sexta-feira, 30 de março de 2007

Rhodyhvanndhelssonn

Acho que um dos lugares mais interessantes e divertidos para se trabalhar é um cartório de registros. Os funcionários desses lugares têm que lidar com todos os tipos de pessoas e todos os tipos de classes, todo mundo precisa ter o seu registro civil se quiser começar a ser um cidadão.

Uma pessoa quando se torna pai/mãe não tem noção do poder que tem. Não apenas sobre a vida dela e deu seu filho, mas sobre a minha e a tua vida como um todo. Mais uma pessoa no mundo é mais um eleitor daqui há alguns anos, mais um cidadão, mais um ser que vai viver em sociedade. Na minha opinião uma pessoa teria que ter autorização antes de criar uma nova pessoa, algo como porte de arma e carteira de motorista. Não é assim, muita gente será contra a minha opinião e as entendo, mas entendo que todos deveriam ser informados do poder que têm, pelo menos isso.

Há algum tempo atrás, se eu quisesse nomear o meu filho Relógio ou Penico eu poderia. Volta e meia vemos, em algum programa de tv, alguns desses nomes engraçados, engraçados para quem não os têm, é claro. Me lembro do famoso Um Dois Três da Silva Quatro. Parece que isso não pode mais, que os funcionários do cartório estão orientados a dissuadirem (não tenho certeza se podem proibir, acho que sim) os novos papais com imaginação fértil.

Então surgiram os nomes compostos por duas partículas, uma fornecida pelo pai e outra fornecida pela mãe, numa alquimia bizarra onde surgiram as Luciléias (Lúcio e Vanderléia (que por sua vez deve vir de Vanderlei e Léia (vindo Vanderlei de algum nome holandês, aposto (Van der Lei))) e os Claudiolindos (Claudete e Arlindo). Essa prática, parece-me que saiu de moda.

Os próximos da lista foram os nomes inspirados em personalidades estrangeiras, juntamente com o advento do cinema, televisão, jornais e revistas. Dessa forma surgiram os Maicons, as Daianes, os Diones, as Méris e os Dionatans, entre outros que tu deve conhecer e lembrar. Esse costume diminuiu um pouco atualmente.

Atualmente a prática é outra. Eu posso apostar que nesse momento, em algum cartório do país, alguma criança está sendo registrada com seu nome recheado de letras duplas (pelo menos um par) e/ou algum ípsilon fazendo papel de i e/ou algum agá entre duas consoantes. Eu me pergunto, no que pensam esses pais? Eu tenho uma teoria.

Quando uma criança nasce os pais traçam o deu destino de antemão. Se nasce uma criança e os pais a batizam Rhodyhvanndhelssonn (lê-se Rodivândelson) eles estão pensando, estão imaginando que essa pessoa nunca será um protagonista, dificilmente vai ser um coadjuvante e, provavelmente, nunca passará de figurante no papel da vida. Se vai ser um João Ninguém, que pelo menos seja um João Ninguém disfaraçado de alguém importante, alguém que se chame Rhodyhvanndhelssonn!

Dessa forma, os Rhodyhvanndhelssonns que quiserem e tentarem contrariar o seu destino terão que lutar contra tudo e contra todos, contra a sua situação social (não quero ser preconceituoso, mas a maioria dos Rhodyhvanndhelssonns são de classe baixa) e, principalmente, contra seu próprio nome.

Que fique claro aqui, não sou contra os Rhodyhvanndhelssonns, até torço por eles. Mas que fique claro, também, que sou totalmente contra os pais dos Rhodyhvanndhelssonns. Tu quer passar a vida inteira sem pensar uma única vez, tudo bem, mas pelo menos pensa um pouco antes de botar o nome no teu filho e presta atenção no que estou te falando, no futuro o nome mais diferente de todos será João.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Quando falta luz

Vamos combinar uma coisa: homem é bicho. Mil pessoas saltam de suas cadeiras, nesse momento, e dizem:"hey, tu está caindo no lugar comum meu (a pessoa é um americano vivendo em São Paulo), isso já foi dito e repetido mais que o padre-nosso (o cara tinha uma parte castelhana também)".

