segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ir e voltar

Neste final de semana eu fui "viajar", viajar entre aspas uma vez que não fui tão longe assim, mas ainda assim (a palavra certa aqui seria "still"). Então eu fui e voltei e na volta não pude deixar de pensar em como as coisas são fáceis nos dias de hoje: pela manhã eu estava ali e logo depois de uns 150 km eu estava almoçando acolá, simples, fácil e rápido. Mas também eu estava perto, você pode dizer, realmente eu estava, mas o que eu queria dizer era outra coisa, vou chegar lá.

Tenho viajado bastante durante este ano, moro há 100 km de Salvador e já estive duas vezes em Pelotas-RS e uma em Santa Maria-RS, ou seja, viajei aproximadamente 19.884 km em cinco meses. Isso talvez seja pouco até, mas também é muito se escolheres um outro referencial (pensa viajar essa distância há 100 anos atrás). Eu levei, em média, umas 11 ou 12 horas viajando, pouco por culpa de tempo de espera em conexões, escalas e muito por culpa do ônibus Porto Alegre-Interior (geralmente responsável por 1/3 ou mais do tempo de viagem). Eu levei esse tempo, 11 horas para atravessar o Brasil e achei sempre demorado, ruim, mas também eu não pensei muito, simplesmente porque é muito fácil. Se eu pensasse em andar 3000 km há 100 anos atrás, com certeza 11 horas seria um tempo maravilhoso, se pensasse em 20 anos atrás, talvez, onde passagens aéreas eram muito caras e eu tivesse de ir de ônibus, 11 horas seria muito rápido. Mas eu estava pensando no agora e, no agora, 11 h é tempo demais.

É uma coisa realmente muito engraçada, pela manhã tu estás em um lugar onde se fala português de um jeito, se toma chimarrão e as camisetas são metade azuis e metade vermelhas, o tempo está de tal jeito, os costumes são estes, a comida é aquela. Daí a pouco você está em outro lugar e o axé é a música ambiente, o sotaque mudou completamente e também a culinária. E a vida segue, mudou só o cenário (e também os figurantes). Não é uma coisa incrível? Você toma o café da manhã em Porto Alegre e vai jantar em Salvador, é realmente surpreendente. Só que não percebemos, a vida segue como eu disse, temos que pagar o aluguel, o Grêmio joga na quarta-feira, o ritmo sempre é acelerado e não temos muito tempo para "filosofar" sobre distância x tempo. E ainda reclamamos que levou 11 horas...

Um comentário:

Unknown disse...

Cara, realmente é muito fácil viajar hoje em dia. Eu às vezes aprecio fazer uma coisa mais roots: pegar o carro e botar o pé (ou seria a roda?) na estrada.

Bom, postei este comentário mais para lembrar o papinho hoje que estava legal.

Sugiro que tu escrevas um artigo sobre aquelas coisas que a gente estava falando, acho que seria bem interessante.

Abração!

Ah!
E se tu passar aqui por POA, faz uma visita pra gente!