Dentre todas as coisas que existem na minha casa a coisa que mais junta pó é o aspirador de pó. Por fora, não estou falando por dentro, dentro é óbvio. Ele é feito para isso. Estou falando por fora. Essa é uma das questões que sempre me intrigou:
Quem tira o pó do aspirador de pó?
Não sei. A julgar pelo pó que se acumula no meu, eu tenho certeza que ninguém. Poderia se imaginar o próprio aspirador de pó sugando esse pó que se acumula sobre ele. Não sei se é possível, aquele emaranhando de tubos e fios, não sei... Mesmo que isso fosse possível eu fico pensando que isso seria, de certa forma, algum tipo de experiência auto-erótica, acho que não pegaria bem.
Qual seria a saída para isso? Comprar outro aspirador de pó? Um sugando o pó do outro, ambos limpinhos? Poderia ser... Quem sabe... Isso ficaria difícil, entretanto, no meu apartamento que é ínfimo. Alguém poderia me sugerir que eu passasse um pano no coitado do aspirador, mas as donas de casa atentas sabem que um simples paninho não elimina o pó, ele apenas o espalha e isso seria mais trabalho para o coitado e poeirento aspirador de pó.
Triste. Triste ironia. É por isso que acho que o eletrodoméstico mais infeliz, o utensílio doméstico mais triste, a parte da casa mais miserável, muito mais do que a privada (que realmente faz um serviço sujo) é o pobre do apsirador de pó. Acho que em outra encarnação eles eram impressoras que viviam travando, eram batedeiras que sempre espirravam farinha, eram geladeiras que viviam congelando, e agora estão pagando em uma nova vida, ser aspirador de pó não é destino, é karma...

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