Está bem, vou falar que o homem é bicho, de novo, mas não vou usar nenhuma situação extrema para ilustrar meu raciocínio. Não, nada de fome, nada de sede, nada de perdido na floresta ou no deserto e nada de marido irado também. Vou usar um exemplo que a maioria aqui, senão todos, já experimentou: quando as luzes são apagadas.

Há alguns dias atrás faltou luz aqui no prédio, poderia falar faltou energia, como bom físico chato, mas faltou luz mesmo, porque era noite sem lua. Nesse momento várias crianças brincavam lá embaixo, defronte a um prédio vizinho que proporciona algum espaço. Você já viu, no discovery ou na tv educativa, uma reunião de chimpanzés? Era mais ou menos isso, a única diferença é que os símios não usam palavrões, o resto foi mais ou menos igual.

É claro, vais me falar: Marcelo, eram crianças, sua formação ainda não está concluída, bla-bla-blá, bla-bla-blá. Então eu te pergunto: E tu, já foste ao cinema? Aposto que já ouviste, pelo menos uma vez tu ouviu algum ÊÊÊ, algum assovio, algum grunhido que seja. É o animal que está gritando, é a besta, é o parente do macaco.

Homem é bicho, meu amigo, sempre que possível, a última palavra, não se engane, é sempre do instinto.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Novidade

Bom, não quero causar alarde, ouvi isso de fontes não seguras, pode ser mentira, mas parece que a partir de hoje alguns novos itens serão incorporados aos veículos vendidos em Brasília, como o pisca/pisca-pisca/seta (chamas como quiseres) e o espelho retrovisor.

Essa, sem dúvida, será uma inovação e tanto, algo a se comemorar nas ruas da capital do meu Brasil varonil. Imagine só, motoristas emocionados, talvez chorando, olhando para trás antes de trocar de faixa, podendo sinalizar previamente antes de tomar qualquer direção. Será o máximo!

É claro, essa novidade ainda levará um tempo para ser assimiliada, "para pegar", as pessoas costumam resistir a novidades, olham desconfiadas, resistem, mas tenho esperança na juventude, sempre mais aberta as novidades como o tuning e a dança da bundinha (para ficar apenas em dois exemplos).

Já imagino-me trafegando contente, confiando nos motoristas à minha volta, assoviando uma linda canção, não usando a buzina nunca mais, não xingando a genitora de ninguém, sabendo exatamente para onde vai cada automóvel, seria o paraíso. Mal posso esperar para ver o primeiro carro equipado com tão sofisticados acessórios.

Ah, para finalizar uma charadinha: Em que lugar de Brasília os telefones celulares têm o melhor sinal? Acertou quem respondeu dentro dos carros.

terça-feira, 27 de março de 2007

Curtinhas

Hoje estou meio sem tempo, mas aqui vão duas curtinhas: adesivos para serem colocados no vidro do carro (já que estão na moda).

Em resposta ao "Jesus Cristo é o Senhor". Sempre acho que essa sentença é direcionada a mim, como se eu tivesse perguntando: quem é Jesus Cristo? A resposta poderia ser simplesmente: Ora, é o senhor!

Quem sabe poderia haver outro do tipo como:
"Carlos/Luis/Marcos/Cristiano/Joaquim/Maria/Isabela/Juliana etc é o senhor/senhora."

Uma para os carros em Cuba: "Deus é Fidel!" Que tal eim? Ia ser um sucesso!

segunda-feira, 26 de março de 2007

La Revolución!

Estava vindo para cá quando cruza, na minha frente, um carro. Tenho tempo de ler um adesivo em seu retrovisor: "voto não é a solução, a saída é a revolução". Lindo né? Olho para baixo e ali está ele, Ernesto Guevara de la Serna, o Che, em plástico auto-adesivo. Tento identificar o motorista: um homem, mais velho do que eu, barba e cabelos já meio grisalhos, vou arriscar uns quarenta anos de idade.

