia tal costume: Alguém de uma família nobre ou antiga, que teve ou ainda tem algum dinheiro e/ou terras, perguntar à pessoa a ela apresentada o seu respectivo sobrenome e/ou origem. Isso é, talvez eu deva usar aqui o era, algo muito irritante para uma pessoa assim como eu, que não vem de uma família aristocrata e rica.

Muitas das famílias com nomes tradicionais, é sabido, não possuem mais a riqueza que tiveram outrora, mas elas tentam manter aquela pompa como já mostraram algumas novelas (no tempo que eu via novelas, admito, já vi sim) e como mostra, eventualmente, a vida real. Isso costuma irritar o público popular, aquele jargão, come feijão e arrota caviar e etc. Mas eu quero dizer aqui que a Aristocracia tem razão.

Veja bem, a Aristocracia não era definida pelo dinheiro que possuía simplesmente, o dinheiro era importante, mas não era o mais importante. O refinamento, o bom gosto e, mais importante, a discrição eram as qualidades mais importantes de um aristocrata, o dinheiro era um acessório, uma coisa óbvia que vinha junto com o resto, ninguém se preocupava com ele.

Então o mundo começou a mudar, algumas pessoas começaram a ganhar dinheiro, pessoas que não tinham um sobrenome de respeito, os populares novos ricos. Os novos ricos vinham de famílias honestas, trabalhadoras, tenazes, com inúmeras qualidades, mas com um grande defeito. Eles costumavam comer de boca aberta, não saber que talher usar e outras gafes que podem até parecer (e ser) idiotas, mas eles foram longe demais!

O carro de um dos meus vizinhos é um carro que eu não posso pagar, nem eu nem a maioria, acho que é um BMW, um carro grande, esportivo, grande, bonito, mas é um carro de um novo rico (ou novo classe média alta, mas tu entendeu). Como é que eu sei? Esse carro tem um adesivo no pára-choque. Esse adesivo contém a frase: "Aqui nóis trepa". Aqui nóis trepa...

Era isso! Era isso que a Laurinha Figueroa queria dizer quando odiava a, se não me engano, Maria da Sucata. A Maria da Sucata (que o nome deveria ser Maria do Carmo) tinha lá o que a Laurinha não tinha, dinheiro, mas a Maria da Sucata não tinha nome, não tinha história, não vinha de uma linhagem nobre ou aristocrata. A Maria da Sucata iria comprar uma BMW (ou qualquer outra dessas marcas), ela iria colocar um adesivo de extremo mal gosto, ela iria colocar o som no último volume tocando um funk escrito por um analfabeto, ah ela iria.

Entenda-me meu caro leitor, esse texto não é a respeito de dinheiro, não é a respeito de nome, não é a respeito de nada disso. Eu tenho certeza que existe muita gente "sem nome" por aí que é um grande aristocrata, que como falei no começo do texto, não estava nem aí para o dinheiro. Esse texto é sim, uma ode ao bom gosto, à discrição e à cultura. A aristocracia esteve sempre certa... E não pense que a Aristocracia não trepa, deve trepar muito mais que muito plebeu, mas eles não fazem alarde, fazem isso com discrição.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sociedade, humanidade...

Eu não sei se você já viu, é uma dessas animações (antigos desenhos animados) já meio velhas, não sei se é o "Formiguinhaz", mas tenho quase certeza que é, não interessa, a mensagem é que interessa. Nessa animação uma das formigas descobre ou decide que é um indivíduo, assim por dizer, individual, e que vai tomar as suas próprias decisões, que vai começar a pensar por si só e azar, o resto do formigueiro que se exploda. É uma mensagem bonita e tals, as pessoas (formigas são apenas metáforas) devem mesmo ser capazes de pensar por si mesmas, uma redundância, admito, devem aprender a pensar e ponto final. Entretanto, talvez, quem sabe, esse pensamento tenha ido um pouco longe demais e de uma forma um tanto quanto distorcida, na prática.

Veja bem, não acredito que as pessoas pensem muito. Existe um movimento "Maria vai com as outras" (as Marias que me desculpem, mas é só uma expressão, algo como "Maria chuteira", talvez porque Maria era um nome comum antigamente, antes das Kathlens, Thamys, Tifannys e tudo que tenha muito "y" e muito "h", saudade desse tempo, ninguém tinha que falar seu nome e soletrar depois...) muito grande no Brasil, no mundo, o jornalista dá uma notícia, a notícia vem seguida de uma opinião, o público não tem que pensar, é uma maravilha, é muito fácil ter alguém para pensar pela gente. Quero dizer que pensar é bom, pensar mesmo, debater e concluir, mas me desculpem porque a redundância é necessária agora, pensar por si mesmo é diferente de pensar em si mesmo, e era aí que quero chegar.

