Eu acho que finalmente entendi o que a Aristocracia queria dizer. Acabei de ler lá o "Retrato de Dorian Gray", cheguei na garagem do meu prédio e vi o carro de um vizinho e essas duas coisas me fizeram entender o que os Aristocratas estavam tentando dizer esse tempo todo. Não perca!
Há algum tempo atrás, menos nos tempos atuais, mas ainda vivo, existia tal costume: Alguém de uma família nobre ou antiga, que teve ou ainda tem algum dinheiro e/ou terras, perguntar à pessoa a ela apresentada o seu respectivo sobrenome e/ou origem. Isso é, talvez eu deva usar aqui o era, algo muito irritante para uma pessoa assim como eu, que não vem de uma família aristocrata e rica.
Muitas das famílias com nomes tradicionais, é sabido, não possuem mais a riqueza que tiveram outrora, mas elas tentam manter aquela pompa como já mostraram algumas novelas (no tempo que eu via novelas, admito, já vi sim) e como mostra, eventualmente, a vida real. Isso costuma irritar o público popular, aquele jargão, come feijão e arrota caviar e etc. Mas eu quero dizer aqui que a Aristocracia tem razão.
Veja bem, a Aristocracia não era definida pelo dinheiro que possuía simplesmente, o dinheiro era importante, mas não era o mais importante. O refinamento, o bom gosto e, mais importante, a discrição eram as qualidades mais importantes de um aristocrata, o dinheiro era um acessório, uma coisa óbvia que vinha junto com o resto, ninguém se preocupava com ele.
Então o mundo começou a mudar, algumas pessoas começaram a ganhar dinheiro, pessoas que não tinham um sobrenome de respeito, os populares novos ricos. Os novos ricos vinham de famílias honestas, trabalhadoras, tenazes, com inúmeras qualidades, mas com um grande defeito. Eles costumavam comer de boca aberta, não saber que talher usar e outras gafes que podem até parecer (e ser) idiotas, mas eles foram longe demais!
O carro de um dos meus vizinhos é um carro que eu não posso pagar, nem eu nem a maioria, acho que é um BMW, um carro grande, esportivo, grande, bonito, mas é um carro de um novo rico (ou novo classe média alta, mas tu entendeu). Como é que eu sei? Esse carro tem um adesivo no pára-choque. Esse adesivo contém a frase: "Aqui nóis trepa". Aqui nóis trepa...
Era isso! Era isso que a Laurinha Figueroa queria dizer quando odiava a, se não me engano, Maria da Sucata. A Maria da Sucata (que o nome deveria ser Maria do Carmo) tinha lá o que a Laurinha não tinha, dinheiro, mas a Maria da Sucata não tinha nome, não tinha história, não vinha de uma linhagem nobre ou aristocrata. A Maria da Sucata iria comprar uma BMW (ou qualquer outra dessas marcas), ela iria colocar um adesivo de extremo mal gosto, ela iria colocar o som no último volume tocando um funk escrito por um analfabeto, ah ela iria.
Entenda-me meu caro leitor, esse texto não é a respeito de dinheiro, não é a respeito de nome, não é a respeito de nada disso. Eu tenho certeza que existe muita gente "sem nome" por aí que é um grande aristocrata, que como falei no começo do texto, não estava nem aí para o dinheiro. Esse texto é sim, uma ode ao bom gosto, à discrição e à cultura. A aristocracia esteve sempre certa... E não pense que a Aristocracia não trepa, deve trepar muito mais que muito plebeu, mas eles não fazem alarde, fazem isso com discrição.

Um comentário:
Hehehehe... Nada pior do que o novo rico mesmo... Talvez devesse existir um vestibular pra cada decisão importante na vida de uma pessoa. O pai e a mãe talvez devessem responder algumas perguntinhas antes de registrar o filho no cartório... Se rodassem não podiam escolher nada... O funcionario selecionava aleatoriamente um nome de uma lista, sei lá... (bom o problema dos nomes tu ja tinha falado aqui)
O fato da cultura e da riqueza serem relativamente dissociadas é um problema mesmo, pois acaba gerando esse tipo de coisa...
Concordo ctg, a laurinha estava coberta de razao!
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