O que é que eu posso dizer? O que? Não sei, mas aquela cena, aquele homem dirigindo aquele carro, me pareceu, deu me a impressão de alguma coisa fora do lugar. Sei lá, fosse um guri dos seus dezoito anos, vinte, isso pode variar, tudo bem, nessa idade somos românticos. Nessa idade, nessa faixa dos quatorze aos dezessete-dezoito, como não transamos muito (nunca entendi por que se lê tranzar com "zê" se é um "esse" que está ali, mas isso é outro assunto), pelo menos na minha época, temos mais é que romantizar mesmo. A fantasia é o que nos resta. Mas um homem que passou dos quarenta anos... Isso não pode ser normal.

É por isso que não posso deixar de rir quando vejo um líder de um partido de ultra esquerda falando, é burguesia para lá, é imperialismo para cá, é não vamos pagar isso, é vamos tomar aquilo para o povo. Rapazes, isso já foi tentado! Senhores, isso não funcionou! O próprio Che, coitado, está em tudo que é camiseta de grife, vendido em figurinhas, estrelando filmes em Oliú. Uma pessoa que tem uma figurinha do Che colada em seu parabrisa não passa de um traidor. A menos que ele mesmo tenha confeccionado a mesma, com suas próprias mãos, de preferência com a pele de algum maldito burguês.

Não sou o grande defensor da democracia, não vejo a perfeição em nosso sistema democrático, mas entendo que este sistema tem uma grande qualidade: a capacidade de evoluir, a capacidade de mudar, a capacidade de melhorar. Não, não acho engraçado quando a população elege uma caricatura para um cargo público, mas essa caricatura vai ficar ali por quatro anos, pode ser que não volte, pode ser que se aprenda com isso. Espaço para o aprendizado há.

Pegar em armas e ir à luta é lindo no cinema, o mocinho (como sou antigo, mocinho) nunca morre, ele salva o dia, salva o planeta, e ainda dá um beijão numa gostosa lá. É claro que uma criança quer pegar em armas e ir para a revolução, em sua cabeça infantil ela é o mocinho, para ela todas as glórias! Mas um homem de meia idade. Um homem de meia idade deve saber como o mundo funciona. Deve saber que não há justiça e merecimento, não divinos, não mágicos, não sobrenaturais. Viva la revolución! Na educação, quem sabe...

sábado, 24 de março de 2007

Hashi

Existe um certo glamour em comer com os pauzinhos. Pessoas vão num restaurante chinês/japonês e acham legal comer com o hashi. Eu acho burrice.

Está certo, os orientais são famosos por sua cultura. Tu pensas em um cara inteligente, tu pensas em um cara desenvolvendo uma TV de última geração ou um robô, tu pensas em um japonês. Mesmo assim, o hashi é burro.

Tu já viste alguém comendo macarrão com os pauzinhos? Tu já viste alguém comendo arroz com o hashi? Basicamente é isso: pega-se a caixinha/prato, inclina-se qualquer um destes à altura da sua boca e simplesmente empurra-se a comida do plano inclinado para seu orifício oral (ficou feio, eu sei, mas não queria falar boca de novo, falei agora, eu sei, mas pelo menos ganhei algumas palavras a mais entre uma e outra). Não é uma cena bonita! Não há charme! Não há glamour!

Eu já tentei comer com o hashi, não consegui, é claro, mas também não tentei muito. Não sou a pessoa com a maior destreza da face da Terra, mas acho que conseguiria se tentasse. Não tentei mais, porque acho um método burro, o contrário não é verdade, não acho burro porque não consegui.

Uma pessoa tem uma desculpa para usar, não preferir, usar os pauzinhos, uma e apenas uma: ela é de origem oriental e quer manter a tradição. É uma coisa burra, mas vá lá, é uma tradição. Já que não pegaria bem o fulano andar de quimono para cima e para baixo, que coma com seus pauzinhos então.