É consenso geral que as pessoas vivem em sociedade. Eu não sei não... Eu acho que as pessoas mais vivem juntas do que vivem em sociedade. Talvez famílias, amigos e pessoas próximas em geral vivam. Elas colaboram, elas interagem, elas pensam no bem alheio (definição de sociedade não é uma coisa trivial, mas minha idéia é essa), mas isso pára (parece que a reforma da Língua Portuguesa vai acabar com o acento do pára (do verbo parar) que o diferenciava do para (preposição) sem acento, vou sentir falta dele) por aí, não vai muito mais longe. O resto das pessoas vivem perto, emboladas, amontoadas, mas uma coisa que cada vez mais raramente acontece é o aparecimento do espírito de sociedade.

As formigas vivem lá, num formigueiro, um formigueiro é uma cidade de formigas, algumas vão ser operárias, algumas vão ser soldados e etc, é claro que formiga não pensa, mas elas sabem que uma formiga só não faz verão, nem formigueiro, nem novas formiguinhas, nem nada, não existem formigas eremitas bem sucedidas na história das fomigas. Isso é uma sociedade (na minha concepção) seres vivendo juntos, com alguma vantagem para todos, onde todos têm o seu papel e o interesse comum está acima de tudo.

O que acontece no Brasil, o que acontece nas grandes cidades é uma coisa um tanto quanto diferente. O filme "Formiguinhaz" fala de individualidade, algo louvável, vivemos a época do individualismo, algo que pode soar parecido com individualidade, palavras com a mesma raiz, mas pode-se dizer que a segunda é uma distorção da primeira, algo como os irmãos gêmeos malvados das novelas e filmes. As pessoas não querem saber. O bem comum, em detrimento do bem social, é a realidade. Eu posso levar vantagem, eu levo. Isso vai prejudicar a terceiros? Não me interessa! Todo mundo quer o meu fígado e eu quero o fígado de todo o mundo. Quero todas as vantagens possíveis. Essa é a tônica, não sei se foi sempre assim, talvez tenha sido, me parece que agora é mais. A humanidade é individualista, vivemos no meio de outras pessoas apenas porque temos vantagens, é parecido com as formigas nesse ponto, mas é diferente, sobreviveríamos isolados, ao contrário das formigas, aturamos uns aos outros porque é bem melhor, mas se pudéssemos ter tudo o que temos (bens materiais e confortos) e explodir os que estão ali nos atrapalhando faríamos sem pestanejar.

Observe que estou usando o nós, não estou me excluindo dessa. O homem é um ser social forçado e falso, alguns mais, alguns menos. Inclusive, talvez, o fato de uma consciência de que um pouco mais de preocupação com os outros seja um maneira de ter um maior ganho pessoal, em forma de uma qualidade de vida melhor, algo que entendo como verdade, seja nada mais do que um ato egoísta e individualista. Quero que todos os outros comecem a se respeitar e pensar mais na felicidade alheia para eu mesmo me aproveitar disso, mas o que possoa fazer? Sou humano e individualista, assim como tu és.


sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Voar

De todos os poderes que os super-heróis e os seres fodões têm, o que eu mais gostaria de ter é o poder de voar. Sempre falo isso para a minha mulher, a coisa que mais gostaria de ter é uma mochila voadora. Não daquelas que usaram uma vez no carnaval, onde o cara vai pendurado, em pé. Queria ter um dispositivo que me permitisse voar que nem os super-heróis clássicos, tu sabes como é, "deitado" de bruços no ar, os braços para frente (ou cima, depende de onde estás olhando), as mãos fechadas. Poderia até abrir mão das mãos para frente, poderiam até mesmo ser para trás, com os braços juntos ao corpo, existem alguns heróis que voam assim, acho que são os heróis mais "style", não sou um cara "style", sou mais "old fashion", mas para poder voar até me contentaria com os braços para trás... Seria legal...

Imagina só. Aquele dia em que tu acorda com fome, perto do meio-dia, naquelas vezes que tua fome empata com a tua preguiça, queres comer, não queres cozinhar, mas estás com preguiça de sair para comer. Tu espia pela janela do teu apartamento, aquele calor lá fora, aquele mormaço, o carro lá embaixo na garagem, longe, mesmo indo de elevador, mesmo descendo, chato. Não tem problema nenhum, tu decides ir voando, vai até a sacada, estica os braços acima da cabeça e sai voando para o seu destino. Abaixo de ti tu podes ver a enorme quantidade de infelizes que precisam andar, dirigir, pedalar, tu olhas para aquele trânsito intenso, automóveis parados em sinais e tu passando por cima de tudo, lindo! Chegas até o restaurante, não precisas procurar lugar para estacionar. É só pousar na calçada, pronto, indolor.

