segunda-feira, 3 de março de 2008

Celular

Eu tenho, eu costumo carregar quando saio de casa, mas eu vivo sem ele. Por exemplo, eu saio de carro e muitas vezes eu deixo ele por ali se vou comer, fazer alguma compra ou se estou na academia. Se alguém quiser falar comigo nesse meio tempo não vai conseguir, de qualquer forma, assim que acabar meu almoço, minhas compras ou minha ginástica eu ficarei sabendo se alguém me ligou e quando. Eu poderei ligar de volta. Perfeito!

Eu confesso que às veze me acho um ET (igual àquele do filme), entretanto. Eu vejo as pessoas na academia carregando os seus celulares para cima e para baixo e fico imaginando quem é essa gente. Eu sempre acho que são cirurgiões, talvez bombeiros ou super-heróis, alguém que precisa ser encontrado naquele exato momento ou será tarde demais. No entanto, sempre que alguém recebe uma ligação na academia e eu estou por perto, nunca parece ser um assunto assim, de vida ou morte, nunca ninguém ficou dando instruções de como deveria ser feita uma incisão e nunca uma pessoa saiu correndo da academia após essa ligação.

Temos um "esquema" eu e minha mulher, temos um telefone fixo e um celular que são compartilhados, algumas vezes o celular fica comigo, algumas com ela, de acordo com a ocasião. Quer dizer, o celular nos serve, como entendo que deveria ser. É nesse ponto que quero chegar. Eu não gosto da idéia de estar disponível, simplesmente não quero. Não vinte e quatro horas por dia. Você quer falar comigo? Você deve poder esperar um pouquinho. Deve ser por isso que tenho poucos amigos, deve ser por isso que pouca gente me liga para bater papo (outra coisa que não sei fazer é bater papo no telefone): a minha indisponibilidade. Um dos grandes prazeres que descobri na idade adulta é a não necessidade de atender o telefone, domingo pela manhã, domingo à noite. Isso é liberdade, o resto é propaganda de cigarro ou de carro.

Um comentário:

Anônimo disse...

Cara, eu odeio celular.
Tenho um velho aqui, que de vez em quando carrego comigo. Como trabalho em casa, ele fica a maior parte do tempo na cabeceira da minha cama, e tem a mesma utilidade que o telefone fixo. Particularmente, acho um peso desconfortável de carregar, além de ser uma coisa extremamente inconveniente. Tem coisa mais desagradável que tu estar falando com uma pessoa na rua e de repente o celular dela toca, aí tu fica com cara de bobo, esperando a pessoa terminar a conversa?