Sou fan de futebol e acompanho as notícias relacionadas a ele. Não posso deixar de notar e também apoiar o repúdio da imprensa a fatos como invasão de campo e arremessos de objetos em direção ao gramado por parte de "torcedores" (aqui entre aspas porque há gente que entende que não são torcedores, mas marginais, bandidos ou assemelhados infiltrados e encobertos pela multidão, concordo com isso, porém em parte (mais tarde ficará mais claro)). Não consigo, entretanto, deixar de relacionar esse tipo de atitude com outros fatos que vêm de dentro da casamata (ou até do escritório do Presidente (do clube, por favor)) para fora, em direção à arquibancada.
O que estou querendo comentar aqui, a relação que desejo fazer, é essa mania nacional (talvez continental) da vitória à qualquer custo e, pior ainda, de qualquer maneira com os atos de disparo dos famigerados rojões, bombas e foguetes. Com à exceção de pouquíssimos esportes, a tônica geral é da trapaça e da anti-desportividade. Não é raro vermos dirigentes sabotando vestiários de equipes adversárias ou apoiando (senão patrocinando) eventos como estouro de foguetes sobre concentrações "inimigas", bem como jogadores tentando enganar o juiz (o eterno culpado). Há pouco tempo atrás vimos um técnico de futebol usar de artimanhas nada admiráveis, avisando aos jogadores de um time que este não tinha mais chance de classificação para tal competição, numa tentativa de desmotivar essa equipe (ao invés de tentar motivar a sua). Cito esses fatos, mas tenho certeza de que mais do que isso acontece, o que importa mais é a vitória, o que importa menos é como ela aconteceu.
Eu mesmo adoro quando meu time ganha um campeonato ou um jogo. Ficaria mais feliz, entretanto, se no dia após a decisão eu pudesse dizer: "Meu time foi campeão e o time adversário pôde dormir tranquilo na véspera, pôde treinar sossegado antes da partida e teve toda a assistência necessária como time visitante". Isso iria me deixar mais orgulhoso da vitória do meu time. Fazer o contrário seria admitir que minha equipe é inferior e que, apenas através de trapaça eu pude igualar uma situação desigual. Eu não posso pôr tanta culpa no torcedor que joga a pilha ou o rádio em direção ao adversário se o dirigente ou o técnico (ou ambos) são coniventes com o jogador trapaceiro que é "malandro" quando joga no seu time, mas condenável quando está no adversário.
Não sei, talvez a busca da vitória à qualquer custo seja uma forma extrema de competitividade, canalizada de forma errônea (existe gente que não admite perder). Há quem vá dizer que isso faz parte do "folclore do futebol" ou coisa que o valha quando for ele o favorecido, mas irá reclamar quando for o contrário. O torcedor, mesmo o não marginal, deve ser observado dentro de um contexto, se a moral vigente o ensina que a vitória desleal ou ilegal ainda é uma vitória não se pode esperar que o mesmo entenda o contrário, a moral vigente é que deve ser mudada. Não se pode bater palmas para o desonesto para, a seguir, exigir honestidade, no futebol e na vida.

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