É verdade que existem alguns outros poderes que seriam legais de ter. Aposto que em outra época eu teria preferido poder ficar invisível. Na adolescência, por exemplo, onde a gente tem um único poder, o de ser ridículo, eu gostaria de poder ficar invisível, não para parecer menos ridículo, porque naquela época eu me achava legal, acreditem, mas para poder entrar no lugar mais secreto e excitante que pode existir para um adolescente: o vestiário feminino! Sabe como é, mulher pelada ou com pouca roupa para mim era raro, tirando "Playboys" e praias eu não tinha muita chance, para não dizer nenhuma. Atualmente eu não acho que ficar invisível me serviria muito, não poderia tirar muita vantagem disso, ficar invisível seria mais útil a quem quer ser um ladrão, quem sabe, a um justiceiro, talvez, a um bisbilhoteiro, esse sim, mas eu confesso que não tenho vocação nem tempo para isso, sou um cara prático.

Outro poder que seria legal é o de se teletransportar, mas esse seria o exagero da preguiça. Que fique claro, preguiça tudo bem, mas sem exageros. Além disso eu iria perder o visual da "viagem" e a chance de ver o pessoal engarrafado e ficar mais feliz de não estar ali. Iria, sei lá, perder a noção da realidade, a vida ia parecer muito fácil, isso é sempre perigoso. Outra coisa seria o problema da privacidade, não minha, mas dos outros, imagina eu me teletransportando aí para o quarto ou a sala de alguém, eu poderia demorar um pouco para controlar os meus poderes, quem sabe o que as pessoas fazem quando estão sozinhas... Não seria legal...

Voar sim, voar seria massa, voar seria tri, seria tri massa... Se um dia o diabo me oferecer alguma coisa eu vou escolher o poder de voar. Vou até colocar uma capinha e tudo o mais... Voar... Isso sim é poder...

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O Estado Revida

Parece nome de filme né? Muita ação, muita pancadaria, quem sabe o Steven Seagal ou até mesmo o Chuck Norris ou os dois juntos, dando tiros e sopapos em bandidos e coisa e tal. Não, não se trata de um filme, mas de uma manchete de uma notícia que acabei de ler ali no Terra: Rio, secretário prometer revidar ataque contra trem.

Eu admito que me assustei quando vi a manchete, fiquei preocupado, não acreditei que um secretário de Segurança Pública pudesse estar prometendo revide contra bandidos. Revide, no meu ponto de vista, não é papel do Estado, não contra bandidos. Revide pode ser papel de todo mundo, eu posso revidar, tu podes revidar, até mesmo o Estado pode revidar, contra outro Estado, por exemplo, mas contra bandidos? Alguma coisa está errada aí.

Então, após ler a manchete eu fui lá ler a reportagem e pude ler que não foi bem isso o que o Estado falou, claro que o Estado propriamente dito não fala, mas a voz de um representante seu não deixa de ser sua voz. O que o secretário falou está lá, leia você. Isso é menos pior do que poderia ser, quer dizer apenas que a autora da reportagem não sabe muito bem qual o papel do Estado, não escuta muito bem ou então apenas queria uma manchete de impacto, ou tudo isso junto, vai saber.

Mesmo assim o "troço" é meio preocupante. Se alguém no mundo acha que quando o Estado faz alguma coisa é por puro revide, algo do tipo: "Olha só gurizada, tudo bem traficar, roubar, matar o cidadão. Agora, se forem atirar contra um trem carregando "gente nossa", aí vamos ser obrigados a revidar." Se alguém acha que isso é normal, e parece-me que a autora da reportagem acha, então temos um problema. O Estado tem que ir atrás desses caras porque é ilegal ficar atirando aí contra trens, quem quer que esteja dentro. O Estado tem que fazer com que as leis sejam cumpridas. O Estado não revida, não pode, não contra bandidos, por favor.

Não entendi muito qual foi o objetivo dessa reportagem, na verdade eu acho que o objetivo é o mesmo de muitas, encher um pedaço de papel ou de tela de computador. Existe ali um "link" para a reportagem principal, aquela é uma notícia, os caras atiraram num trem contendo ministros. Essa aqui podia estar dentro da outra. Se tivessem entrevistado o Secretário e o mesmo tivesse dito: "Olha, o Estado vai parabenizar os bandidos", isso sim seria uma notícia nova. Noticiar o óbvio, colocar uma manchete falsa, isso eu também posso fazer...