quarta-feira, 31 de outubro de 2007

De cuecas

As pessoas não deixam de me surpreender com seus sistemas de valores. Um exemplo disso é a forma como se vestem ou deixam de vestir em diferentes situações como em casa ou na praia. Eu tenho tentado entender, mas não tive muito sucesso até agora. Eu moro em um apartamento, em um prédio que é vizinho de um prédio, minha janela fica de frente para outras janelas, minha sacada fica de frente para outras janelas, minha sacada é aberta e tem uma grande porta de vidro. E eu tenho um modus operandi: gosto de andar de bermudas fora de casa e gosto de andar de cuecas dentro de casa. Minha mulher e eu ficamos muito preocupados de ficar circulando pela casa usando roupas de baixo e eu não sei porquê.

Veja bem, essa minha preocupação, essa preocupação da minha mulher, são normais entre as pessoas: não queremos que outras pessoas aí fiquem nos vendo em trajes sumários a não ser.... A não ser que estejamos na praia, aí tudo bem... Eu não uso sunga, eu sou do tempo do calção de banho e como isso não existe mais eu acabei passando a usar bermudas também na praia e em piscinas, mas sei que uma sunga, por mais que mostre é socialmente aceita em uma praia (ou piscina). Minha mulher usa biquini. Um biquini nada mais é do que uma calcinha acompanhada de um soutien não transparente. Então minha pergunta é: Qual o problema? Porque não temos problemas em ficarmos meio pelados na frente de muitas pessoas estranhas e temos esse grande problema de ficarmos meio pelados na frente de nossos vizinhos?

Possíveis respostas:

1 - Na verdade uma boa parte de nós tem vergonha de ficar com pouca roupa sempre, mas como no sexo acabamos topando ficar parcialmente ou completamente pelados desde que o outro também entre nessa (o tradicional mostre o seu/sua que mostro o meu/minha). Ou seja, ficamos meio pelados na praia porque os outros também estão. Dessa forma, para nos sentirmos mais confortáveis para andar de cuecas em casa basta que os nosso vizinhos comecem a andar semi-nus também. Então é isso vizinho (ou vizinha), se me vires para cima e para baixo de cuecas, fique à vontade e parta para o "peladismo" também, nada de voyerismo aqui, nem sacanagem, por favor, faça de conta que estamos na praia.

2 - Na verdade está subentendido que biquinis e calções de banho (ou sungas) são coisas para se mostrar mesmo, mesmo que muitos dos biquinis mostrem muito mais a bunda que o biquini em si. Da mesma forma está subentendido que calcinhas e cuecas não são coisas para se ficar mostrando por aí, pelo menos para mim e minha turma, mesmo que esses últimos acabem mostrando muito menos de nós mesmos do que as roupas de banho. Sempre fica aquela história de voyerismo e coisa e tal e sempre fica aquele pensamento de querer ver o que não querem nos mostrar. Eu ando de cuecas pela casa porque acho confortável e porque sinto calor, não é para mostrar nada mesmo, então, como não quero mostrar, fico com aquela sensação de estar revelando demais de mim, mesmo que não esteja revelando muito... Sei lá... O ser humano é mesmo um bicho estranho...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A Copa do Mundo é nossa...

... com brasileiro, não há quem possa... É isso aí amigo leitor, a famosa FIFA acaba de escolher o nosso amado país para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014, iurru! Como arrependimento não mata, a primeira coisa que a Dona Fifa fez foi acabar com esse negócio de rodízio de continentes como sede. O Brasil, não se engane rapaz que pula e canta nesse momento, só foi "escolhido" por obrigação e porque também mais nenhum outro país da América do Sul havia se candidatado.

Não vou dizer que não quero ser o desmancha prazeres porque eu quero mesmo, a imprensa ainda não comentou nada disso que está no primeiro parágrafo, todo mundo só quer saber de comemorar, sorrir e se abraçar, nas horas de festa não é muito "patriota" ficar por aí dizendo a verdade, sei lá, não pega bem tentar acabar com a felicidade desse povo tão sofrido e blá blá blá (entenda-se por blá blá blá todos os chavões e hipocrisias de praxe).

