segunda-feira, 26 de março de 2007

La Revolución!

Estava vindo para cá quando cruza, na minha frente, um carro. Tenho tempo de ler um adesivo em seu retrovisor: "voto não é a solução, a saída é a revolução". Lindo né? Olho para baixo e ali está ele, Ernesto Guevara de la Serna, o Che, em plástico auto-adesivo. Tento identificar o motorista: um homem, mais velho do que eu, barba e cabelos já meio grisalhos, vou arriscar uns quarenta anos de idade.

O que é que eu posso dizer? O que? Não sei, mas aquela cena, aquele homem dirigindo aquele carro, me pareceu, deu me a impressão de alguma coisa fora do lugar. Sei lá, fosse um guri dos seus dezoito anos, vinte, isso pode variar, tudo bem, nessa idade somos românticos. Nessa idade, nessa faixa dos quatorze aos dezessete-dezoito, como não transamos muito (nunca entendi por que se lê tranzar com "zê" se é um "esse" que está ali, mas isso é outro assunto), pelo menos na minha época, temos mais é que romantizar mesmo. A fantasia é o que nos resta. Mas um homem que passou dos quarenta anos... Isso não pode ser normal.

É por isso que não posso deixar de rir quando vejo um líder de um partido de ultra esquerda falando, é burguesia para lá, é imperialismo para cá, é não vamos pagar isso, é vamos tomar aquilo para o povo. Rapazes, isso já foi tentado! Senhores, isso não funcionou! O próprio Che, coitado, está em tudo que é camiseta de grife, vendido em figurinhas, estrelando filmes em Oliú. Uma pessoa que tem uma figurinha do Che colada em seu parabrisa não passa de um traidor. A menos que ele mesmo tenha confeccionado a mesma, com suas próprias mãos, de preferência com a pele de algum maldito burguês.

Não sou o grande defensor da democracia, não vejo a perfeição em nosso sistema democrático, mas entendo que este sistema tem uma grande qualidade: a capacidade de evoluir, a capacidade de mudar, a capacidade de melhorar. Não, não acho engraçado quando a população elege uma caricatura para um cargo público, mas essa caricatura vai ficar ali por quatro anos, pode ser que não volte, pode ser que se aprenda com isso. Espaço para o aprendizado há.

Pegar em armas e ir à luta é lindo no cinema, o mocinho (como sou antigo, mocinho) nunca morre, ele salva o dia, salva o planeta, e ainda dá um beijão numa gostosa lá. É claro que uma criança quer pegar em armas e ir para a revolução, em sua cabeça infantil ela é o mocinho, para ela todas as glórias! Mas um homem de meia idade. Um homem de meia idade deve saber como o mundo funciona. Deve saber que não há justiça e merecimento, não divinos, não mágicos, não sobrenaturais. Viva la revolución! Na educação, quem sabe...

Um comentário:

Sr. Leandro disse...

Aí, Marcelo! Essa história de revolução e o escambau me faz lembrar de um amigo em comum que nós temos, que adora defender revoluções e outras soluções do tipo "tem que matar tudo!". Dia desses perguntei a ele, "Cara, se explodir essa merda, tu vai lá levar tiro?", ao que ele respondeu "Olha, não sei se tenho condições de saúde pra isso, mas se me aceitarem..." O pessoal que estava ouvindo a conversa mal pôde segurar a gargalhada...
Então é isso, nesse mundo todos são revolucionários enquanto dirigem seus carros e dormem em camas bem postas. Confesso meu passado (principalmente entre os 15-17), e as razões não poderiam ter sido melhor explicadas no teu tópico! Vai ver alguns ainda sofrem disso... :-)

Grande abraço!