terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sociedade, humanidade...

Eu não sei se você já viu, é uma dessas animações (antigos desenhos animados) já meio velhas, não sei se é o "Formiguinhaz", mas tenho quase certeza que é, não interessa, a mensagem é que interessa. Nessa animação uma das formigas descobre ou decide que é um indivíduo, assim por dizer, individual, e que vai tomar as suas próprias decisões, que vai começar a pensar por si só e azar, o resto do formigueiro que se exploda. É uma mensagem bonita e tals, as pessoas (formigas são apenas metáforas) devem mesmo ser capazes de pensar por si mesmas, uma redundância, admito, devem aprender a pensar e ponto final. Entretanto, talvez, quem sabe, esse pensamento tenha ido um pouco longe demais e de uma forma um tanto quanto distorcida, na prática.

Veja bem, não acredito que as pessoas pensem muito. Existe um movimento "Maria vai com as outras" (as Marias que me desculpem, mas é só uma expressão, algo como "Maria chuteira", talvez porque Maria era um nome comum antigamente, antes das Kathlens, Thamys, Tifannys e tudo que tenha muito "y" e muito "h", saudade desse tempo, ninguém tinha que falar seu nome e soletrar depois...) muito grande no Brasil, no mundo, o jornalista dá uma notícia, a notícia vem seguida de uma opinião, o público não tem que pensar, é uma maravilha, é muito fácil ter alguém para pensar pela gente. Quero dizer que pensar é bom, pensar mesmo, debater e concluir, mas me desculpem porque a redundância é necessária agora, pensar por si mesmo é diferente de pensar em si mesmo, e era aí que quero chegar.

É consenso geral que as pessoas vivem em sociedade. Eu não sei não... Eu acho que as pessoas mais vivem juntas do que vivem em sociedade. Talvez famílias, amigos e pessoas próximas em geral vivam. Elas colaboram, elas interagem, elas pensam no bem alheio (definição de sociedade não é uma coisa trivial, mas minha idéia é essa), mas isso pára (parece que a reforma da Língua Portuguesa vai acabar com o acento do pára (do verbo parar) que o diferenciava do para (preposição) sem acento, vou sentir falta dele) por aí, não vai muito mais longe. O resto das pessoas vivem perto, emboladas, amontoadas, mas uma coisa que cada vez mais raramente acontece é o aparecimento do espírito de sociedade.

As formigas vivem lá, num formigueiro, um formigueiro é uma cidade de formigas, algumas vão ser operárias, algumas vão ser soldados e etc, é claro que formiga não pensa, mas elas sabem que uma formiga só não faz verão, nem formigueiro, nem novas formiguinhas, nem nada, não existem formigas eremitas bem sucedidas na história das fomigas. Isso é uma sociedade (na minha concepção) seres vivendo juntos, com alguma vantagem para todos, onde todos têm o seu papel e o interesse comum está acima de tudo.

O que acontece no Brasil, o que acontece nas grandes cidades é uma coisa um tanto quanto diferente. O filme "Formiguinhaz" fala de individualidade, algo louvável, vivemos a época do individualismo, algo que pode soar parecido com individualidade, palavras com a mesma raiz, mas pode-se dizer que a segunda é uma distorção da primeira, algo como os irmãos gêmeos malvados das novelas e filmes. As pessoas não querem saber. O bem comum, em detrimento do bem social, é a realidade. Eu posso levar vantagem, eu levo. Isso vai prejudicar a terceiros? Não me interessa! Todo mundo quer o meu fígado e eu quero o fígado de todo o mundo. Quero todas as vantagens possíveis. Essa é a tônica, não sei se foi sempre assim, talvez tenha sido, me parece que agora é mais. A humanidade é individualista, vivemos no meio de outras pessoas apenas porque temos vantagens, é parecido com as formigas nesse ponto, mas é diferente, sobreviveríamos isolados, ao contrário das formigas, aturamos uns aos outros porque é bem melhor, mas se pudéssemos ter tudo o que temos (bens materiais e confortos) e explodir os que estão ali nos atrapalhando faríamos sem pestanejar.

Observe que estou usando o nós, não estou me excluindo dessa. O homem é um ser social forçado e falso, alguns mais, alguns menos. Inclusive, talvez, o fato de uma consciência de que um pouco mais de preocupação com os outros seja um maneira de ter um maior ganho pessoal, em forma de uma qualidade de vida melhor, algo que entendo como verdade, seja nada mais do que um ato egoísta e individualista. Quero que todos os outros comecem a se respeitar e pensar mais na felicidade alheia para eu mesmo me aproveitar disso, mas o que possoa fazer? Sou humano e individualista, assim como tu és.


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