Houve de tudo na cerimônia de apresentação do Brasil, teve gente dizendo que o país ficará mais seguro durante e depois da Copa, é claro, a polícia será melhor equipada e esse equipamento vai permanecer aqui, depois do evento, mas isso é o máximo que vai acontecer. A legislação não mudará, os salários dos policiais não mudarão e o tratamento dado a educação também não mudará, assim como todo o resto. Todo mundo sempre repete que a violência é um problema social, todo mundo esquece disso quando convém. Sendo sincero, a Copa do Mundo não resolverá os problemas de segurança do país. Essa previsão é fácil de acertar, aposto que muitos "videntes" a farão no final do ano...

Ainda sobre a cerimônia houve discurso do mais famoso brasileiro no exterior, depois da Gisele Bundchen, o "Mago e Imortal" Paulo Coelho. Esse eu confesso que não entendi... Sei lá, o cara vende muitos livros, mesmo assim eu achei meio sei lá... De repente ele foi escalado porque a Gisele ia apenas ficar fazendo o sinal de paz e amor durante os vinte minutos do tempo disponível para falar e o pessoal podia ficar aborrecido. Não sei, não sei... O Pelé também não foi convidado, também acho que o discurso não ia ser grande coisa, mas foi menos por isso e mais por brigas de vaidades e essas coisas que tornam o nosso futebol profissional tão amador.

Até a Amazônia será melhor preservada depois que a Copa acontecer. Os lenhadores que não têm mais onde trabalhar vão desistir desse negócio e começar a passar fome em prol da humanidade, os empreenteiros inescrupulosos vão decidir que não querem mais lucrar tanto em detrimento da "saúde" do planeta e abrirão um botequim que lhes garantirá o mínimo necessário para a subsistência, os europeus que compram a madeira derrubada e os animais em extinção para deixar os amigos com inveja pararão com isso e todos os homens serão irmãos e cantarão hinos de louvor à vida, se abraçarão e lindos gatinhos fofos ronronarão e todos serão muito felizes.

Sinto muito, nada disso vai acontecer, o que vai acontecer é o seguinte: muita gente vai enriquecer (exagerei, pouca gente vai enriquecer muito); o Brasil vai ganhar vários estádios moderníssimos à custa do quádruplo do valor; o foco dos verdadeiros problemas nacionais vai ser desviado para o que realmente importa (a Copa); os Estados vão começar a brigar pelo direito de sediar os jogos e com isso mais alguém (ou os mesmos vão enriquecer mais um pouco); a Copa vai passar e uma CPI vai ser instalada para averiguar porque se gastou tanto, uma pessoa ou um grupo de cinco serão acusados mesmo que muitos mais estarão envolvidos, mas nada de muito grave vai acontecer com eles; a Copa será um sucesso, alguém vai elogiar o povo brasileiro por ter dado algum exemplo qualquer; vão querer trazer a Olímpiada para cá, tudo começará de novo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Melhores, piores...

Elas volta e meia aparecem, tu estás ali, fazendo nada, abres o Internet Explorer ou o Mozilla Firefox ou qualquer que seja o teu navegador (nunca vou deixar de achar esse nome engraçado, nesse caso, claro, navegador) e topas com uma delas: uma lista dos tantos melhores ou piores coisas de todos os tempos! As piores músicas, as melhores músicas, os piores filmes, os melhores filmes etc. Estou convencido de que muitas das coisas que estão ou estarão ou estiveram ali até são ruins mesmo, ou boas, se for o caso, mas eu sempre fico com a pulga atrás da orelha a respeito. Vejamos:

Em primeiro lugar eu nunca sei quem é que está votando nessas coisas, nunca fica muito claro, vai que quem está votando tem um gosto, por assim dizer, muito particular, vai que essa pessoa acha muito bons todos os filmes do Rambo, não sei... Em segundo lugar eu nunca deixo de notar que entre as piores algumas coisas estão várias coisas que foram sucesso por algum tempo, eu posso estar errado, mas se algo fez sucesso alguém deve ter gostado, mesmo que o troço seja uma droga mesmo, o que não duvido que seja, falar depois que algo já se foi é fácil. Não sei se estão me entendendo, mas hoje dever ser fácil falar que "Festa no Apê" é muito ruim, mas não vi ninguém opinando na época do sucesso da música e várias pessoas tiveram a chance, vários, como se diz atualmente, "formadores de opinião". Em terceiro lugar, eu imagino que a falta de contexto atrapalha muito na hora de votarmos em algo como "legal" e "não legal", veja bem, cabelo, alguns cabelos foram muito legais nos anos sessenta, outros no setenta, e assim por diante, analisá-los agora não é muito justo. Então listas a respeito de todos os tempos são coisas para não se levar muito a sério, mas tem gente que leva...