Veja bem, não acho que tudo que é tradição tenha que ser mantido, touradas e jogar virgens em vulcões, por exemplo, são tradições que deveriam ser postas de lado. Então tá, torço sempre para o touro, acho que virgem é um produto raro e tu nunca vais me ver comendo com pauzinhos, me alcança aí um garfo e uma faca.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Sangue no Sundae

Então tá, uma vez por semana, uma vez por mês, no mínimo uma vez por semestre nos deparamos com alguma manchete nos jornais: quadro/imagem de Cristo (ou qualquer santo) sangra. Isso sempre me faz pensar, acho que faz muita gente pensar, mas não gente o bastante. Olhamos para o quadro, alguém está usando um manto vermelho, há tinta vermelha suficiente ali, mas não, trata-se sem dúvida nenhuma de sangue. A celebridade sagrada TEM que estar sangrando, não há outra resposta.

Acho que nunca aconteceu de uma pessoa, vinda do interior, mas interior mesmo, chegar em uma cidade grande, ter a idéia de experimentar um McDonald's (todo mundo que vem do interior sempre: a) vai ao shopping e b) come no McDonald's), pedir um sundae de morango e achar que a cobertura é sangue. Por quê? Por que uma pessoa que nunca viu uma cobertura de morango não acha que a cobertura seja sangue e por que uma pessoa que vê algo vermelho escorrendo em um quadro e imediatamente acha que é sangue? Por causa da fé!

Isso é o que se chama fé, fé é acreditar em algo sem pensar muito, sem ponderar, sem questionar. Tá lá no Wikipédia: " é o mesmo que acreditar ou confiar , geralmente por questões emocionais; por algum motivo geral ou pessoal, por alguma razão específica ou mesmo sem razão bem definida, sem evidências físicas". Então tá, proponho alguma coisa, sugiro, afirmo, você acredita sem olhar, você tem fé. Às vezes falta a expressão correta em sua língua so: I'm okay with that (estou okay com isso, estou satisfeito com isso, vá lá).

Com o que não fico satisfeito é com a necessidade que algumas religiões (para não dizer todas, há sempre um perigo nas palavras totais: tudo, nada, todos, ninguém; nunca ou quase nunca (estava quase caindo na armadilha que eu mesmo estava tentando mostrar) exprimem a realidade) têm de provar os seus dogmas e suas verdades. Não! Não há que se provar, não precisa. Quem já acredita não vai acreditar mais, quem não acredita não vai passar a acreditar . Não há que se ofender quando se afirma que a fé é cega, a cegueira é uma prerrogativa da fé.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Da idéia

Escrever, há muito tempo, é uma idéia fixa em minha mente. Bem, não escrever exatamente, isso faço há tempos, mas publicar o que escrevo. É verdade que muita gente é assim como eu, tendo talento ou não (assim como eu), mas a questão é: como começar? A resposta para essa questão vem no formato de um Blog e nas facilidades que surgem em viver nessa época em que vivemos.

Leio desde que aprendi a ler, sentença óbvia, mas não verdadeira para todos. Falo da leitura por escolha, muito diferente da por obrigação. Li bastante, mas li pouco. Gostaria de ter lido mais, mas entendo que esse processo deve ser natural, não pode ser forçado, assim como não pode um sentimento.

Coleção Vagalume, Richard Bach e Paulo Coelho (nem sempre tive trinta anos); Herman Hesse, Sir Arthur Conan Doyle, Luis Fernando Veríssimo, Millor Fernandes, Érico Veríssimo, João Simões Lopes Neto, J. R. R. Tolkien, Josué Guimarães, José Saramago, Mário Quintana, Machado de Assis, Maquiavel, Karl Marx. Essas pessoas, entre outra, fazem parte da minha vida e fazem parte da sua, mesmo que tu não saibas. Essas pessoas, todas, e muitas outras mais, me influenciaram e me guiaram até aqui, até esse texto, até esse blog.

Todos temos que começar e esse é o começo. Espero que vocês gostem, pois eu vou gostar muito.