terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A "alegria" de jogar futebol

Seguidamente eu escuto o seguinte comentário: "Ronaldinho (gaúcho) precisa recuperar a alegria de jogar futebol". Realmente, eu acho que o boleiro está precisando mesmo de alegria, dinheiro não falta... Francamente, se eu ganhasse um quaquillhão (essa é para leitores do Tio Patinhas) de dólares (ou euros) eu talvez tivesse alegria de limpar cocheiras. Mas o Ronaldinho não, ele precisa ganhar muito, ser bastante mimado e ainda sim sentir-se alegre o bastante para fazer uma coisa que o fez milionário e famoso, realmente, temos todos que ter comiseração do coitado do Ronaldinho, francamente...

Mas, pensando bem, talvez o problema seja esse mesmo. O cara já é milionário, já ganhou uma copa do mundo, já foi eleito o melhor do mundo (três vezes, se não me engano), o que tem mais para fazer? Pouco. Foi o Seinfeld quem falou uma vez que não conseguia entender como jogadores continuavam jogando se eram milionários, para ele, ser milionário significava ter um mordomo correndo atrás da bola assim que soasse o apito. Talvez ele esteja certo, talvez o Ronaldinho pense da mesma maneira. Quer dizer, jogar bola deve ser divertido, mas acordar cedo, treinar duro e se privar de prazeres deve ser difícil quando se quer e se pode ser apenas um boêmio. Que não me venham com "alegria de jogar futebol" pelo menos, digam apenas, vontade de ser um profissional e não apenas um peladeiro assalariado.

domingo, 17 de janeiro de 2010

De volta ao sul

Bueno, depois de uma longa temporada longe da minha cidade natal, estive 10-11 anos fora, Santa Maria, que é ali do lado, depois Brasília e então Feira de Santana, interior da Bahia. Antes de sair de Pelotas eu não era grande fã da cidade, como muita gente que mora ou morou por aqui. Não estou dizendo que é o melhor lugar do mundo, acreditem, apenas dizendo que não é assim tão mal, na verdade, dentro da ótica certa, tou dizendo que é bom. É claro que sou uma pessoa positiva de certa forma, em relação à humanidade, nem tanto, confesso que sou negativo na maioria das vezes, mas em relação às coisas ao meu redor, sempre enxergo as coisas boas. Gosto muito de Santa Maria, mais ainda de Brasília, Feira de Santana talvez nem tanto, mas é claro que haviam coisas boas por lá, eu sempre acho algumas coisas boas.

O fato é que estou de volta à Pelotas, de volta para descobrir que nunca saí mesmo daqui. Não, não, não fiquem achando que saí com vontade de voltar, coisas que muitos fazem (cada um com suas razões). Eu saí querendo sair, querendo ver, conhecer, viver, indo onde essa vida de pesquisador (cientista, se me perdoarem os de verdade) me levasse. E fui, e não me arrependi. Mas eu digo que nunca saí porque é impossível deixar para trás vinte e dois anos de aprendizado, costumes e valores. Princiapalmente, é impossível deixar para trás esse período de memórias. Fiquei feliz de voltar, admito, muito mais do que imaginaria se imaginasse. Talvez porque seria o fim da vida de incertezas que minha profissão demanda, pelo menos por um período, de todo mundo, talvez porque teria uma posição fixa e permanente, talvez porque pudesse "settle down" como diriam os americanos (desculpem os puristas, mas acredito que algumas coisas só podem ser ditas em certas línguas, pena que sei - não tão bem assim - apenas duas). Mas talvez eu tenha ficado um pouco mais feliz em voltar para um lugar onde cresci e vivi durante a maior parte da minha vida.