Outras listas que não podem ser levadas a sério são as "mundiais". Estou lendo aqui que a Juliana Paes foi eleita a mulher mais sexy do mundo por uma revista nacional, seguida por Camila Pitanga, a cantora Sandy, Ivete Sangalo, Gisele Bundchen, Cláudia Leitte, Íris Stefanelli, Grazi Massafera, Alinne Moraes e Natália Guimarães (fonte). Quer dizer, alguma coisa se perdeu aí em algum lugar, ouvi falar que existem aí, mulheres, em outras partes do mundo, dez brasileiras entre as "top ten" dá a essa lista alguma coisa de "não oficial". Algo aí me lembra dos americanos, só eles jogam o Futebol Americano e eles realizam o Campeonanto Mundial! Não é nem Nacional, é Mundial mesmo, sei lá, eu acho que eles podiam tentar o Universal de uma vez, se o pessoal do espaço não aparece por aqui mesmo, pelo menos não como um time , o Campeão Nacional seria o Campeão Universal por W.O. (do inglês walkover).

É verdade, essas listas são feitas, na maioria, apenas como fonte de diversão, o resultado não importa muito, desde que não seja levado a sério, o problema é que geralmente elas são levadas a sério. Cuidado então, isso acontece bastante, com a intenção de divertir, muitas vezes, com a intenção de opinar por ti, não apenas em relações a músicas, filmes ou coisas do tipo, mas idéias, propostas e valores, preste atenção .

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

As bactérias vêm aí

Tenho observado, ultimamente, uma certa tentativa de algumas pessoas, das do tipo que querem tirar o nosso dinheiro, de me e nos convencer do grande perigo que as bactérias representam. Eu já vi um sabonete, já vi uma escova de dentes e já vi uma máquina de lavar roupas que são bactericidas e aposto que vem mais coisa por aí...

Tudo isso me deixou preocupado e me levou a pensar: Que tipo de gente é essa que tem tanto medo de bactérias? Sim, imagino que existam algumas pessoas que se preocupem com isso, já que empresas investem em comerciais e tal e coisa, deve haver algum mercado para esse tipo de produto, o pessoal que sofre de bacteriofobia (que imagino serem os mais radicais) não deve ser tão numeroso assim, logo eu estou achando que os clientes são pessoas "normais" que resolveram se preocupar com as bactérias, já que devem ter poucas preocupações na vida.

Seguinte, vou ser curto e grosso: "são uns baitas duns bundinhas!" As bactérias estão e sempre estiveram por aí, pelos menos essas que esses produtos aí prometem acabar. Elas são necessárias. São elas que vão te comer quando tu morreres e fores enterrado. Imagino que terão ajuda de outros "bichinhos", é claro, mas elas vão fazer o serviço sim. Então, se tu estás vivo deixa de ser frouxo e aguenta as bactérias que estão caminhando aí em cima de ti no osso do peito e vai procurar outra coisa para te preocupar.

Quem teve infância sabe do que estou falando. Eu me criei jogando bola de pés descalços, meus dedos (dos pés) sempre sem as pontas porque sempre chutava o chão (era ruim de bola mesmo), a bola caindo em esgoto à céu aberto, eu chutando e nenhuma bacteriazinha nunca fez nada para mim, estou aqui, belo forte e com noventa e quatro quilos. Imagino que se uma bactéria poderia me arruinar seria uma daquelas que devem ter subido pelos meus pés, nada me aconteceu. Agora, uns bundinhas vão dizer que as bactérias de antigamente não eram de nada, só comiam marmelada. Pois eu retruco que se as bactérias estão mais fortes hoje é por causa dos próprios bundinhas que ficaram usando bactericidas e forçando-as a ficarem mais resistentes. Ou seja, era bunda-molice lá e é bunda-molice cá. Francamente...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Tampinhas

Sou do tempo em que os prêmios vinham mesmo nas tampinhas. Quer dizer, dizia-se que vinham. Eu mesmo ganhei apenas uma vez, outra Coca Cola, e isso foi há um ano atrás. Não foi um grande prêmio, é verdade, mas eu comemorei muito porque nunca havia ganho antes e já estava com trinta anos. Nunca fui um grande bebedor de Coca Cola ou Pepsi (para não dizer que não falei na concorrente e que esse blog protege esse ou aquele (falando nisso, gostaria de saber quando a Pepsi deixou de ser Cola, eles tiraram o Cola sem fazer alarde e os menos detalhistas nem perceberam)), mas nunca havia ganho e sempre achei que tudo não passava de uma grande "fria" (como diria minha mãe) já que nunca conheci ninguém que tivesse ganho também, nem nunca ouvi ninguém falar de alguém que ganhou.

