segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O orgulho gaúcho

Estamos num mês importante para nós, gaúchos, um dos povos mais bairristas que existe. A maioria das pessoas deve saber que no dia 20 de Setembro é comemorada a Revolução Farroupilha, data mais importante no RS. Eu acho bonito as pessoas se interessarem pelo seu passado, acho bonito as pessoas relembrarem as coisas boas que fizeram, mas sem exageros. Muita gente acha que o gaúcho é melhor que os outros, simplesmente por ter nascido aqui embaixo do Brasil: eu sou gaúcho, eu sou melhor (pensam). É claro que esse raciocínio só pode ser fruto da ignorância. O Brasil e o mundo são feitos por pessoas boas, especiais, incríveis. É só estudar um pouco de história e qualquer um vai achar gente muito brava, inteligente e boa no Acre, Maranhão e Paraná, mas o gaúcho padrão, se acha "grandes coisas", para usar uma expressão daqui, só porque alguns antepassados nossos viviam brigando com todo mundo ao redor (sem entrar no mérito das causas da briga).

Na verdade, o problema do gaúcho é simplesmente esse: nós meio que nascemos e crescemos brigando. Na falta de quem brigar, brigávamos entre nós mesmos. Eu sempre acho engraçado quando vejo alguém dizendo: "temos de nos unir". Eu sempre respondo: "é muito mais fácil um gaúcho se separar, se dividir, do que se juntar". Nós temos um hino estadual que quase todo gaúcho sabe cantar, e tem uma parte que eu gosto muito: "Mas não basta pra ser livre/Ser forte, aguerrido e bravo/Povo que não tem virtude/Acaba por ser escravo". E eu vejo todo mundo cantando e cantando, mas na maioria das vezes a parte da virtude fica para trás, enquanto que a bravura assume o controle total do espírito gauchesco. É só sair nas ruas e ver, as pessoas parecem sempre dispostas a brigar, são agressivas, precisam chegar na frente, não podem dar chances. Isso deve ser, na cabeça da maioria, sinal de fraqueza. Nessa época importante do ano eu gostaria de trocar 2 heróis por 10 cidadãos. Queria ver as pessoas se preocupando em fazer o melhor, não jogando o papel do salgadinho no chão, após os desfiles dos piquetes e CTGs, dando a passagem à pessoa que quer cruzar a rua, sendo um bom cidadão e lutando pelo bem comum e não pessoal.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

I want to break free

Uma das minhas frustrações é não saber tocar um instrumento musical. Gostaria de ser um músico, saber tocar, cantar, acho bonito, acho um estilo de vida interessante, charmoso, tocar num barzinho, passar o dia bundando e à noite, onde a vida acontece, pegar meu violão, guitarra, bateria e ir me apresentar em algum lugar, e ser reconhecido. Pode não ser nada disso, mas é uma imagem que tenho. Dito isso, posso dizer que neste final de semana eu fiquei feliz de não ser um músico, pelo menos de não ser um músico famoso, se fosse músico eu iria ser um dos melhores, modéstia a parte.

A pergunta que você deve estar fazendo é justamente esta: Por que eu fiquei feliz de não ter seguido a carreira musical? A resposta é: Porque eu vi o que fizeram com "I want to break free" do John Deacon do Queen. Depois de ver aquilo (não vou citar o autor, nem link, nem p*** nenhuma) eu fiquei pensando que simplesmente não vale à pena. Não vale à pena dedicar a vida à música, compor algo muito bom, algo que entre para a história, faça a diferença, para que algum idiota venha e faça uma versão, pior, uma versão engraçadinha do teu sucesso, da tua obra. A minha única e ínfima alegria é que essa versão esdrúxula e odiosa será apenas conhecida entre uma turma de outros idiotas sem senso bastante para odiar a palhaçada e seus autores. I want to break free é e será sempre conhecida enquanto que a música que não vou citar o nome durará um mês, no máximo, e cairá no esquecimento.

Eu odeio versões, odeio e sempre vou odiar. Versão é um nome bonito para plágio, puro e simples. Eu amo as palavras, acho importante o conhecimento de línguas (quanto mais melhor), mas sei que qualquer um, qualquer idiota consegue colocar uma letra em uma composição (ou melodia), depois que esta foi criada. Versão é uma apologia a burrice, à falta de criatividade e incompetência. Não é uma homenagem ao autor, como alguns acreditam, é o contrário, é uma ofensa, um cuspe na cara. Odeio versões, odeio quem construiu uma carreira em cima de versões. Quem faz e vive de versões não merece o talento musical que possa ter.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A "alegria" de jogar futebol

Seguidamente eu escuto o seguinte comentário: "Ronaldinho (gaúcho) precisa recuperar a alegria de jogar futebol". Realmente, eu acho que o boleiro está precisando mesmo de alegria, dinheiro não falta... Francamente, se eu ganhasse um quaquillhão (essa é para leitores do Tio Patinhas) de dólares (ou euros) eu talvez tivesse alegria de limpar cocheiras. Mas o Ronaldinho não, ele precisa ganhar muito, ser bastante mimado e ainda sim sentir-se alegre o bastante para fazer uma coisa que o fez milionário e famoso, realmente, temos todos que ter comiseração do coitado do Ronaldinho, francamente...

Mas, pensando bem, talvez o problema seja esse mesmo. O cara já é milionário, já ganhou uma copa do mundo, já foi eleito o melhor do mundo (três vezes, se não me engano), o que tem mais para fazer? Pouco. Foi o Seinfeld quem falou uma vez que não conseguia entender como jogadores continuavam jogando se eram milionários, para ele, ser milionário significava ter um mordomo correndo atrás da bola assim que soasse o apito. Talvez ele esteja certo, talvez o Ronaldinho pense da mesma maneira. Quer dizer, jogar bola deve ser divertido, mas acordar cedo, treinar duro e se privar de prazeres deve ser difícil quando se quer e se pode ser apenas um boêmio. Que não me venham com "alegria de jogar futebol" pelo menos, digam apenas, vontade de ser um profissional e não apenas um peladeiro assalariado.