Eu estou sempre correto em qualquer situação envolvendo trânsito, e vocês, estão sempre errados.
Se estou a pé eu tenho a certeza de que os veículos todos têm que me respeitar, já não basta eu estar ali, suando, tomando sol ou chuva e o meu semelhante sentadinho, ouvindo um rádio e no ar condicionado? Eu, portanto, vou atravessar a rua na velocidade mais baixa que eu puder, encarando o motorista safado, castigando-o e mostrando quem é que manda. Ele que espere, o inimigo do povo, burguesinho que tem um carro.
Se estou de carro eu acho que os pedestres são todos recalcados porque não têm carro. Eu quero é chegar lá e quero chegar depressa. Esperar não é comigo, saiam todos do meu caminho e já! O mesmo vale para quem trafega de bicicleta. Vão andar em outro lugar, que peguem um ônibus, de preferência todos no mesmo ônibus para que a cidade não fique muito cheia destes e que não me atrapalhem também.
O mesmo vale para as outras pessoas que estão dirigindo. Por que não estão andando? Motos, carros, ninguém sabe aonde está indo. Ninguém acelera imediatamente assim que o sinal abre, pior, ninguém acelera antes mesmo do sinal abrir. Eu tenho a absoluta certeza de que tenho o direito de parar aonde eu quiser, como eu quiser e quando eu quiser, estacionar nem se fala, eu buzino para todo mundo, dou sinal de luz (principalmente se estiver aqui em Feira de Santana), eu faço gestos de impaciência.
Por que eu sou um animal! Eu deixo de ser um cidadão, mesmo que eu seja normalmente um mau cidadão. Eu quero matar ou morrer tentando matar! É assim que eu sou! Adicione a isso tudo, a esse meu instinto assassino e egoísta, a falta de leis, ou falta de cumprimento das leis, a falta de fiscalização, a minha falta de educação e consideração com os outros, a minha idéia de que sou o monarca de toda a rua e você chegará ao que temos hoje. A selva de que tanto sentimos falta em nosso íntimo selvagem está recriada aí fora, sobre o asfalto ou a pedra. Só o mais forte sobreviverá.
Se estou a pé eu tenho a certeza de que os veículos todos têm que me respeitar, já não basta eu estar ali, suando, tomando sol ou chuva e o meu semelhante sentadinho, ouvindo um rádio e no ar condicionado? Eu, portanto, vou atravessar a rua na velocidade mais baixa que eu puder, encarando o motorista safado, castigando-o e mostrando quem é que manda. Ele que espere, o inimigo do povo, burguesinho que tem um carro.
Se estou de carro eu acho que os pedestres são todos recalcados porque não têm carro. Eu quero é chegar lá e quero chegar depressa. Esperar não é comigo, saiam todos do meu caminho e já! O mesmo vale para quem trafega de bicicleta. Vão andar em outro lugar, que peguem um ônibus, de preferência todos no mesmo ônibus para que a cidade não fique muito cheia destes e que não me atrapalhem também.
O mesmo vale para as outras pessoas que estão dirigindo. Por que não estão andando? Motos, carros, ninguém sabe aonde está indo. Ninguém acelera imediatamente assim que o sinal abre, pior, ninguém acelera antes mesmo do sinal abrir. Eu tenho a absoluta certeza de que tenho o direito de parar aonde eu quiser, como eu quiser e quando eu quiser, estacionar nem se fala, eu buzino para todo mundo, dou sinal de luz (principalmente se estiver aqui em Feira de Santana), eu faço gestos de impaciência.
Por que eu sou um animal! Eu deixo de ser um cidadão, mesmo que eu seja normalmente um mau cidadão. Eu quero matar ou morrer tentando matar! É assim que eu sou! Adicione a isso tudo, a esse meu instinto assassino e egoísta, a falta de leis, ou falta de cumprimento das leis, a falta de fiscalização, a minha falta de educação e consideração com os outros, a minha idéia de que sou o monarca de toda a rua e você chegará ao que temos hoje. A selva de que tanto sentimos falta em nosso íntimo selvagem está recriada aí fora, sobre o asfalto ou a pedra. Só o mais forte sobreviverá.

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