Tudo bem, o que quis dizer na primeira frase, antes de sair divagando e desviando do assunto é que antigamente tu só tinha que comprar um refrigerante lá, ou um picolé e pronto: poderias ganhar um patinete ou um walk-man ou qualquer uma dessas coisas modernas do passado, bastava ter o prêmio ali na tampinha e deu para a bola. O máximo a que se chegava era o juntar tantos rótulos de tal coisa ou tantas tampas de margarina e enviar para a caixa postal número tals, mas isso dava muito trabalho e eu nunca fiz, o único esforço que eu fazia, o máximo de trabalho que eu admitia ter era olhar para o palito de picolé ou examinar a parte de dentro da tampinha. Ganhei? Tente outra vez? Boa noite.

Mas então surgiram os celulares e com eles milhares de novas formas de tirarem o nosso dinheiro e nada foi mais como era (dramático né?). Atualmente acontece o seguinte: compras o refri, abres a garrafa e encontras um código longo e complicado dentro da mesma, então pegas o teu celular e digita o código contendo um milhão de caracteres (todos sabem como é gostoso digitar no celular), logo depois envias para o número informado no comercial, pagando uma taxa por isso, é claro, pois nada nessa vida é de graça. Uma alternativa à essa última é ir para o computador, entrar no site da dita empresa, aturar muito comercial e então digitar o tal do código lá num cadastro, tomando cuidado para desmarcar ali o quadrinho pequeno e no final da página onde autorizas o pessoal a te mandar em torno de cinco mil e-mails por dia.

Qualquer uma das hipóteses não são boas o bastante para mim. Eu calculo as probabilidades de ser eu o premiado entre os milhares de idio... participantes que enviaram seus códigos, eu calculo as probabilidades das empresas de telefonia ficarem mais ricas do que estavam antes da "promoção" ocorrer, eu calculo as probabilidades dos prêmios oferecidos serem ínfimos se comparados aos lucros que as empresas têm as minhas custas, eu comparo a primeira com as outras duas e ela perde de longe, eu não perco meu tempo. Dessa forma eu peço, parem de me dizer que vão me dar carros, motos, aviões, submarinos, voltem a me dar refrigerantes geladinhos e na hora, parem um pouco de tentar pegar o meu pobre dinheirinho por todos os lados e, principalmente, parem de me tratar como imbecil porque não sou (tanto).


terça-feira, 9 de outubro de 2007

Esmalte

As mulheres gostam de usar esmalte. Algumas gostam mais e outras gostam menos. Elas fazem isso para ficarem ou se sentirem mais bonitas. Elas pintam as unhas das mãos e dos pés. Eu não gosto (geralmente, depois ficará mais claro), assim como alguns homens e vou dizer porque:

Em primeiro lugar, eu acho que um esmalte vermelho (o preferido das mulheres, mais escuro, menos escuro, mas sempre vermelho) vai muito bem com um belo vestido, um cabelo bem arrumado, uma maquiagem, uma produção. Aí tudo bem. Acontece que as mulheres (em geral) pintam as unhas para alguma ocasião e depois seguem usando (mulheres tendem a valorizar mais o dinheiro que os homens) com aquele moletom velho, a "roupinha de andar em casa", a malha de ir na academia. Então o troço fica broxante. O que era para ser bonito e sensual acaba virando um sinal de pão-durisse ou preguiça ou ambos. Porque é impossível que elas olhem para aquelas unhas vermelhas e não percebem que alguma coisa está fora do lugar, ou as unhas ou o moletom carcomido, um deveria partir.

Quando falamos das unhas dos pés a coisa se complica. Existem homens que gostam de pés, existem homens indiferentes. Faço parte da segunda categoria, não me importo muito com os pés, desde que sejam humanos já está bom para mim. Prestem atenção que até aqui só estamos falando de pés, simplesmente, sem tinta nas unhas. Com esmalte nas unhas as coisas se complicam ainda mais. É fato que muitas mulheres têm os pés feios. Eu não me importo, já falei, mas simplesmente eu não entendo como algumas mulheres tentam chamar a atenção para seus pés horríveis pintando as unhas dos mesmos. Aí o negócio ultrapassa o nível da broxura causando enjôos e náuseas, pelo menos para mim... Tu olha para baixo, há uma cor berrante ali, chamando a atenção, é um pé feio, não cabendo na sandália de salto alto, todo empoeirado e com as unhas todas vermelhas, ugh, argh, por favor... Unhas dos pés pintadas sempre me passam uma idéia de sujeira. Uma situação ideal e aceitável seria a produção descrita lá em cima, mais pés bonitos, mais um ambiente totalmente acéptico ao redor da mulher em questão. Algo que deve ser difícil de acontecer.

