quarta-feira, 13 de junho de 2007

Mais uma...

Ontem estreou na TV mais uma série passada no Nordeste Brasileiro contando mais um pouco da história do povo nordestino, que, como todos sabem, é um povo sofrido, lutador, que nunca se entrega e mais alguns milhares de adjetivos, todos cabíveis. Quero falar sobre isso hoje.

De antemão eu gostaria de dizer que realmente acho que o "povo nordestino" tem suas qualidades e que a cultura do nordeste, muito mais que a "axé music" (olha só que nome nacional), é bastante rica, mas, como dizem os uruguaios: "give me a break"! Conheço muitos outros povos (dentro e fora do Brasil) que são quase, tão ou mais lutadores e sofridos que o nordestino brasileiro. Povo é formado de gente, gente é um monte de pessoas, pessoas (e animais também) sempre lutaram e sempre lutarão pela sobrevivência, é fato.

Minha pergunta então é: Por que existe toda essa propaganda? Por que todo esse endeusamento? Por que toda essa exaltação do povo que mora na região nordeste do país (interior, de preferência)? A resposta veio ontem, na forma de uma iluminação (pois é, minha mulher acendeu as luzes bem na hora): culpa e pena! As pessoas sentem culpa e pena! Talvez não devessem sentir, talvez devessem mesmo, mas o fato é que elas sentem. Vamos aos fatos:

1 - O povo nordestino é um povo marginalizado. É claro que é bonito ir para a TV e bradar aos quatro cantos que o Brasil é um país heterogêneo, com mistura de raças, que aqui não há preconceito e o escambau. Mentira! Esse país é racista, é elitista e é descriminatório. Um dia gostaria de falar isso para a platéia e descobrir se ainda ganho palmas, suspeito que sim, eles sempre batem palmas. Os nordestino, alguns, saem de sua terra para buscar uma vida melhor em outros lugares, São Paulo principalmente. Acontece que eles saem crus (aqui estou me referindo sempre a maioria, que fique claro, entendo que não acontece com todos), sem educação ou com pouca, sem muita qualificação. Então são marginalizados e isso gera culpa da parte dos marginalizadores.

2 - O povo nordestino enfrenta um clima muito pouco favorável e nunca encontraram, bem talvez tenham encontrado, mas nunca aplicaram uma solução. Ainda lembro, a primeira fase que ouvi após nascer foi: "Esse ano o país vai investir tantos dinheiros para acabar com a seca no nordeste". Ouvi essa frase no meu primeiro aniversário e sigo ouvindo até hoje. Ninguém resolveu mais que seus problemas pessoais, o dinheiro sumiu e some, vira pó, mas de pó o interior do nordeste já está cheio. Então as pessoas sentem pena. Pobre do nordestino...

Que é que posso fazer? Dou um aumento para meu empregado, motorista, porteiro, diarista ou apenas tento aumentar sua moral e brado aos quatro cantos que esse povo é muito bravo e lutador? Bom, a segunda hipótese é bem mais barata e ainda me garante a oportunidade de falar mal dele (dela) pelas costas, reclamando dessa gente que sai de lá e vem para cá. Não quero ser mal entendido aqui, não tenho nada contra povo nenhum, apenas penso, apenas não gosto dessa mania que temos, nos ufanamos do "povo nordestino" (isso também acontece com o "povo brasileiro") ao invés de dar-lhe condições de conquistar sua educação, seu respeito e sua dignidade.


Um comentário:

Anônimo disse...

O povo nordestino seria então uma versão extrema do povo brasileiro. E por isso receberia um tratamento extremo.
Eu acho um ótimo metodo pagar as pessoas com elogios e nao com verdadeiros recursos.
Pra que gastar grana pra realmente tornar alguem elogiavel? Basta elogiar. Talk is cheap, já diz o ditado. Muitos elogios tb melhoram o humor de um possivel (provavel) descontente.
É como os empregos de TI em POA (falo sobre TI em POA pq é o unico que conheço, nao posso falar de outros lugares ou outros empregos), os caras nao podem/querem de pagar muito, entao eles te dao uns titulos bonitos. Antes eu era analista de produçao e ganhava 1200 reais, agora sou gerente de produçao, ganho 1400...
O aumento foi de 200 pila, mas o título serviu pra preencher o vazio do salario.