Estou me lembrando aqui da música do Dorival Caymmi: "Marina, morena/Marina, você se pintou/Marina, você faça tudo/Mas faça um favor/Não pinte esse rosto que eu gosto/Que eu gosto e que é só meu/Marina, você já é bonita/Com o que deus lhe deu...". Não sei as razões do autor de "Marina", talvez sejam, tenho quase certeza que são, diferentes das minhas. Se tivesse o talento dele eu escreveria uma falando das unhas, tentando rimar moletom e broxura, unhas dos pés e ânsia de vômito...

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Presentes

Existem algumas ações e reações que definem a nossa humanidade, quero dizer, as temos porque somos humanos e deixaríamos de ser se não as tivéssemos. Uma dessas ações e reações está relacionada com o hábito de presentear. Presentear é um ato humano. Não sou um especialista em comportamento animal, mas nunca vi no Discovery uma formiga presenteando outra, ou uma abelha, ou um rinoceronte ou elefante. Afirmo então que presentear é humano, para o bem desse texto.

Se presentear é humano, algo muito mais humano é não gostar do presente. As pessoas são complexas. Podemos conhecer uma pessoa há séculos, mas sempre vamos ter dúvida na hora de escolher um presente, nunca saberemos do que ela gosta realmente, é estranho. Minha mulher parece nunca saber o que vai me dar de presente. Talvez seja a vontade de agradar que atrapalhe, talvez seja o desejo de dar o melhor presente possível, existe sempre esse temor. Isso é muito humano, presentear, ter medo de errar no presente, errar no presente.

Muito mais humano que essas coisas todas, porém, é o ato de não gostar do presente! Muito mais humano que não gostar do presente é a necessidade de não magoar os sentimentos do presenteador. "Olha só, um saca-rolhas com o rosto do Maluf esculpido no cabo! Era justamente o que eu queria!" E o saca-rolhas vai direto para a gaveta e nunca mais será usado. "Veja querida, justamente a camiseta que eu ia comprar, com a frase 'Bebo todas, não importa a marca'! Muito obrigado!" E você não usa a camiseta nem para dormir... É assim, humano, como disse o Nietzsche, demasiado humano.

Minha pergunta é: Por quê? Por que não podemos simplesmente falar a verdade? Por que não podemos ir lá trocar a maldita coisa que uma pessoa querida nos deu? Por que temos de esconder o fato de termos trocado o dvd dos Inimigos do Rei por um realmente bom? Não era a intenção do presenteador nos fazer felizes? Ele não queria que gostássemos e aproveitássemos o presente? Não era essa sua intenção?

Não sei... Não sei... Eu já ganhei mais de um presente que eu simplesmente odiei. É aquele balde de água fria. Seria até preferível presente nenhum, porque agora tu terás um problema. Vais ter que usar, eventualmente, o saca-rolhas com a cabeça do Maluf, a camiseta 'Bebo todas', era preferível o nada. Eu imagino também que já devam ter odiado algum presente que eu dei, mesmo achando uma grande idéia na hora. Ninguém nunca falou a verdade quando ganhou um presente e não gostou, nunca!

É é por isso que eu dou toda a razão para as tias, ouvi dizer que os avós tendem a fazer isso também, mas meus avós morreram quando eu era novo. Mas as tias sim, essas é que têm vivência e tarimba para saber qual o verdadeiro presente para dar: dinheiro! Esse não tem como errar. É claro que vão aparecer uns exigentes e receberão Reais quando gostariam mais de Dólares, mas esses são uns ingratos."Toma aí esse dinheiro e compra o que quiser com ele." Isso sim é frase de quem quer ver os outros felizes. Dinheiro! É isso aí amigos e todos aqueles que querem me fazer feliz e, principalmente, não errar, dinheido no meu próximo aniversário, aí se eu quiser a camiseta divertida ou o saca-rolhas eu mesmo compro.